UnREAL – A primeira temporada

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UnREAL é aquilo que grande parte da crítica tem considerado como a melhor estreia da summer season. E talvez seja. Em um período relativamente produtivo (Sense8, Wayward Pines, Deutschland 83, etc.), a série do canal Lifetime é, no mínimo, a mais surpreendente. Começando com um piloto que é tudo que um bom primeiro episódio deve ser, UnREAL conquista a audiência de cara com doses cavalares de sarcasmo e intrigas. O tom novelesco não atrapalha, ao contrário, torna a narrativa bem construída ainda mais envolvente.

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O programa acompanha Rachel, uma assistente de produção que retorna ao trabalho depois de um surto psicológico que a afastou do ofício. Ela trabalha com Quinn no reality show Everlasting, que a cada temporada traz um grupo de mulheres que precisam disputar o amor de um “príncipe encantado”. Desta vez, o pretendente é Adam, um inglês milionário que deseja recuperar o respeito da família e conseguir visibilidade para seu novo negócio. Entre as concorrentes estão Faith, um estereótipo do sul estadunidense, Anna, a frágil, Grace, a latina sensual e vulgar, Mary, a mãe solteira, entre outras.

O grande ponto positivo é que todas as personagens são propositalmente tratadas como estereótipos no início, para, aos poucos, se transformarem em humanos multifacetados. É uma brincadeira que os roteiristas fazem com o próprio conceito do reality show. No início da nova temporada de Everlasting, Quinn e seus asseclas definem quem será a “vadia”, a “frígida”, a “solitária” e até mesmo a vencedora. A série mostra aquilo que todos nós sempre desconfiamos acerca de um programa de competições: tudo é armado. Todos os concorrentes são personagens de uma história basicamente roteirizada. Um dos melhores pontos a se acompanhar, portanto, é o relato dos bastidores, a colcha de retalhos que a produção do reality vai montando conforme as coisas vão acontecendo.

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Assim, é interessante acompanhar a construção e a desconstrução de todos os personagens no decorrer de dez sólidos episódios. Faith, por exemplo, é moldada por Quinn, a “chefe”, como uma sulista grosseira e virgem, uma peça do tabuleiro que seria dispensada na terceira semana de competição. O problema é que Adam, o tal príncipe, acaba por não eliminar Faith, que se torna uma das protagonistas não só de Everlasting, mas como de UnREAL. Grace, por exemplo, é a latina vulgar que irá para a cama com o britânico, não irá para a final e conquistará a audiência masculina (ávida por corpos sensuais e desnudos) e a latina (ávida por figuras semelhantes na TV americana). O problema é que cada uma tem uma identidade e um segredo (os quais não revelarei neste texto, para não estragar a experiência) e a roda programada para girar de um modo, gira de outro.

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O maior atrativo de UnREAL, portanto, é a subversão de estereótipos e de antecipações por parte da audiência. Quando descobrimos que certo personagem sabe de algo, por exemplo, logo pensamos que ele usará isso contra outra pessoa, pois seria o óbvio a fazer. O que realmente ocorre, porém, vai por uma direção completamente distinta, mostrando que os roteiristas querem a nossa atenção, nos fazendo imaginar uma coisa para, enfim, fazer outra. Durante toda a primeira temporada, portanto, a série acaba brincando com os desejos do público, subvertendo as obviedades a todo instante, até o último segundo.

É curioso, então, o modo como algumas tramas são desenvolvidas. Há um acontecimento envolvendo um casal (repito, não entregarei spoilers), por volta do sexto ou sétimo episódio, que promete ser desenvolvido como o grande plot até o final da temporada, mas acaba sendo resolvido e encerrado muito antes da season finale. Os episódios de UnREAL, portanto, são ágeis e funcionam muito bem isoladamente. Quase todos possuem um pequeno clímax em seus desfechos, deixando um gancho que praticamente obriga o espectador a retornar para mais capítulo.

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Rachel e Quinn

Quanto ao elenco, UnREAL traz uma mistura de rostos (não tão) conhecidos que dá certo. A começar por Rachel, interpretada por Shiri Appleby, mais conhecida pela clássica Roswell. Appleby compõe um personagem absolutamente interessante e intriga desde a primeira cena: sua personagem, Rachel, é bonita, mas não tem aquele tipo de beleza falsa ou chamativa, característica recorrente em protagonistas femininas. É uma mulher comum, e por isso mesmo bela. O cabelo nunca está arrumado, e banhos acontecem apenas em ocasiões raras, já que ela vive em uma espécie de container. Seus olhos parecem sempre cansados e embasados por fortes olheiras. A atriz, então, recebe destaque por construir uma personagem comum, que não precisa da beleza para envolver. Constance Zimmer, que interpreta Quinn, é outra que merece destaque por gerar empatia no público mesmo interpretando uma pessoa ruim (e acredite, ela é ruim). Quanto às “concorrentes” do Everlasting, todas têm chance de brilhar e é realmente elogiável o fato da série ter reunido um elenco tão sólido.

Já a ala masculina apenas faz a sua parte. Ainda que os personagens e os atores sejam bons, UnREAL é, inegavelmente, uma série feita de fortes mulheres (atrizes e personagens). O programa, é bem verdade, passa muito perto da simplificação e do machismo barato, mas no fim, as mulheres vistas aqui procuram e batalham por seus próprios espaços. Neste sentido, o show merece créditos por trazer um elenco repleto de rostos femininos, com personagens que não se dobram aos homens, que por sua vez ou são retratados como seres perdidos ou incrivelmente inconsequentes.

Assim, UnREAL entrega dez ótimos episódios e se revela a grande surpresa da summer season. Quem busca por sarcasmo, roteiro esperto, boas e constantes reviravoltas e a boa e velha busca pelo poder e pela vitória, terá um prato cheio.

 

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