Utopia – 2×01 – Episode 1

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Depois de praticamente um ano e meio de espera, Utopia retornou para a sua segunda temporada com um episódio flashback se passando nos anos 70. O que já demonstra que Utopia não tem medo de começar a temporada de forma diferente, sem mostrar as consequências da season finale passada logo no primeiro episódio.

Utopia é bastante conhecida pela sua parte técnica, então nada melhor do que começar falando disso. O episódio já se destaca logo no começo pela proporção de tela trazida pela produção – ou seja, aquele quadrado centralizado na tela -, como se tivéssemos assistindo a série numa TV pequena e sem muita qualidade. Aí já vemos o cuidado da série nos ajudando na imersão daquela época. Além de toda a representação da época auxiliada nos figurinos dos atores e pelas filmagens de arquivo de noticiários, Utopia ainda se mantém a mesma. A trilha sonora continua bizarra, porém, mais contida; a fotografia ainda em tom saturado; e um tiro na cabeça ainda funciona de forma exagerada com sangue e miolos saindo para todos os lados.

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Já o roteiro da série se mantém inteligente e nesse episódio Dennis Kelly, criador e roteirista, demostra o quanto ele entende do que está fazendo. O cara conseguiu unir algumas teorias da conspiração em relação ao assassinato de Aldo Moro e a candidatura de Margaret Tatcher (Aliás, para quem não entendeu muito o período histórico onde se passa o episódio, eu fiz um apêndice sobre isso após a review), de forma a nos fazer entender como a The Network já influenciava governos muito antes de fazer pessoas serem contaminadas pela gripe russa.

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É incrível como em tão pouco tempo, esse episódio conseguiu desenvolver tão bem Philip Carvel e Milner, o relacionamento dos dois e a criação de Janus. Carvel é praticamente um cientista louco e bêbado que não teve receio em fazer experimentos como o filho para tentar inibir a violência (Olha a ironia) muito antes de começar a produzir Janus. Já Milner, o que não vimos dela fazendo maldade na primeira temporada, isso nos é retribuído com uma Sr. Rabbit mais nova dando ordens para assassinatos, manipulação do governo e explodir aviões aleatórios.E ainda assim, esses dois personagens são tridimensionais, possuem seus próprios dramas.

Em certo ponto do episódio, Carvel diz não amar nada, apenas o que ele está fazendo com Milner. Entretanto, com o decorrer dos anos, Carvel passa a se envergonhar do que fez e a ter medo da mulher que antes confiava, fazendo-o se apegar mais a Jessica, amando a filha de verdade. Milner, por sua vez, não é apenas a mulher maldosa que não tem medo de matar para conseguir o que quer. Na realidade, acho que podemos até dizer que ela era mais sentimental que Carvel, já que ela amava Tom como marido e também amava o cérebro do cientista. No final das contas, ela precisou escolher apenas um amor para, segundo ela, criar a Utopia.

Além de todas essas nuances, Dennis Kelly ainda conseguiu fazer um roteiro que não se esquece do que já nos foi mostrado na primeira temporada. No 1×03, Arby diz que a primeira lembrança que ele tem de quando criança era matando animais e aí tivemos uma cena dele matando um coelho a dentadas (Porra, Pietre!). Também vimos Conran mais novo (Assistente de Letts, morto pelo Grant na sf passada, pra quem não lembra) tendo feito o ideograma chinês para Coelho em sua barriga. Sem contar a explicação do sobrenome de Jessica que é realmente uma referência a palavra “hide” (“esconder” em inglês).

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Também é necessário elogiar a escolha que fizeram para um elenco tão bom. Eu nunca vi Tom Burke em lugar nenhum (só ouvi falar de The Musketeers) e acredite ou não, eu nunca assisti Game of Thrones, então nunca vi Rose Leslie atuando. Porém, os dois mandaram super bem. Tom Burke trouxe um ar de louco bêbado para Carvel e Rose Leslie conseguiu muito bem transmitir uma personagem que é a “grande vilã” da série, conseguindo imitar alguns trejeitos de Geraldine James. E essas crianças, né? Pegaram uns atores tão parecidos com Arby e Jessica que dá pra ficar de cara. Até a expressão de psicopata do Arby foi retratada na criança.

Enfim, vocês podem perceber que eu não irei falar mal desse episódio. E, ao meu ver, não tem como. Esse episódio funciona como uma expansão muito bem-vinda ao universo de Utopia, respondendo algumas perguntas e nos mostrando o real relacionamento de Carvel e Milner juntando com fatos reais. Agora é esperar para que a série mantenha essa qualidade nos episódios do presente.

Observações

– Algumas pessoas ficaram surpresas ao ver que Utopia possuía episódio recente porque achavam que ela seria uma minissérie. Dennis Kelly, em entrevistas, disse que sua intenção sempre foi fazer uma série e que o Channel 4, canal onde é exibido Utopia, que vendeu-a como minissérie.

– Outras pessoas se perderam um pouco na diferença de idade entre Jessica e Arby. Jessica diz para Grant no 1×03 que Christos foi morto quando ela tinha 10 anos e Arby no 1×05 diz que o matou quando tinha 15. Então a diferença é de cinco anos. Em 79, Jessica tinha 4 e Arby tinha 9.

– Em certos momentos da primeira temporada, alguns personagens disseram que Carvel era um nazista. E temos um momento em que ele fala sobre escolher uma raça para que possamos viver num mundo sem genocídio racial. Será que ele realmente pensou nisso ou ele possuía algum preconceito com outras cores?

– Ainda sobre genocídio, no começo do episódio, Milner diz que já esteve em um. E isso me lembrou a história do Mr. Rabbit que saiu de um prédio matando todo mundo, após ter o ideograma do coelho cravado em sua pele. Seria uma referência?

– Obviamente, Tom estava doente… Será que ele é a primeira (ou uma das primeiras) vítimas do Síndrome de Deel?

– E Christos? Da onde ele apareceu? Ele trabalha para alguém? Por que ele ajudou Carvel e criou Jessica?

Pontos Históricos

Depois que terminei o episódio era notável que o plot central estava bem ligado a fatos históricos que ocorreram na Itália e principalmente na Inglaterra no final dos anos 70. E como eu não sei porra nenhuma sobre isso – e como vi que outros também não sabiam – resolvi pesquisar. Aqui vai algumas informações extras pra quem quiser saber mais. Eu tentei fazer o resumo do resumo sobre os vários sites que li, então, se errei alguma coisa, me perdoem.

Assassinato de Aldo Moro

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Aldo Moro era Primeiro-Ministro da Itália e Líder da Democracia Cristã. Em 1978. Ele elaborou um acordo que uniria a Democracia Cristã (de direita) com o Partido Comunista (de esquerda). Em 16 de março de 78, Moro foi sequestrado pela Brigada Vermelha, um grupo que visava promover a revolução comunista. Ou seja, a Brigada não estava contente com o Partido Comunista se envolver com um governo de direita.

Quem substituiu Moro foi Guilio Andreotti também da Democracia Cristã. Diferente de seu antecessor, Andreotti era contra a união com os comunistas e o acordou não aconteceu. Ele também se recusou a negociar com a Brigada Vermelha, resultando na morte de Aldo Moro. Aí é que entra a parte conspiratória.

Os EUA, na época, possuíam o apoio da Itália na Guerra Fria, apoio esse contra comunistas. Entretanto, ter comunistas no governo italiano iria contra a lógica e isso era inaceitável para os americanos. Assim, surgiram boatos de que a CIA tinha participado do assassinato de Moro porque a organização possuía uma operação secreta anticomunista chamada Gladio. Ainda em 78, o jornalista italiano Mino Pecorelli (Sim, o cara que é assassinado no começo do episódio) sugeriu que a CIA poderia ter sido culpada pelo assassinato de Moro. Um ano depois, Mino é assassinado e mais tarde descobriram que Andreotti foi mandante do crime, reforçando as teorias conspiratórias.

Na série, a The Network é quem estava por trás da morte de Aldo Moro e Mino Pecorelli era aliado colocando assim a culpa na CIA. Quem quiser pesquisar por Pecorelli no Google verá fotos do seu corpo morto dentro de um carro, caído da mesma forma como foi representado na série.

O Inverno do Descontentamento e Margaret Tatcher

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Em 79, os sindicatos do Reino Unido fizeram o país entrar em caos, fazendo greves por salários melhores. Hospitais, lojas, mercados e etc pararam de funcionar. Lixeiros pararam de trabalhar levando as pessoas a jogarem lixos nas ruas. Até coveiros aderiram a causa, deixando diversos corpos sem serem enterrados (Agora dá pra lembrar de quando Milner e o Assistente se encontram num lugar cheio de caixões). Foi nesse momento da Inglaterra que passou a ser chamado de o “Inverno do Descontentamento”.

Sendo assim, Margaret Tatcher (do Partido Conservador) acabou enfrentando os sindicatos pela falta de liberdade que eles estavam trazendo ao povo. Ela ganhou mais apoio da população e os Conservadores estavam passando os Trabalhistas nas pesquisas. Dessa forma, Margaret Tatcher conseguiu se eleger como Primeiro-Ministro britânico.

No episódio, o que nós vemos é Milner e o Assistente manipulando os votos, afastando políticos – ou os matando -, como Richard Sykes e Airey Neave (Esse daqui até aparece no episódio manipulando Milner). Segundo esse episódio, é como se a candidatura de Tatcher tivesse sido resultado das motivações da The Network.

O Acidente Nuclear de Three Mile Island

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Localizada em Harrisburg, capital da Pensilvânia, a usina Three Mile Island sofreu séria avaria num de seus motores, com ameaça real de derretimento da central nuclear, colocando em risco toda a população da cidade. Por sorte, o acidente não provocou nenhuma morte nem alterou significativamente o meio ambiente. No final das contas, descobriram que o acidente foi resultado de falha humana. Eu não entendo muito de parte técnica, mas pelo que eu pesquisei, alguém esqueceu de fechar uma válvula de resfriamento e o operador da sala de comando executou vários operações de segurança com o pensamento errado de que a válvula estava fechada. Isso desencadeou reações físicas e químicas o que resultou no acidente.

Bom, você pode até não ter entendido muito bem (Nem eu entendi muito, relaxa), entretanto, Carvel estava sendo torturado nessa usina quando o acidente ocorre. Também dá a entender que Janus foi finalizada por ali também. Agora me pergunto se, na visão da série, foi Christos que executou o acidente, já que tudo ocorreu devido falha humana.

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