O último filme de Val Kilmer foi a despedida perfeita pro ator

A notícia da morte de Val Kilmer, aos 65 anos, deixou Hollywood e os fãs de cinema em luto. Mas se existe uma maneira bonita e simbólica de se despedir das telas, Kilmer encontrou.

Sua última aparição no cinema foi justamente em Top Gun: Maverick, e não poderia ter sido mais significativa — para ele, para o personagem e para quem acompanhou sua carreira ao longo de décadas.

O retorno de Iceman — e de Val Kilmer

Lá em 1986, quando Top Gun estreou, Kilmer deu vida a Tom “Iceman” Kazansky, o rival direto do Maverick de Tom Cruise. Os dois eram intensos, impulsivos e cheios de orgulho, mas terminavam o filme como companheiros e, mais do que isso, amigos. Uma relação que, dizem, espelhava também o que acontecia fora das telas entre os dois atores — uma amizade cheia de respeito, com direito a troca de presentes todo Natal.

Anos depois, com o diagnóstico de câncer de garganta que comprometeu sua voz, muita gente achava que Kilmer nunca mais voltaria a atuar. Mas foi justamente Top Gun: Maverick que deu a ele essa chance — e de uma forma respeitosa, emocionante e real.

Na cena, Iceman está mais velho e fragilizado. Ele se comunica com Maverick por mensagens no computador, até conseguir pronunciar poucas palavras, com esforço.
“A Marinha precisa do Maverick. O garoto precisa do Maverick. Por isso lutei por você. Por isso você ainda está aqui.”

Ali, não era só Iceman falando. Era Val Kilmer, de verdade, se despedindo do público. E o público entendeu.

Amizade verdadeira, dentro e fora da tela

O diretor Joseph Kosinski contou que filmar esse momento foi especial — e que não precisou de muitas tomadas.

“Val Kilmer estava completamente presente, e conseguiu transmitir tanta emoção sem quase dizer nada. Quando terminamos uma das cenas, Tom e Val estavam com os olhos cheios de lágrimas,” disse.

A química entre eles ainda estava lá. O carinho, a história compartilhada. Era como se os personagens e os atores fossem um só. E o diálogo final da cena selou isso com leveza:



Iceman: “Quem é o melhor piloto, você ou eu?”
Maverick: “Esse momento está bonito. Não estraga.”

Um encerramento delicado, afetuoso — sem exageros, sem frases de efeito. Só dois velhos amigos dividindo um último momento juntos.

Um adeus com significado

Val Kilmer teve uma carreira incrível. De O Santo a Tombstone, de Batman Eternamente a Kiss Kiss Bang Bang, ele marcou época com sua presença forte, carisma e talento. Mas foi em Top Gun: Maverick que ele encontrou uma forma de se despedir não apenas como ator, mas como ser humano.

Sua participação é breve, mas poderosa. Ela resume quem ele foi: alguém que mesmo com limitações, nunca deixou de ser autêntico. Um artista que fez muito, e que partiu do jeito mais bonito possível — sendo ele mesmo.

Se ainda não assistiu ao documentário Val, lançado em 2021, vale muito a pena. É um retrato íntimo de um artista sensível, apaixonado pelo que fazia, e que enfrentou o fim com coragem e dignidade.

E talvez a resposta de Maverick na cena final resuma melhor do que qualquer homenagem o que sentimos:

“Obrigado, Ice. Por tudo.”



O último filme de Val Kilmer foi a despedida perfeita pro ator
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.