Vim lhe trazer este humilde presente…

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É um fato triste que 2016 tem se provado um ano relativamente cruel com os fãs. David Bowie, Alan Rickman, Umberto Eco, Prince e até Muhammad Ali já nos deixaram este ano e, nesta semana, Rubén Aguirre, o eterno professor Girafales nos deixou. Então, numa homenagem a mais esse marco que a TV perdeu, o nosso Editorial desta semana abordará um pouco do imenso legado deixado por ele.

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Antes de mais nada, sim, eu e todos aqueles que acompanham – mesmo que de leve – as relações dos membros do elenco tanto antes quanto depois da morte de Bolaños sabe que não havia mais muita paz entre eles, e que a situação não melhorou muito. Mas não escrevo estas linhas para me juntar ao círculo eterno de fofocas feitas por imprensas mais… “medíocres”. Quero, como fã, deixar mais um dos muitos manifestos a um personagem que marcarou gerações, seja com suas piadas, respostas prontas, agressões físicas ou bordões inesquecíveis.

O “Chaves do Oito”, como acabamos por conhecer um dos mais famosos esquetes de Bolaños e sua turma foi inicialmente idealizado como parte da primeira versão do Programa do Chespirito, exibido entre 1970 e 1973. Após a fusão da Televisión Independiente de México com o Telesistema Mexicano, a primeira fase do programa acaba com seu encerramento em 1973, retornando para a TV somente em 1980, de onde se estenderá por quase quinze anos de TV, até 1995. E embora “O Chaves” não fosse o único segmento do programa – dividindo espaço com outras esquetes idealizadas por Bolaños, como o Chapolin (El Chapulín Colorado), La Chicharra, o Doutor Chapatín (Doctor Chapatín), Chaveco (Los Caquitos), Pancada (Los Chifladitos), Chaplin, O Gordo e o Magro (El Gordo y el Flaco) e Chespirito (personagem que dá nome ao programa) – o programa era exibido semanalmente pela Televisa, o que garantiu várias pérolas para Aguirre, seja gritando numa escola, levando flores e tomando café, sendo um bandido/pirata, lutando um duelo musical contra o próprio Chespirito ou nas muitas das outras traquinagens aprontadas por ele.

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Embora Rubén Aguirre não tenha vivido uma vida inteiramente sem atribulações ou pouco trabalhosa, é inegável que ele fazia bem, e porque gostava, aquilo que fazia. Prova disso é que, em seus primeiros trabalhos com Bolaños, Aguirre ainda era um executivo de canal, que acabou por abandonar o alto salário corporativo por uma vida como ator. Assim como Ramón Valdês, Aguirre tinha também um circo, com quem saiu em turnê, principalmente depois do fim da Era Chespirito na TV mexicana. Ele também produziu um dos programas estrelados por María Antonieta de las Nieves depois que a mesma abandonou a turma de Bolaños.

Aguirre sofreu, consideravelmente, problemas de saúde e financeiros nos seus últimos anos de sua vida, mas foi na escola liderada pelo personagem de Aguirre que a série encontrou refúgio no meio a tantas regravações, mudanças de elenco e direção e todas as brigas internas tão conhecidas pelos fãs. É lá também que o último episódio “original” da série Chaves, intitulado “Aulas de Inglês”, é gravado, em 1992.

1466161910382O eterno galanteador, sempre trazendo flores, sempre aceitando as xícaras de café – fato que é ironizado até no próprio programa, num dos melhores momentos do Quico, na minha opinião –, pretendente de Florinda sempre e para sempre (já que até mesmo em sua biografia, intitulada “Después de usted” ele faz referências ao texto compartilhado com Florinda Meza), o Professor Girafales pode até ter partido para se juntar ao Seu Madruga, à bruxa do 71, digo, dona Clotilde e ao Chaves, mas ele ficará para sempre impresso na memória das várias gerações de eternos “jovens ainda” que, assim como eu, cresceram acompanhando seu trabalho.

Então, seja pelas suas tiradas espetaculares, pelas aulas hilárias, pelo julgamento do Chaves ou pelo número musical dele com dona Florinda, não deixe de lembrar, de homenagear a sua maneira, seja revendo melhores momentos no Youtube ou maratonando os episódios do Chaves que estão disponíveis na Netflix (tanto do seriado quanto da animação), ou simplesmente usando o famigerado “Taaaa, taaa, ta,,, ta!” dele na próxima vez em que alguém te irritar, leve o imenso legado deste ícone perdido da TV com você, para que seja possível que, como Marta Volpiani – dubladora de dona Florinda – disse, em sua homenagem, “o professor girafales não morrerá jamais”.