Vinyl – 1×01 – Pilot [SERIES PREMIERE]

Vinyl S01E01

Imagem: Den of Geek

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A década de 1970 deu ao mundo um novo e fresco ar de liberdade, pondo no Rock N’ Roll a sua maior forma de expressão e trazendo no cinema contemporâneo a genialidade da arte visual. Do Rock veio a liberdade, a rebeldia e a confusão. Um exemplo? Led Zeppelin. Do Cinema, veio a genialidade de diretores que popularizaram a sétima arte como algo muito mais que conceitual trazendo histórias reais e ficcionais que transbordaram as telas e influenciaram a vida e arte. Um exemplo? Martin Scorsese.

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Quando Scorsese tornou-se conhecido no ano de 1973, com o filme Mean Streets, ele iniciou duas parcerias duradouras e vindouras que repercutiram a sua carreira e o cinema mundial. Com Robert De Niro como seu ator principal em oito filme, Scorsese nos entregou clássicos cinematográficos como Goodfellas e rendeu a De Niro o Oscar de Melhor de Ator em 1980 por Touro Indomável. A segunda veio de forma indiscreta, mas que com o passar dos tempos tornou-se uma de suas marcas: a trilha sonora dos Rolling Stones. A maioria de seus filmes são conduzidos por trilhas escolhidas a dedo pelo próprio Scorsese, e com os Stones, ele eternizou cenas marcantes no cinema e iniciou uma bela amizade com a banda, que teve um ótimo resultado nas telas com o documentário Shine A Light de 2008.

Vinyl é uma série que foi criada por Mick Jagger – leadsinger dos Stones – e Martin Scorsese ao longo de 20 anos com a intenção de ser um longa-metragem que se passava durante três décadas diferentes e explorasse, através de flashbacks e flashforwards, a história da indústria musical. Seu roteiro ficou tão grande e complexo que a adição de Terence Winter, através de Scorsese, – com o qual trabalhou na série Boardwalk Empire e no filme The Wolf of Wall Street – foi adição que tornou Vinyl em um seriado nada menos do que genial e brilhante.

A violência está presente com um humor negro e sarcástico típico de personagens de Scorsese, ao mesmo tempo que a trilha sonora doma todos os pontos positivos que a série nos apresenta em sua magistral premiere de 1 hora e 52 minutos de duração, que em nenhum momento nos trazem cansaço e tédio, mas sim vibração e completa imersão nessa que é uma das maiores obras que a HBO lançou em seu catálogo de séries.

Vinyl estréia na HBO com uma temporada de 10 episódios e uma vivacidade voraz, crível, crua e real, focando-se na indústria musical e em todo o seu exagero, toda a sua extravagância e toda o seu egocentrismo através de personagens cativantes e, mais importante, reais. A essência da série gira não em sua história, mas em sua magnífica produção que traz ao espectador o ano de 1973 da forma mais vivida e mais real que qualquer outra mídia – que tentou reproduzi-la – jamais trouxera. O realismo é estratosférico, a produção é simplesmente impecável. Exploramos nesse piloto três tipos diferentes de sociedade: a pobreza e a violência do Brooklyn e Harlem, a riqueza de bairros e pessoas extravagantes de Greenwich e dos bairros ricos de Nova Iorque e o principal de todos: o estilo livre dos músicos e seus seguidores.

Os anos de 1970 formaram uma época na qual as pessoas começaram a explorar o vestuário “vintage”, usando roupas de décadas passadas misturadas com a moda atual, formando um espetáculo de vestuário chamativo e nem um pouco rústico. O senso de liberdade que Woodstock causara em 1969 trouxe para a sua década seguinte o sentimento de um mundo livre de preconceitos, livre de guerras e livre para se viver. Assim como as Harley Davidsons tornaram-se o grande símbolo de liberdade a partir da música Born To Be Wild repercutida de maneira estrondosa no filme Easy Rider (1969), as roupas e os cabelos da época eram o chamativo e refletiam a personalidade de cada um, popularizados através da grande mistura que os músicos da época vestiam. Na primeira metade dos anos de 1960, os Beatles eram populares por seus ternos, na outra já eram característicos os seus visuais extravagantes, refletidos de seus experimentalismo; já em 1970 temos New York Dolls, Led Zeppelin, Aersomith e KISS trazendo para as ruas as suas vestes brilhosas, sua maquiagem chamativa e seus cabelos longos e rebeldes penteados com spray – tornando assim, de uma maneira inesperada, o rock em algo mais comercial.

Explorando de uma maneira magnífica e inigualável os anos 70 e a indústria musical, Vinyl é uma série que merece destaque e merece ser assistida, pois ela não fica apenas a mercê de sua excelente produção, pois ela se destaca de uma maneira ainda mais grandiosa em seu roteiro fabuloso e em sua trilha sonora impecável. A película utilizada nos remete muito à filmes e séries daquela década, o que da a série mais um saldo positivo no quesito visual.

Sexo, Rock, drogas, disco, criminalidade, punk, egos e loucura são os aspectos chamativos de uma Nova Iorque perigosa, fria e cruel. Vinyl traz a história de Richie Finestra (Bobby Cannavale), dono da gravadora American Century Records, que se vê em apuros quando entra em no dilema da provável falência, ao emergir de uma crise envolvendo o fechamento de um contrato com o Led Zeppelin e com a venda de sua empresa (a PolyGram Alemã). O Led Zeppelin, ao lado do New York Dolls, são interpretados por atores realmente convincentes como tais personagens tão adorados pelo mundo da música.

Richie possui um passado pouco revelado, mas que foi um pouco explorado com flashbacks do início da década de 1960, mostrando um pouco de seu relacionamento com os negócios e como ele fez para se tornar o homem que é hoje. Esses flashbacks não possuem nenhum tipo de dica para as suas devidas introduções, mas é por que elas não são necessárias graças a mudança visual que temos na série. Conseguimos perceber através do visual – não só do de Richie, é claro – diferenciado que uma década tem com a outra, o que é outro fator de extrema importância para a série.

É raro nos dias atuais encontrarmos artistas negros no rock n’ roll que fazem sucesso, ou que estejam em bandas de rock e Vinyl faz questão de nos lembrar que o Rock é um gênero inventado e produzido por negros, com um desenvolvimento e produção feita pelos brancos. É através do Blues e do Rock que 95% das cenas da série são carregadas, e é através dele que Vinyl nos traz uma imersão tão viva, inspiradora, profunda e apaixonante que acaba tornando-se mais do que convincente, mas sim capaz o suficiente para esquecermos o ano em que estamos vivendo e sim viver o ano de 1973 e que acaba por tornar a série em um clássico Cult logo em seu primeiro episódio.

Não há muito o que se falar da trilha sonora, exceto que ela combina com todas as cenas em que ela é empregada – típica de todas as produções de Scorsese – e que ela consegue estar presente de uma maneira direta ou indireta em quase todas as cenas e durante quase toda a cena de uma maneira que não enjoa, mas sim instiga a querer ouvir mais. A cada episódio lançado de Vinyl a HBO estará lançado um “álbum” com toda a trilha de tais episódios, poderemos desfrutar desses “álbuns” através de mídias (como o Spotify) – que possui, desde quinta-feira passada, a trilha do piloto (e que você pode conferir clicando aqui).

Sem dúvida alguma, Vinyl é a nova série que precisamos acompanhar semanal. Sua produção não fica apenas nos nomes de Scorsese, Jagger e Winter, mas sim os extrapola, nos levando a um cenário transgressor, a personagens realistas e a uma trilha magnífica que resultam em uma série primorosa. O seriado é uma bíblia para os fãs de rock n’ roll e futuramente da música como um todo. Afinal, foi do Blues que todos os gêneros subsequentes tiveram inspiração para as suas criações e base.

Séries da HBO possuem um grande custo de produção, Vinyl consegue realçar isso ao mesmo nível que Game Of Thrones consegue, e esse é um dos melhores e mais abraçados aspectos de HBO possui ao lado de seu “livre arbítrio”. Instigante do inicio ao fim, nos deixando com aquele sentimento de “quero mais”, Vinyl é a primeira série do ano de 2016 que deve ser assistida.

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