Vinyl – 1×03 – Whispered Secrets

Vinyl S01E03

Imagem: Arquivo Pessoal

Continua após as recomendações

 

Vinyl diminui o seu ritmo com Whispered Secrets, mas ainda assim mantém todas as analogias, extravagâncias e loucuras já típicas e notáveis da série.

Continua após a publicidade

O episódio focou-se inteiramente na música – muito mais do que em seus episódios passados –, com um destaque para a American Century e o grupo de A&R buscando por novos artistas, novos gêneros, tentando mudar o seu atual cenário para algo mais inspirador, algo que transforme o presente em um futuro imediato, buscando na música uma forma de transformar, novamente, a cultura em algo de extremo impacto e poder. É isso o que Richie Finestra quer, colocando em segundo plano seus sócios, a única coisa que ele consegue pensar é em trazer aquela energia sentida no show do New York Dolls novamente, mas não apenas para ele, mas para o mundo todo.

Através de um papel com o nome dos artistas empregados pela empresa, o Chefe de A&R, Julie (Max Casella), vai riscando os nomes que não são do agrado de Richie enquanto o mesmo discuti com seus sócios quem fica e quem será demitido. Uma forma simples de cortar o sucesso de alguém.

Clark (Jack Quaid) tenta gerar as cenas mais engraçadas do episódio, mas falha drasticamente. Simplesmente por que parece não haver emoção e entusiasmo por parte do ator, algo que é notório desde o piloto. Entretanto, as cenas em que aparece são as que mais chamam atenção, pois em um instante elas o trazem em estúdio escutando a regravação da música Simone, de England Dan & John Ford Coley, com uma expressão cansada e falas sarcásticas negativas à dupla, e nas seguintes possui uma excelente – e inesperada – interação com Alice Cooper (Dustin Ingram). Dustin embora se pareça poço com Alice, consegui atuar como tal de uma maneira satisfatória, adaptando-se aos trejeitos do músico e trazendo uma entonação vocal muito parecida com a do mesmo.

Clark passa um longo tempo com Alice Cooper na intenção de assiná-lo com a American Century e garantir a sua posição como tal, e não poderia ter feito isso em um momento mais oportuno do que 1973. Alice Cooper em 1972 não era apenas o nome do próprio, mas também o nome da banda. Ela vivia o seu estrelato máximo, sua popularidade era grande devido a toda a mudança que eles traziam em seus shows, trazendo nos membros as clássicas roupas extravagantes e maquiagens horrendas que estavam dando o início do Glam Rock junto de um final de show que causava a morte de Alice Cooper por decapitação, algo até então inédito e assustador para as pessoas – Alice influenciou o KISS tempos depois. Suas músicas eram mais pesadas do que as de outras, eram cativantes, extremamente sonoras e conseguiam trazer um público diferenciado para seus shows, pois suas letras conseguiam variar entre o bizarro e o comercial. Em 1972 eles consagraram-se por lançar o seu álbum mais clássico até hoje, School’s Out, e em 1973 lançavam os dois últimos álbuns como banda, Billion Dollar Babies e Muscle of Love.

Se por um lado temos a consolidação de um dos maiores ícones do Rock mundial, por outro temos o nascimento complicado e conturbado de três dos estilos mais celebrados e ouvidos dos anos 70: Rap, Hip Hop e Punk Rock.
Misturando discos diferentes e tentando achar a batida perfeita, Lester Grimes (Ato Essandoh) testemunha algo inédito para seus olhos e ouvidos ao ver seu amigo Clive Campbell tentando juntar as músicas de uma maneira única e diferente através de gêneros variados como o Jazz, Soul e Funk.

Clive aparece em uma cena pequena e rápida, mas muito simbólica para todos que gostam do Rap e Hip Hop, pois ele não é apenas um personagem tentando inovar a música, ele é Kool Herc (Dominique Johnson), mais conhecido como o Pai do Hip Hop, pois foi um dos pioneiros e um dos mais influentes artistas nessa área. Aqui vemos Kool Herc em seu início, tentando descobrir uma maneira de dominar os discos, de trazer uma musicalidade que consiga juntar músicas e artistas diferentes, misturados com uma batida nova, provando que Vinyl não se trata apenas de Rock n’ Roll, mas se trata da celebração da música.

O Punk Rock também está sendo introduzido aos poucos, pois fui justamente na Nova York de 1970 que o gênero ganhava um conhecido espaço com os Ramones. Após terem de praticar uma música fora de seu agrado e trazendo uma piada interna entre James Jagger e The Kinks, The Nasty Bits realiza a sua primeira apresentação para Richie Finistra em pub na intuição de conseguirem serem assinados e começarem a praticar uma carreira como uma banda profissional. A mudança de som proposta por Julie pode ter atrapalhado a banda e o gosto de Richie, mas ela conseguiu trazer de uma maneira sonoramente nítida uma harmonia maior da banda.

O inicio da carreira do Ramones é incerto, alguns falam de 1972, 1973 e o mais recorrente em 1974. Se Vinyl seguir essa linha eu tenho certeza que eles colocaram Nasty Bits como a banda precursora do Punk Rock, e abrirá uma nova onda de outras bandas criadas para o seriado, assim como músicas originais. What Love Is é uma música do próprio Nasty Bits e não é nada menos do que sensacional.

Em meio a uma grande epifania musical, Vinyl continua trabalhando muito bem os seus personagens, e novamente temos foco em Devon e Richie. O relacionamento de ambos anda piorando, as brigas e desavenças parecem ser constantes e ambos estão se distanciando aos poucos, seja por Devon sentir-se alheia a sua “antiga vida”, ou por Richie estar voltando as drogas. Devon parece estar entrando em uma depressão muito grande por ver que seu marido, Richie, está de volta ao seus vícios e quebrando o trato feito por ambos. As drogas trazem ao personagem uma mudança de personalidade muito visível, seja nos movimentos corporais de Richie ou em sua mania de tocar o nariz. Ainda assim, Richie sabe o que é certo e errado, ele tem em sua consciência que a polícia pode vir atrás de informações obre Buck ou Moury a qualquer hora, então ele tentará fazer tudo que puder para tudo dar certo, a qualquer custo, e isso gera uma das grandes cenas do episódio no momento em que ele tem uma conversa com seu velho amigo Lester.

Devon inicia em uma discussão muito interessante com Richie sobre uma captação de recursos (fundraising) que ela precisa para trazer espaço em Connecticut para um grupo de ballet, causando uma desavença entre ambos, ela então decide vender um quadro de sua própria pintura feita por Andy Warhol, de anos atrás. Ela volta a ver Andy apenas para conseguir a assinatura e vender, e é nessa cena que vemos o quão excelente é Olivia Wilde. Não precisamos de falas e ações para sentirmos o que ela está passando, precisamos apenas do olhar que ela transmite, um olhar triste, depressivo, abalado e cansado, conseguimos ver o seu desespero. Ela precisa do dinheiro e Andy, comovido, assina à pintura em um ato de caridade simples e magnífico em uma cena que extrapola a genialidade, temos nela Devon em vídeo, Devon em pessoa e Devon em uma arte de Warhol, arte essa que não é alguma arte qualquer, representa a vida e a alma de Devon e agora, vendendo-a, despedindo-se de seu passado.

Whispered Secrets enquadra-se ainda mais na musica e em seus personagens, mas se Vinyl continuar com o mesmo ritmo, não tenho duvidas de que se tornara algo maçante, infelizmente. Porém os dois primeiros episódios tiveram um ritmo parecido, e os três até agora tiveram ótimas histórias e cenas fantásticas, algo que nos cativa. Em um momento temos Howlin’ Wolf (Irving Louis Lattin) cantando de uma maneira linda e em outro um devaneio muito triste e emocionante de Lester Grimes, e é isso que Vinyl vem se mostrando ser, uma mistura de tudo. Música, drogas, sexo, violência, investigação e drama, escolha um para focar-se e Vinyl lhe renderá ótimos momentos.

Nenhum comentário

Adicione o seu

Tags VINYL