Vinyl – 1×05 – He In Racist Fire

Vinyl S01E05
Imagem: Arquivo Pessoal/Renato M.P

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Chegando a metade de sua temporada, Vinyl traz um episódio que da uma desacelerada em seu avanço de história e foca-se mais em seus personagens e seus dilemas que crescem, divergem e convergem-se de maneiras inesperadas e propositais nesse episódio.

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Abrindo espaço para novas relações entre personagens, “He In Racist Fire” é basicamente um episódio que foca em “casais” e em suas relações com terceiros, por exemplo: Kip e Jamie com os Nasty Bits (por causa de Richie), Richie e Devon com Hannibal (mais os seus problemas anteriores por causa de Richie), Cece e Hannibal com Richie (e a sua gravadora), e por último, mas não menos importante, a dupla de detetives com Richie.

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Dividirei essa review nesses “casais”, mas antes gostaria de falar um pouco sobre Clark, que abre esse episódio de uma maneira muito boa, apresentado-nos aos primórdio do Rock Céltico/Folk Metal e a uma outra grande mistura de gêneros, e sobre Sal, pai de Richie.

Após o passar de tempo da equipe de A&R ter o aviso de encontrar novas bandas, Clark encontra-se em uma situação delicada quando as bandas que encontrou são altamente negadas. Ele é demitido, porém ele consegue convencer Julie a ficar no trabalho, mas não como A&R que tanto queria, mas sim como um assistente, ao lado de Jamie.

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Clark até o momento é um personagem randômico que não mostrou absolutamente nada até esse episódio, suas cenas são descartáveis e a atuação de Jack Quaid deixa muito a desejar. A cena de choro desesperado foi falha, não conseguiu transmitir a emoção, pressão e nervosismo que o personagem estava passando naquele momento de demissão – Julie com o seu franzir de sobrancelhas teve mais emoção que Clark. O personagem não agrega em nada, o que é uma pena pois ele poderia ter sido bastante significativo com a sua interação com Alice Cooper no episódio “Whispered Secrets”.

Sal Finestra (David Proval) demonstrou-se ser um personagem de extrema magnitude nas poucas e rápidas cenas em que aparece. Sua presença emana um ar de respeito e totalitarismo muito grande, principalmente na sua forma de olhar para seu filho: um olhar frio e ríspido que ao mesmo tempo passa o amor e caridade.

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As poucas cenas que ambos interagiram foram muito boas, eles possuem as suas desavenças, porém eles se amam como qualquer pai e filho se amariam. Conseguimos perceber no olhar de ambos que existe uma química muito forte entre eles, mesmo que eles se vejam e conversem muito pouco. Sal deu o depoimento sobre Richie à polícia, dando um álibi ao mesmo, e isso é uma das maiores coisas que ele deve ter feito por Richie, afinal ambos se respeitam e acreditam um no outro – não é a toa que Richie deu o nome à sua empresa em homenagem ao nome da banda de seu pai.

Agora, seguindo o contexto: Kip Stevens é o líder do Nasty Bits e isso é sempre um dos maiores chamarizes de cada banda, principalmente quando se é o vocalista principal e guitarrista. O vocalista é sempre o grande ícone de qualquer banda ao lado do guitarrista – vide Nirvana, The Velvet Underground, The Jimi Hendrix Experience, etc. – e isso requer que a pessoa envolvida nessa área seja de extremo carisma e de uma grande personalidade.

Durante uma negociação com a American Century para a distribuição de suas músicas e o seu modo de portar-se, percebemos em Kip a verdadeira alma do Punk Rock. Richie menciona que ele deve mudar o estilo de cabelo e fazer uma bio para si, mas ele nega a todos os seus pedidos de uma maneira rude e desleixada, que lembra muito os integrantes do Sex Pistols. Richie fala para ele mudar a sua atitude e ser alguém de boa índole, mas eu duvido que isso aconteça e tampouco desejo que isso acontece, pois ser um músico Punk nos anos 1970 é ser um anarquista contra tudo – política, física e sociologicamente falando.

Assinar um contrato com uma gravadora, como podem ter percebido, não é apenas ter um local para a gravação e distribuição de sua obra. Assinar com uma gravadora engloba várias outras coisas que interferem em suas composições, gravações, estilo e até mesmo na formação da banda. Kip recebe o mandado direto de Richie para demissão de Duck (Dustin Payseur), o guitarrista principal e um dos fundadores da banda, que inclusive deu o nome a ela. E apesar de ambos serem bons amigos, Kip sabe o que fazer para a banda ser boa ter sucesso, mas ele não tem a coragem de fazer isso, atitude que recai sobre Lester. Com toda certeza essa ação gerará algo que mudará o curso da banda, talvez os membros sintam-se pressionado a mudar seus estilo para melhor ou talvez cause a ruptura do grupo.

Richie, Devon, Cece e Hannibal saem para um encontro duplo idealizado por Richie, que tem como finalidade assinar um contrato com Hannibal e mantê-lo como o grande astro da gravadora. Entre conversas e cocaína, Hannibal e Devon formam um par em uma dança sensual e excitante que deixa Richie desconfortável e decide ir embora com Devon por ciúmes. Devon estava dançando de uma forma sensual com Hannibal para provocar Richie, mas ela contesta isso dizendo que estava fazendo pelo bem da empresa, o que deixa seu marido ainda mais agressivo e nervoso. A discussão de ambos acaba resultado na separação – não conjugal, é claro – de ambos. Em uma cena no elevador, Richie sente que Devon está “molhada” e acaba brigando com ela. Esse é o ponto final da relação desastrosa de ambos.

Devon vai para o Hotel Chelsea – hotel muito conhecido na cidade de Nova Iorque por abrigar músicos (como Iggy Pop) e artistas (como Charles Bukowski), e também, por ter sido o cenário da morte de Nancy Spungen, namorada do baixista do Sex Pistols, Sid Vicious – enquanto Richie vai embora em seu carro, onde recebe a ligação de Jackie Jervis dizendo que acabara de assinar um contrato com Hannibal para a sua gravadora: Coronet Records. Com uma nova formação, um novo visual e um novo álbum, somos novamente apresentados ao Velvet Underground com a música clássica White Light/White Heat do álbum de mesmo nome. Connor Hanwick é ator que interpreta Lou Reed em ambos os episódios e ele é simplesmente idêntico ao músico nessa época de sua vida.

Richie vai até o show da banda pois sabe que é nela que está o seu grande trunfo: Andrea Zitto (Annie Parrise). Ela é o braço direito de Jackie Jervis e ela sabe como cuidar de uma empresa. Durante os diálogos ficamos sabendo que ambos tiveram uma relação amorosa anos antes e que Richie simplesmente ficou com Devon por que a achava mais bonita. Esse diálogo final com a trilha sonora do Velvet Underground de fundo foi uma das melhores da série, seja em sua elaboração e posicionamento como também e atuação de ambos. A discussão sobre trazer Andy para a American Century havia sido iniciada anteriormente de uma forma mal sucedida, porém agora através da pressão da mudança repentina e inesperada de contrato de Hannibal, Richie se vê em uma posição arriscada.

Andy aceita trabalhar para Richie depois de muito negociar e se expressar e isso será uma das maiores evoluções que a série tomará nessa sua temporada de estreia. Em todos os momentos que apareceu, Andy demonstrou-se ser uma personagem que sabe o que esta fazendo e sabe como, quando e onde fazer e também os meio necessários. Ela pode não apenas mudar o rumo da American Century Records mas como também o de novos artistas e causar um grande dano a Jackie Jervis.

He In Racist Fire” é um anagrama para o nome de Richie Finestra feito por Hannibal e ele demonstra-se bastante aplicável na cena de encontro duplo. O episódio conseguiu manter-se bem a tudo o que propõe e trouxe uma variedade muito boa de relações entre personagens e trilha sonora – como sempre faz.

Os Detetives Whorisky (Jason Cottle) e Renk (Michael Drayer) conseguiram implantar uma escuta no escritório de Richie e rastrear um diálogo muito importante entre ele e seu pai. Se eles continuarem sendo competentes dessa maneira nos próximos episódios eles conseguirão, definitivamente, trazer Richie a um patamar nunca imaginado por ele.

Vinyl ao mesmo tempo que é uma série extremamente bem feita, roteirizada, dirigida e atuada, demonstra-se um pouco repetitiva, mas não ao ponto de se tornar cansativa ou maçante. Algumas cenas são parecidas e as vezes temos a sensação de que elas são descartáveis pela falta de propósito, mas mesmo assim elas conseguem passar tranquilamente, graças a combinação que a trilha sonora traz a elas.

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