Vinyl – 1×06 – Cyclone

Vinyl S01E06
Imagem: Arquivo Pessoal/Renato M.P

 

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“Rave on, daddy-oh”

Vinyl inicia a segunda metade da temporada com um episódio que traz mais energia e velocidade  do que o seu já tão admirado piloto. Este episódio consegue demonstrar que Vinyl consegue manter o ritmo abrangendo múltiplas histórias, conseguindo focar-se em cargas dramáticas grandes e coerentes de seus personagens e, ao mesmo tempo, contar a sua história e introduzir artistas e celebridades da época.

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Este deve ser o episódio mais profundo e prazeroso que Vinyl nos apresentou nessa temporada, e com certeza será difícil trazer um episódio de seu tamanho. Richie encontra-se devastado por ter se separado da mulher, e agora está em casa, com seu antigo amigo Ernest (Carrington Vilmont) em uma maratona de drogas e música que dura três dias consecutivos. A cena de abertura é simplesmente fantástica, e mais uma vez Bobby Cannavale demonstra-se um grande ator principal, principalmente pelos seus momentos que envolvem a cocaína, que ficou muito mais evidente neste episódio do que em qualquer outro.

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Além de estar completamente louco pelo uso da droga, por seus olhos estarem sempre vermelhos e lacrimejados, Bobby consegue levar mais realismo a Richie Finestra quando as suas veias do pescoço e os dentes rangidos ficam a mostra e mostram a insanidade carregada pelo personagem. Acredito que, no caso de Richie, não há uma saída das drogas que não envolva uma overdose (dele ou de Kip). Veja bem, Kip é um punk em início de carreira, usando heroína injetada na veia – um dos “estilos” de consumir heroína que mais matavam. Ou Richie sofre uma overdose de cocaína e morre no final da série, ou ele se sensibiliza/assusta-se com a morte de Kip, provavelmente em seu estrelado, e para de ser um usuário corrosivo.

Na American Century, as coisas estão mudando de forma rápida e radical com a chegada de Andy, que em uma sensacional reunião, conseguiu mudar o rumo de coisas muito importantes da gravadora, além de se mostrar conhecida entre todos e muito bem humorada, diferente da Andy que havíamos conhecido em episódios passados. Ela também demonstrou um certo afeto por Zak, e vice-versa, que talvez culmine em algum relacionamento no futuro. Um dos fatores de grande mudança que Andy causou foi a mudança da logo.

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Ernst anteriormente havia falado que Richie estava livre, que ele deveria se libertar de Devon e partir para outras mulheres de seu escritório. Ele faz exatamente isso. Em uma cena muito rápida, Richie, tomado pela cocaína, leva a sua secretária Heather (Emily Tremaine) para o banheiro, onde ambos acabam abrindo espaço para um caso. Richie está demonstrando ser um personagem muito complicado, e suas atitudes são sempre impensáveis e imprudentes. O simples fato de Richie ter pensando em transar com Heather (mesmo dando errado por causa do “coke dick”), já abrem algumas questões sobre a sua verdadeira personalidade. Como será que ele realmente lidará com o fato de um divórcio? Ele ama de verdade a Devon, ou é casado com ela apenas por que ela é mais bonita? Ele realmente se sente feliz quando sóbrio? Essas questões podem gerar conteúdo para uma temporada inteira, mas ver apenas Richie e suas ações impensáveis já estão cansando um pouco.

Devon está se “refugiando” na casa/ateliê de Ingrid (Birgitte Hjort Sørensen), sua antiga amiga e também ex-modelo de Warhol. Em uma excelente cena, Devon ensaia nua para o marido de Ingrid e ambos tem um excelente diálogo que transcendem apenas o que eles estão determinados a falar, abrangendo o relacionamento e a personalidade das pessoas no geral. Devon demonstra estar física e mentalmente abalada com tudo o que está acontecendo, e suas questões sobre seu marido e sobre a regra do não uso de drogas estão devorando-a de fora para dentro.

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Andy acaba trazendo uma ideia que vinha sendo elaborada na sua antiga gravadora – um evento – para a American Century e decide ir, junto de Zak, a um ensaio de Zigg e David Bowie, na intenção de chamá-lo para fazer parte. Noah Bean é o ator que interpreta David Bowie. Suas feições são muito parecidas, ele trabalhou na voz para torná-la o mais parecido possível (e conseguiu) com a de Bowie, e os “trejeitos de palco” do cantor também foram muito bem empregados.

Em um diálogo muito rápido e embaraçoso entre Bowie e Zak, Zak pergunta se o ensaio era para uma tour de Ziggy ou de David e ele responde dizendo que Ziggy está se aposentando. David Bowie vivia praticamente uma vida dupla, pois Ziggy Stardust tornou-se uma celebridade – na época – muito superior a ele. Todo aquele glamour, aquela androgenia de sua persona e a adoração do público o deixaram confuso com relação a Ziggy e a suas performances e então ele decidiu “aposentar-se” – você pode conferir um trecho do extraído do filme “Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” que retrata a última performance de Ziggy clicando aqui.

Por outro lado, os Nasty Bits precisam de um novo guitarrista, e é através de um anúncio especificando “Sem Hippies”, que eles abrem esse espaço. Porém, os hippies aparecem de todos os lados, e isso acabam gerando muita briga entre ambos. Richie e o guitarrista até tentam fazer com que Kip mude de idéia, porém a sua integridade punk discorda e ele sai do local com raiva – e também ameaçado de maneira genial ao melhor estilo Finestra.

Em uma loja de instrumentos musicais, Kip está tocando a sua guitarra. Ele é o guitarrista principal de sua banda, ele é o encarregado de criar os melhores riffs, fazer as jams e abrir espaço para o solo, mas o seu modo de tocar é extremamente punk, apenas poucos e rápidos acordes. Fáceis, também. Mas é nessa loja que ele vê o seu futuro: um guitarrista solo… meio hippie. Seu estilo de tocar é arrepiante, seu solo é muito bem elaborado e rápido, coisa que chama não apenas a atenção de Kip, mas a nossa também. De uma forma muito bem pensada, o guitarrista distrai o vendedor da loja e foge com a guitarra roubada em mãos, Kip vai a atrás e o convida para a banda. Essa é uma coisa que me chamou a atenção, acho que talvez não funcione, pois a banda quer ser uma das precursoras do movimento punk, e no punk não há solos tão longos, na verdade não há nenhum solo praticamente. É algo rápido, energético e cru. O solo é algo que consome a música, que lhe traz uma ênfase maior, que traz a música a imersão e a história que lhe quer passar, porém o punk é algo que vai além disso.

Uma das cenas mais lindas de Vinyl e com certeza a mais bela desse episódio, foi uma das cenas finais: um belo cover de “Life On Mars?” de David Bowie – do álbum Hunky Dory, favorito de Zak – durante o final desastroso do Bar Mitzvah da filha de Zak. O cover é excelente e a cena também. Ele fica focando-se no cantor (Douglas Smith) e em Zak, que está com um olhar decepcionado, emocionado e muito triste. Ele tinha acabado de brigar com Richie, e descontar todos o sentimentos que ele estava guardando – toda a sua raiva e frustração foram descontadas em Richie, que estava extremamente alterado e drogado.

Esta cena é subsequente a uma briga entre Devon (que voltou para casa) e Richie. Ambos discutem sobre várias coisas, e essa também é uma cena excelente, que mostra uma ótima atuação de Olivia e Bobby. Um simples diálogo entristecido e arrependido de Richie que arranca lágrimas de Devon logo se transforma em uma discussão poderosa que evidentemente causa a separação de ambos. O principal motivo dessa briga foi Ernst.

Ernst não aparecida desde o segundo episódio, Yesterday Once More”, e neste passou todo o seu tempo com Richie. Ambos, pelo que percebemos, são grandes amigos. Richie foi o único que conversava com Ernst, os outros o ignoraram durante todo o tempo, sem sequer olhar para o mesmo. Ernst aparecia e desaparecia como bem entendesse, sem dar explicações. Ernst na verdade está morto. Logo após aquela festa particular entre Richie, Devon, Ernst e Ingrid, eles saem no carro de Richie em direção a Coney Island, em direção ao parque Cyclone. Richie estava drogado e não estava prestando atenção na direção, ele fez com o que o seu carro colidisse e Ernst fosse arremessado do carro, morrendo de forma instantânea. Segundo alguns livros espíritas, os espíritos gostam de rondar locais que lhe trazem o prazer, o agrado e que lhe convinham de todas as formas em suas vidas. Ernst estava com Richie por que Richie estava vivendo a vida desregrada de antes, fazendo uma maratona de drogas que durou três dias. Por outro lado, Richie estava mais drogado do que ele já esteve em qualquer outro episódio, sua loucura é muito mais do que visível, sua insanidade e a sua agressividade estão a flor da pele. A overdose é eminente.

O episódio foi excelente, os diálogos foram os maiores chamativos dele, pois foram muito bem construídos em volta de todo o decorrer do episódio e dos personagens. A direção de Nicole Kassell, assemelhou-se, em algumas cenas, com a direção de Scorsese, o que é evidentemente um ponto extremamente positivo e bem vindo. Vinyl tem tudo para melhorar, e se continuar evoluindo a sua narrativa como foi neste episódio, tem tudo para ser uma das melhores produções da HBO, pois os personagens vem crescendo e trazendo cada vez conteúdo para a série.