Viúva Negra: novo filme da Marvel é competente, mas não arrisca

Viúva Negra

Os filmes adiado de 2020 sofrem de um mal que acaba os prejudicando hoje, em suas estreias atrasadas. Postergados devido à pandemia, estes lançamentos possuíam gás e força, perderam boa parte disso com a passagem do tempo, recuperaram um pouco e chegam à estreia cercados de uma expectativa fria. Parece filme velho, mas também é algo novo. Ao decepcionar, estes títulos fazer pensar: “era por isso que aguardávamos antes? era por isso que iríamos ao Cinema”. Viúva Negra está longe de ser ruim, mas assim como Um Lugar Silencioso 2, parece que o hype passou e o que ficou foi apenas uma suposição do que poderia ter sido.

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Sendo o primeiro filme da Marcel em um bom tempo, Viúva Negra tem uma tarefa dificílima. Para começar, é uma história que precisa resgatar o amor e importância do público para com o Universo, principalmente porque o grande clímax já passou. É como se fosse alguém que precisa reanimar a festa depois que esta acabou. Além disso, o longa tem um detalhe ingrato nas mãos: sua protagonista está morta. Qualquer coisa que aconteça perde o impacto e brilho, pois o final já é conhecido. Para completar, a fita com Scarlett Johansson é muito mais real – e consequentemente menos “espetaculosa” – do que Guardiões da Galáxia, Pantera Negra e outras joias da coroa do estúdio.

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Em Viúva Negra, ação e elenco estão afiados

Neste sentido, Viúva Negra é um filme de ação competente, mas que falha em alguns quesitos básicos. Como filme de origem, por exemplo, não serve. Pouquíssimo nos é revelado sobre as viúvas negras e seu cotidiano. Além disso, o passado de Natasha e sua família se resume a uma cena, desperdiçando todo o potencial da ambientação noventista e dos atores Rachel Weisz e David Harbour. Em contrapartida, o roteiro faz um bom trabalho ao destacar Natasha como uma heroína solitária e não como uma figura feliz e totalmente equilibrada.

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Desta forma, Johansson tem a oportunidade de desenvolver a personagem como sempre quis. Sem precisar ser a distração ou a escada para outro personagem, Natasha é a protagonista de sua própria história. E seus coadjuvantes fazem um ótimo trabalho, com Harbour, Weisz e Florence Pugh confortáveis em seus papeis. É uma pena, entretanto, que o filme seja mais uma ação genérica do que um intrigante conto de espionagem.

Viúva Negra diverte, mas não sai do lugar comum

É preciso considerar, entretanto, que a ação funciona e diverte. Cate Shortland faz um bom trabalho no comando das cenas, e suas sequências de luta e perseguição são bem orquestradas. Viúva Negra, aliás, raramente fica parado. Desde a primeira cena a ação é constante, e os momentos jamais tornam-se enfadonhos. Muito disso se dá graças à edição bem amarrada, que dita o ritmo ao longa sem sacrificar seus personagens. Tecnicamente, aliás, o filme se sai muito bem, ainda que alguns efeitos visuais soem artificiais demais, principalmente quando os atores estão em frente a evidentes telas verdes.

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Shortland, entretanto, vacila ao seguir sexualizando a personagem descaradamente. O longa traz os mesmos vícios de outros títulos do estúdio, mesmo comandado por uma mulher. Diversos ângulos são utilizados apenas para focar em partes determinadas do corpo da atriz. Se o objetivo era tornar a personagem mais do que um mero símbolo sexual e/ou de beleza, os realizadores falharam mais uma vez. Neste sentido, Shortland não está muito distante do que Joss Whedon fez em Liga da Justiça, por exemplo, quando trouxe Gal Gadot em diversos planos cujo único objetivo era evidenciar seu corpo.

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Sem arriscar, filme parece deslocado do universo Marvel

Competente, Viúva Negra é o feijão com arroz típico da Marvel. Jogando em circunstâncias seguras, o filme não arrisca nem no roteiro, nem no visual. Perde-se a oportunidade, portanto, de realizar um projeto com mais destaque e personalidade, como Capitã Marvel, que colocou uma importante personagem feminina no centro das atenções. Aqui, embora Natasha seja a protagonista de sua história, a sensação é de que assistimos um filme sobre uma coadjuvante, alguém que, no quadro geral, não fará diferença. É um final agridoce para uma personagem tão bacana no MCU.

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