A segunda temporada de Wandinha já está disponível na Netflix e, além de novas tramas e personagens, um dos maiores destaques são as escolhas musicais que acompanham cada episódio. Assinada pelas supervisoras musicais Jen Malone e Nicole Weisberg, a trilha sonora desta nova leva de episódios é ainda mais ousada, misturando clássicos do rock, ópera, pop coreano e temas góticos — tudo alinhado com a estética sombria e excêntrica da série.
Uma trilha ainda mais ousada e expansiva
Segundo Weisberg, a ideia foi expandir a energia musical da primeira temporada. Isso fica evidente nos contrastes sonoros: enquanto Wandinha (Jenna Ortega) continua fiel ao seu gosto por músicas clássicas melancólicas, os demais personagens ganham faixas que os definem com precisão, seja um tango latino entre Mortícia e Gomez, ou um K-pop vibrante para a explosiva Enid.
Música como narrativa
Para Malone, as canções não são apenas trilha de fundo, mas elementos narrativos. Cada música é escolhida para destacar emoções, desenvolver personagens ou criar ironias visuais. Um exemplo é a clássica “Kiss Me”, de Sixpence None the Richer, tocando durante um assassinato grotesco. Essa justaposição entre melodia suave e cena macabra é marca registrada da série.
Destaques do Episódio 201 – “Here We Woe Again”
A temporada começa com a versão melancólica de “My Favorite Things”, interpretada pelas Lennon Sisters, em uma cena sinistra com Wandinha presa e chorando lágrimas negras. Outra faixa marcante é “Un Mundo Raro”, de Chavela Vargas, evocando heranças culturais latinas e estabelecendo o clima emocional entre Wandinha e sua mãe, Mortícia.
A música “Um Oh Ah Yeh”, do grupo sul-coreano MAMAMOO, surge como hino de Enid, enquanto a poderosa “Dance of the Knights”, de Prokofiev, acompanha Wandinha em uma performance de violoncelo que reforça sua obsessão pela perfeição.
Mortícia, Fester e os duelos musicais
Wandinha também reserva momentos memoráveis para Mortícia, vivida por Catherine Zeta-Jones. Ela canta em dueto com Isadora Capri (Billie Piper) a clássica “Bad Moon Rising”, mostrando a versatilidade das atrizes e aprofundando os vínculos entre as personagens. Já Fester protagoniza uma sequência hilária com “I Want to Know What Love Is” no chuveiro, reforçando seu tom cômico e caótico.
Do clássico ao gótico
A segunda temporada de Wandinha também é um banquete para os fãs de música clássica e gótica. De Verdi a Wagner, passando por Mozart, a trilha resgata peças orquestrais que combinam com o universo atemporal da Família Addams. Destaque para “No Time to Cry”, da banda gótica Sisters of Mercy, usada em uma das cenas de maior tensão da temporada.
O amor (sombrio) está no ar
Na reta final da primeira parte, a música “Scene D’Amour”, de Bernard Herrmann, embala a improvável história de amor entre Tio Fester e a funcionária da cantina. Já a versão instrumental de “Zombie”, do Cranberries, marca uma virada emocional na trama, encerrando o quarto episódio com melancolia e mistério.
A trilha sonora da segunda temporada de Wandinha é um personagem à parte. Cada canção carrega intenções, significados ocultos e ironias sutis que reforçam a narrativa sombria e bem-humorada da série. Com a curadoria precisa de Malone e Weisberg, a música em Wandinha não apenas embala cenas, mas também revela segredos e transforma o bizarro em poesia.