When We Rise – 1×01 – Part 1

Imagem: IndieWire

É com facilidade que a indústria do entretenimento retrata a história da luta pelos direitos civis dos negros desde a época da escravidão. Seja no cinema com Loving, Django LivreNascimento de Uma NaçãoSelma ou na televisão com ambas as versões de RootsUnderground e entre tantos outros. Todavia é raro termos oportunidade de assistirmos uma boa produção da luta pelos direitos da comunidade LGBTQ, diria até que é quase inexistente.

Imagem: Bustle

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Tivemos recentemente o longa Stonewall de Ronald Emmerich que não só envergonhou o movimento, como o próprio cinema. O último que fez jus a história e conseguiu honrar toda a luta foi Milk, vencedor de dois Oscar em 2009. Curiosamente, este último teve o roteiro de Dustin Lance Black, responsável pela criação e roteiro de When We Rise, que é o real motivo de estarmos aqui.

É refrescante ver que a TV aberta americana continua ousada o suficiente para quase derrubar a programação de uma semana inteira, para exibir uma minissérie tão importante para uma sociedade que acaba de eleger uma figura errática para Presidente. Pergunta-se, entretanto, se tal projeto vem apenas para fazer um ato político ou também para passar uma mensagem necessária aos tempos modernos e celebrar a luta de jovens do passado. Diria que When We Rise tem tudo isso e mais um pouco.

Ambientada na São Francisco do início da década de 1970, portanto pós-tumultos e o Stonewall em Nova York, o roteiro traz a proposta de focar em três personagens distintos, mas que, sem nenhuma surpresa, vão se encontrar posteriormente. Um foge da família conservadora em Phoenix à procura de um lugar acolhedor, o outra encontra dificuldades para desagarrar das raízes católicas de Boston enquanto o outro está recém chegado da desastrosa Guerra do Vietnã.

A partir daí temos um trabalho impressionante de construção de personagem, em que o telespectador começa a se sensibilizar com as dificuldades que cada um apresenta na cidade grande, entendendo suas histórias e torcendo para que consigam alcançar seus objetivos. Tal estratégia ajuda compor uma história futura que a própria audiência já conhece, mas que acompanhará com outro olhar ao conhecer a trajetória individual de cada um.

O episódio se torna cansativo em alguns momentos pela mão pesada de Gus Van Sant em estender um arco dramático além do necessário, focando sem e a menor necessidade em um tom que a minissérie claramente não tem. Também não comungo da ideia de trazer o personagem do futuro, narrando acontecimentos do passado, na verdade, por maior que o talento de Guy Pearce seja acredito que When We Rise ganharia muito mais com uma narrativa linear.

Gosto da introdução de pequenos fatos históricos, como o início da campanha de Harvey Milk, a participação do primeiro homossexual, Jim Foster, a falar na Convenção do Partido Democrata em 1972 ou até mesmo a emenda constitucional proposta por George W. Bush para proteger o casamento “sagrado entre um homem e uma mulher”. Ajuda a dar o tom de verossimilhança que a minissérie precisa.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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