When We Rise – 1×02 – Part 2

Imagem: Entertainment Weekly

O primeiro episódio dessa minissérie foi eficiente em diversos aspectos – construção da história, apresentação dos personagens, direcionamento do tom por parte do roteiro e os objetivos que a produção quer alcançar até sua conclusão. Essa segunda parte, entretanto, mostrou o que um bom trabalho de preparação de terreno pode fazer com a narrativa de uma quaisquer projeto.

Imagem: Daily Motion

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Após apresentar sua proposta de uma forma muito clara e direta, When We Rise nos traz, nessa segunda parte, o momento em que o movimento se levanta, entra na política e vai a luta pelos seus direitos. Temos a introdução da história de Harvey Milk de uma forma mais clara, apesar da minissérie ter escolhido seguir com uma ideia estranha de mostrar o ícone sem ao menos colocar um ator para interpretá-lo, as vitórias e derrotas nas eleições locais e, claro, o início da epidemia da AIDS.

Com um sotaque estranhíssimo de Carrie Preston, o elenco voltou a ser um dos grandes destaques. Podemos afirmar sem medo que Jonathan Majors, Emily Skeggs e principalmente Austin P. McKenzie são as primeiras grandes revelações desta televisão em 2017 pela enorme qualidade técnica, presença de cena, uma concentração inabalável e um entendimento preciso das direções do diretor e do excelente roteiro de Dustin Lance Black.

Corrigindo alguns pequenos problemas da premiere, como o excesso de músicas, o roteiro voltou a acertar ao investir na reprodução de cenas verídicas da época para assegurar a verossimilhança e a seriedade de tal história. Foi muito interessante ver a entrevista da então Prefeita de São Francisco Dianne Feinstein, hoje Senadora pelo Estado da Califórnia, anunciando a morte de Harvey Milk e até mesmo os impressionantes debates em rede nacional com religiosos extremistas, médicos antiéticos e políticos sem noção. Afinal de contas, há coisas que parecem nunca mudar, não é mesmo?

Até o momento, podemos afirmar que When We Rise é a mostra de que a ABC está comprometida em voltar a produzir minisséries e telefilmes de qualidade. Dustin Lance Black se afirma não só como um grande nome desta indústria carente de bons profissionais, mas também como uma voz silenciosa, porém certeira que não é de pronunciamentos públicos ou de entrevistas bombásticas, mas que através da arte consegue transmitir sua mensagem, tocar no coração das pessoas e dramatizar uma das passagens mais importantes da luta pelos direitos civis e humanos nos Estados Unidos e no mundo.

Ainda temos dois episódios pela frente e eu já começo a ficar com saudade desses personagens e dessa história. Espero realmente que Hollywood possa olhar para esse trabalho e se inspire para produzir filmes, séries, minisséries, telefilmes e qualquer outra forma de audivisual que realmente empondere a comunidade e conte essa história com decência e respeito.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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