When We Rise – 1×03 – Part 3

Imagem: Entertainment Weekly

Depois de manter um ritmo bom nos dois primeiros episódios, o roteiro nos traz uma verdadeira overdose de informações, passagens históricas e críticas sociais que o telespectador tem que ser perspicaz para entender a acidez de algumas tiradas do texto. Com a esperada passagem no tempo, temos nossos queridos personagens na versão adulta e, curiosamente, lutando as mesmas lutas e fazendo o bom combate de sempre.

Imagem: NewsBusters

Continua após a publicidade

Passando pela epidemia de AIDS dos anos de 1980 e ausência total do governo federal à época, temos a narrativa chegando naquele momento “ou vai ou racha” do movimento durante a administração de Bill Clinton, pressionado para não só acolher a comunidade como também abrir o Partido Democrata para elas, o que não é uma tarefa fácil para alguém que conseguiu eleger-se graças aos votos dos conservadores do sul dos Estados Unidos e tem interesse de ser reeleito com a mesma base.

Guy Pearce é o grande nome dessa nova fase da história. Apesar de trazer alguns cacuetes de trabalhos anteriores, o ator é uma verdadeira força da natureza no que se refere a qualidade da performance e do tom exato que a produção precisava sem ser piegas ou melodramático. Infelizmente Rachel Griffiths não estava no seu melhor momento, ficando completamente apagada por uma Mary-Louise Parker que não víamos desde os tempos áureos de Weeds.

Michael Kenneth Williams é outro ator que temos que prestar um pouco mais de atenção, porque ele não trouxe apenas uma realidade corriqueira de homossexuais negros renegados pela sociedade, como também o péssimo tratamento que veteranos de guerra tem do governo federal desde quando os Estados Unidos entram em guerra, o que não raro. Foi tocante, foi emocionante e trouxe uma sobriedade impressionante quanto a construção de personagem. 

É verdade que o roteiro caiu na armadilha de querer passar mensagens bonitinhas e redondinhas ao telespectador, principalmente na história envolvendo Richard Socarides (interpretado lindamente por Charles Socarides). Nós sabemos que não dá para contrariar uma história real, mas talvez tenha faltando um pouquinho mais de polimento e estrutura na hora de compor algumas cenas.

O que mais me interessou nesse episódio tenha sido a maneira clara e honesta de retratar um país e um partido mudando, em que mesmo criando leis horrendas como Don’t Ask, Don’t Tell (derrubada pelo Presidente Obama em 2011) mostrava apoio e sensibilidade diante de tantas mortes causadas pela AIDS e, mais importante, pela ineficiência do Estado.

Avatar

Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

No comments

Add yours