When We Rise – 1×04 – Part 4

Imagem: Entertainment Weekly

Chegando até o passado recente, When We Rise tem a difícil tarefa de concluir sua missão de uma maneira firme, forte, causando impacto, mas sabendo traçar uma linha muito tênue entre uma mensagem positiva e de esperança de uma moralista, vazia e ativista demais. Felizmente, Dustin Lance Black foi o responsável pelo roteiro e a produção conseguiu trazer tudo o que queria, apesar de alguns furos e cenas açucaradas demais.

Depois da luta pelo reconhecimento, contra a epidemia de AIDS e apoio do governo federal, temos aqui uma das batalhas mais difíceis e recentes que a comunidade enfrentou – a legalização do casamento em todos os cinquenta estados americanos. Para quem acompanhou os telejornais à época, como este que vos escreve, teve a sensação de que história foi feita e que anos lutando o bom combate valeram cada segundo.

Continua após a publicidade

Entretanto, o grande mérito de ver tal trama se desenrolando aqui é a emoção que o roteiro consegue transmitir ao telespectador. É um sentimento que passa longe do piegas, mas acerta em cheio o lado humano da audiência, onde o texto convida-a para se colocar no lugar daquele personagem em particular e sentir a emoção do momento. Posso estar hiperbolizando, mas nunca me senti tão humano e sensível ao acompanhar uma história tão poderosa se desenvolvendo.

Como estudante de direito, esperava que o roteiro focasse mais na trama da Suprema Corte, seja nas sustentações orais, na leitura do resultado do lado de fora do tribunal ou até mesmo no pronunciamento inspirador do então Presidente Obama. Todavia, entendo que o momento favorecia a direção impecável de Gus Van Sant a focar num momento oportuno para focar nos atores e deixá-los brilhar, como foi o caso de Mary Louise-Parker.

Guy Pearce entrega aqui sua melhor performance em muito tempo, tal qual T.R. Knight que mostra que amadureceu muito desde seus tempos bonitinhos de Grey’s Anatomy. É importante lembrar das participações especiais de Henry Czerny, Rob Reiner, Mary McCormack e Phylicia Rashad que ajudaram a iluminar ainda mais essa conclusão impecável.

Se você é daqueles que leu nossas análises para então tomar uma decisão sobre assistir ou não essa minissérie, digo que isso aqui é mais do que um pedaço bem feito de televisão, mas uma parte da história dos Estados Unidos que permanece sendo contada até hoje. Sabemos aque ainda há muita luta para ser feita não só na comunidade LGBT dos Estados Unidos e principalmente no Brasil, mas When We Rise é a motivação que todos precisam para levantar no dia seguinte com esperança. Termino reproduzindo uma síntese da jornalista Jen Chaney da New York Magazine When We Rise sugere que mesmo nos tempos mais obscuros, ainda é possível cavar túneis e, eventualmente, geral luz ao final.

Avatar

Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

No comments

Add yours