X-Men: Apocalipse proporciona nostalgia e boa história para os fãs da saga

X-Men Apocalipse

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Foi em um clima nostálgico que os X-Men retornaram às telas, encerrando sua segunda trilogia cinematográfica e trazendo grandes surpresas. Mesmo com toda a nova cultura de revelar informações importantes em trailers, no intuito de prender a atenção dos fãs, o filme conseguiu surpreender e trabalhar bem a origem da nova geração de mutantes. Em seu quarto filme da saga, Bryan Singer encerra mais um ciclo da história dos mutantes, deixando grande brecha para uma nova era. Complementado com momentos cômicos, na dosagem certa, e referências interessantes ao universo Marvel, o filme teve uma positiva estreia, mesmo que olhos extremamente críticos venham dizer o contrário.

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Há tempos não aproveitava uma sessão de cinema com um sentimento tão nostálgico como o que foi proporcionado pela estreia de ontem. Recordar os grandes momentos de X-Men Evolution, intrinsecamente aderidos ao filme, foi um presente incrível aos fãs da saga. Lembrei das inúmeras vezes em que ficava grudado a TV, pouco antes de ir para a escola, e não responderia ao chamado de almoço enquanto não chegasse o fim do desenho. Toda a ideia de ter Apocalipse como vilão intensifica ainda mais o sentimento, principalmente por ele ter sido o último vilão da saga animada, logo após o anúncio de seu cancelamento.

A qualidade da produção permanece por todo o filme. Logo no início, quando somos apresentados ao primeiro mutante, percebemos cenas de luta incríveis e bem coreografadas, sem a percepção de computação gráfica evidente. Peste, Fome, Guerra e Morte no Egito Antigo não foram tão evidentes quanto eu esperava, mas mesmo por poucos minutos, pudemos perceber suas habilidades incríveis e todo um ideal de adoração e idolatria a seu deus En Sabah Nur. O trabalho realizado a uma temática bíblica, geralmente propõe opiniões diversas aos fãs. A dosagem religiosa abordada foi delicadamente adicionada e suas referências facilmente compreensíveis.

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X Men APocParalelo a esta situação tivemos os cavaleiros atuais, que não me surpreenderam tanto. Com exceção de Erik, os outros seguidores do Apocalipse estavam ali apenas para completar um espaço. Tempestade foi muito pouco abordada, suas habilidades não foram trabalhadas com a intensidade esperada e sua importância no filme foi insignificante. Todo o tramite final para sua participação na equipe é de grande importância para produções futuras, mas irrelevante quando falamos de uma personagem de peso como Ororo. O mesmo foi evidenciado em Psylocke e Arcanjo, personagens que tem qualidade para uma melhor exploração nas cenas, mas que foram utilizados como preenchimento de vagas. E dentro de todo esse grupo de desperdícios, ainda podemos adicionar a querida Jubileu, que nem sequer teve o trabalho de mostrar seus poderes.

Mesmo com algumas falhas tremendas, outros personagens ainda foram bem introduzidos na trama. Dessa lista começamos pelo lado cômico. Em Dias de um Futuro Esquecido, Mercurio ganhou a graça dos fãs com a cena em slow motion que ele salvava seu pai, Magneto, junto a Logan e Charles de tiros disparados contra eles. Desta vez, temos o dobro de comicidade e ainda um pouco de drama familiar adicionado à situação. O personagem é o queridinho da galera, mas teve que dividir espaço com outro grande comediante quando mencionamos X-Men. O Noturno apresentado em Apocalipse difere completamente da imagem séria e sombria da primeira trilogia. Seu casaco à lá Rei do Pop contrasta com sua coloração azulada e permite que ele se destaque em toda e qualquer cena. Aliás, todo trabalho de cores, desde a filmagem à escolha do figurino para este filme foi muito bem feita e representativa aos anos 80-90.

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Uma grande diferença desse filme aos demais da trilogia é o foco aos personagens. Em Primeira Classe e Dias de Um Futuro Esquecido, percebemos uma clara intenção de abordagem a tríade Erik, Charles e Raven. Passamos por diversos momentos da criação do grupo, desde o primeiro contato entre os grandes “amigos” aos problemas e divergências de opiniões entre eles. Já Apocalipse adiciona um foco aos estudantes do instituto. Não tivemos Raven tanto tempo como Mística (possivelmente exigência de Jennifer Lawrence para não ficar azul), Erik teve um plot emocionante no começo, abordando sua tentativa de começar uma família, mas tudo não passou disso para os dois. Neste filme, escolheram trabalhar melhor o crescimento pessoal de grandes conhecidos nossos como Ciclope e Jean, associado ao controle de seus poderes e suas relações interpessoais. O espaço temporal entre o fim deste filme e o começo do primeiro em 2000, possui uma temática curiosa e interessante de se trabalhar, quase como a apresentada na animação X-Men Evolution, quando os alunos ainda estavam aprendendo a dominar seus poderes e trabalhar como equipe.

 

X Men Apocalipse

 

O duelo final foi bem desenvolvido e claramente necessário. Apocalipse seria um vilão de alto risco para um filme inicial ou mediano em uma trilogia, mas a escolha de encerramento casou perfeitamente as vontades do publico. A conexão e duelo mental entre ele e Charles foi intensa, o que nos mostra toda a capacidade do professor, muitas vezes esquecida pelos fãs através de suas limitações. Charles foi uma presença incrível nesta trilogia, mas a surpresa final ficou nas mãos de Jean. Mesmo que por poucos minutos, presenciar cenas da Phoenix foi uma realização pessoal depois de todo o terror apresentado em “O Confronto Final”, ao fim da primeira trilogia. Um rosto já conhecido como o de Sophie Turner, eleva as expectativas muito bem cumpridas acerca da personagem.

 

X Men

 

Como dito no início, estamos em um momento onde a atenção do público deve ser voltada a todo momento para o filme, e por isso, muitas vezes os produtores decidem por entregar o ouro antes da hora. O aparecimento de Wolverine nos trailers dias antes da estreia quebrou um pouco da expectativa durante a cena. Ainda assim, tivemos um Logan incrível, totalmente irracional durante os breves minutos. Nunca fui muito adepto à conexão entre o rapaz e Jean, e depois de ontem percebi que a ideia ainda não saiu da mente dos produtores. Tratando-se de Bryan Singer, espero coisa boa em um próximo filme, contudo, acredito que um envolvimento entre os dois poderia quebrar toda a essência inicial do encontro entre ela e Scott neste longa.

Em geral tenho uma crítica muito favorável ao filme: depois do reboot gerado pelo Dias de um Futuro Esquecido, todos os efeitos gerados por Apocalipse não implicam na história da trilogia inicial, que infelizmente foi descartada da realidade. Digo isso pois, apesar de seus grandes defeitos e da terrível experiência com “O Confronto Final”, a história inicial ainda me cativa bastante. Quando trabalhamos com o universo Marvel devemos ser bastante observadores. Antes de toda a iniciativa Vingadores e sua luta para defender o mundo, observamos a ascensão dos mutantes e a destruição mundial em massa gerada por Apocalipse. Caso a ideia de unificação dos filmes seja concretizada, acredito que pontos como estes possam ser demasiadamente criteriosos para definir o sucesso desse ideal. Trabalhar uma junção sem mencionar fatores já apresentados nos outros filmes funciona quase como um tiro no pé dos produtores. Para grandes fãs de X-Men, como eu, o filme trouxe toda a essência necessária e aguardada a quase dois anos nas telonas. Resta a nós compartilhar emoções e aguardar por mais produções dessa nova era que se inicia para os queridos mutantes.