Taylor Sheridan poderia ter seguido muitos caminhos. Em um universo alternativo, talvez nunca tivesse deixado o Texas para tentar a sorte como ator. Ou, quem sabe, tivesse se tornado roteirista de sucesso no cinema, mas nunca ousado criar para a TV. Felizmente, no nosso mundo, ele fez tudo isso e mais. De coautor de Yellowstone a dono de um dos ranchos mais famosos dos Estados Unidos, Sheridan construiu um império que redefine o gênero western para o público moderno.
Nascido na Carolina do Norte, mas criado entre Fort Worth e a pequena Cranfills Gap, no Texas, Sheridan cresceu com uma ligação especial com o campo. Passava fins de semana e verões montado a cavalo, embora o sustento da família viesse da carreira médica do pai. Durante a juventude, conciliava trabalhos em ranchos com participações em produções teatrais, o que o levou a se mudar para Los Angeles e adotar o nome artístico Taylor Sheridan.
Sua carreira como ator teve início com papéis pequenos em séries como Walker, Texas Ranger e Dr. Quinn, Medicine Woman. Depois de anos no circuito de participações, ganhou destaque como o policial David Hale em Sons of Anarchy. Mas foi justamente a saída dessa série que abriu caminho para seu verdadeiro talento: a escrita.
A virada para o roteiro
Sem experiência formal como roteirista, Sheridan escreveu Sicario (2015), um intenso thriller sobre os cartéis mexicanos, dirigido por Denis Villeneuve. O sucesso foi imediato. Logo depois veio A Qualquer Custo (Hell or High Water, 2016), indicado ao Oscar, e Terra Selvagem (Wind River, 2017), que ele também dirigiu. Essas obras, que ele considera uma trilogia não oficial sobre o Oeste moderno, consolidaram seu estilo: histórias cruas sobre moralidade, família e sobrevivência em ambientes hostis.
O nascimento de Yellowstone
Em 2018, Sheridan e o produtor John Linson lançaram Yellowstone, drama familiar que acompanha a luta da família Dutton — liderada por John Dutton (Kevin Costner) — para manter seu gigantesco rancho em Montana. A série não só inaugurou a fase de produções originais do Paramount Network, como se tornou um fenômeno cultural. Misturando intrigas políticas, conflitos de terra e a estética do faroeste, Yellowstone conquistou milhões de espectadores e abriu caminho para um universo expandido.
O Sheridan-verse: prequels e novas histórias
O sucesso de Yellowstone gerou prequelas igualmente ambiciosas. 1883 apresentou os ancestrais da família Dutton, com Tim McGraw e Faith Hill. Já 1923, estrelada por Harrison Ford e Helen Mirren, ampliou a narrativa para um contexto global, abordando os efeitos da Primeira Guerra Mundial.
Além disso, Sheridan produz outras séries para a Paramount+, como Mayor of Kingstown (com Jeremy Renner) e Tulsa King (com Sylvester Stallone), e prepara novos projetos como Lioness e Land Man.
Do roteiro ao rancho de verdade
Se Yellowstone mostra a vida no campo, Sheridan vive algo parecido fora das telas. Após o sucesso da série, ele adquiriu o lendário Four Sixes Ranch, no Texas — um ícone da criação de cavalos e gado. Com a compra, ele planeja diversificar os negócios, desde venda de carne direto ao consumidor até documentários sobre o rancho.
Um futuro de faroestes e negócios
Hoje, Sheridan é mais que um roteirista: é uma marca. Seu nome está associado a histórias que combinam tradição e modernidade, com personagens complexos e paisagens arrebatadoras. Seja expandindo o universo Yellowstone, explorando novos gêneros ou cuidando de seus ranchos, ele mantém viva a essência do faroeste para o público contemporâneo.
Com a Paramount investindo pesado em suas criações, e com múltiplas produções em andamento, é certo que Taylor Sheridan continuará moldando, por muitos anos, a forma como o cinema e a TV retratam o espírito do Oeste.