Arrependimento? CBS recusou produzir The Good Doctor duas vezes antes da ABC

Imagem: ABC/Divulgação

Daniel Dae Kim estava bem acordado quando, lá pelas 04h da manhã, percebeu que The Good Doctor seria um sucesso pela reação que estava vendo no Twitter. Ele estava na cama no oeste da Bulgária, perto das gravações de Hellboy, filme na qual ele estrela e que será lançado em 2018.

O ator tinha um interesse muito especial por The Good Doctor por ser a primeira vez que trabalha como produtor executivo. Horas depois, quando já estava no set, ele receberia os números oficiais e mais precisos da Nielsen. Então, a série tinha se tornado o drama mais assistido da televisão aberta com média de 17 milhões de telespectadores, mais do que This Is Us e NCIS.

Mas tudo nem sempre foi fácil. Kim descobriu a versão original de The Good Doctor, uma série premiada e de 20 episódios da Coreia do Sul, pouco após a sua estreia em 2013. O ator adquiriu os direitos através da sua produtora, a 3AD, e estava trabalhando na adaptação. Haja vista que estava protagonizando Hawaii Five-0, ele desenvolveu o drama para a CBS – que por sua vez encomendou um roteiro para avaliação. Após análise, a emissora optou por não seguir em frente em produzir um episódio piloto.

Diferentemente de outros produtores, Daniel não abandonou o projeto e comprou os direitos da CBS mais uma vez. Eventualmente ele começou a trabalhar com o braço de televisão da Sony, a Sony Pictures Television, que traria David Shore (criador de House) para ajudar no desenvolvimento. A partir daí os canais da TV aberta começaram a dar mais atenção, com exceção da CBS.

Na verdade, a CBS recusou duas vezes,” diz Kim. “Foi muito infeliz pra mim, porque eles eram o meu estúdio principal. Eu realmente queria que eles tivessem interesse por algo que eu estivesse fazendo,” completa. O relacionamento piorou ainda mais quando, no início de 2017, Daniel e Grace Park deixariam Hawaii Five-o em razão da disparidade salarial paga aos atores, o únicos asio-americanos na produção.

A decisão em produzir The Good Doctor veio a partir de uma mudança de estratégia na programação em 2016, quando os eleitores do miolo dos Estados Unidos (ou seja, aqueles estados que não estão nem na costa leste nem na oeste) ajudaram a eleger Donald Trump o próximo Presidente. A estratégia da ABC seria focada “não só aos telespectadores das costas,” disse Ben Sherwood, o responsável pelo grupo de televisão da Disney e ABC.

Essa alteração de foco também consiste no reboot de Roseanne, comédia que traz uma família “normal” e de classe operária, além do revival de American Idol para dedicar-se a uma competição livre de quaisquer política. “Um dos nossos objetivos era sair um pouquinho do que está dando certo na TV a cabo, com visões obscuras do mundo e anti-heróis,” disse Channing Dungey, Presidente de Entretenimento da ABC que assumiu o posto em 2016. “O que as pessoas estão buscando na TV aberta é algo mais leve e otimista,” completou.

Com essa ideia em mente, os executivos da ABC estavam certos que o Dr. Shaun Murphy, protagonista de The Good Doctor, seria tudo o que os espectadores estavam buscando. É verdade que, de acordo com a Nielsen, a idade média do telespectador do drama é de 58 anos (bem longe do demográfico de público alvo, que vai de 18 a 49 anos), apesar de ser bastante popular entre as adolescentes.

Há muitas séries que trazem visões bastante cínicas do mundo,” diz Kim. “Esse não é um deles. Sabendo de tudo o que eu estava lendo nos jornais e vendo diariamente na televisão, eu senti que essa seria o programa perfeito a fazer um contra ponto com a realidade.

Se The Good Doctor vai continuar sendo o sucesso que é hoje por mais algum tempo, não se sabe, mas vale lembrar que é a série de maior sucesso da ABC numa primeira temporada e na faixa das 22 horas desde quando Desperate Housewives foi lançada em 2004.

E você, está curtindo a história do Dr. Murphy?

Fonte: The New York Times

Comments

comments

About Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.