Crítica: Aias ensaiam virada de jogo nos episódios 2×07 e 2×08 de The Handmaid’s Tale

Imagem: Hulu/Divulgação

Continua após as recomendações

“Homens têm medo de que as mulheres riam deles. Mulheres têm medo de que os homens as matem.”

Após um final estrondoso no episódio 06 da segunda temporada de The Handmaid’s Tale, os fãs ficaram ansiosos para ver quais seriam os rumos a partir dali. Explodir uma bomba, ameaçando a vida de vários líderes, foi no mínimo audacioso.

O público achou que o Comandante Waterford não sobreviveria, mas cá está ele, mais vivo do que nunca. Claro, com sequelas, mas é aquele ditado… Vazo ruim não quebra.

Continua após a publicidade

No episódio “After“, tivemos uma das mais belas fotografias da série. A cena do funeral das 31 aias que morreram no ataque é, no mínimo, emocionante e bela. Os vestidos das Aias, a cerimônia como um todo, e uma hipócrita Tia Lydia dizendo “Eu gostaria de poder lhes dar um mundo sem violência, sem dor. É tudo que sempre quis” foi incrível. Uma combinação interessante para uma cena de grande impacto.

Achei muito interessante a simbologia com os nomes mostrado neste episódio. Seja com June, perguntando pelo verdadeiro nome de Ofglen, ou pela forma como elas foram citadas durante o funeral. “Ofryan, Ofduncan, Ofsomedude…”, e assim elas iam sendo citadas com respeito, tendo as Aias se curvando diante dos caixões.

Continua após a publicidade

Mas outros detalhes se destacaram no episódio: as cenas em que mostram pessoas sendo enforcadas, baleadas ou simplesmente amedrontadas por uma ditadura que repreende e busca qualquer revoltoso do seu governo; além da trama de Moira, que com pouco destaque na temporada teve a chance de brilhar. Sua namorada, a ginecologista que a ajudou durante sua gravidez, acaba morrendo e essa é uma cena impactante. Entretanto, me fez questionar o porque dessa personagem não ter sido sequer citada.

Além disso, vale citar a cena em que algumas Aias são “resgatadas” das Colônias, uma vez que 31 delas foram mortas nos ataques. Elas, assim, “voltam ao jogo”.

Mulheres unidas?

A figura do Comandante Cushing no episódio foi um artifício interessante para a guinada na história das Aias. Se antes houve uma repressão por parte das Aias, June começa a visualizar toda a situação a seu favor.

Instável, a Gilead mostra-se um tanto estremecida. Cushing acaba subestimando Serena que também se aproveita de toda a situação e vira o jogo ao submetê-lo ao Consulado da Lei Divina. Assim, Serena acaba por ensaiar uma “reinvenção” da Gilead, atribuindo à escrita das Leis uma das maiores inferências que o episódio poderia fazer.

Colocar June para “pegar em uma caneta” e revisar o texto, é colocar em pauta os direitos mínimos que foram revogados dessas mulheres. Sem ter planejado essas reviravoltas, o acaso parece a favor de June, que tem praticamente Serena em suas mãos. E isso se mostra bem claro no episódio seguinte.

O trabalho das Mulheres! 

No episódio 2×08 – “Women’s Work”, fica claro como que June manipulou Serena o tempo inteiro. Cheguei até ficar intrigado o quão Serena baixou a guarda sem o Comandante por perto. E June ditou as regras de quase todos os momentos.

Desde quando ela fica sabendo do problema do bebê de Janine, até o momento em que ela confirma a história para sua colega Aia, tudo parece ser premeditado. June conseguiu convencer Serena a aproximar Janine de sua filha, e até mesmo buscar a ajuda de uma renomada obstetra – que agora é uma Martha, passando por cima das ordens do Comandante.

Foi muito emocionante ver a aproximação de Janine à sua bebê, e a “oração” pelo milagre que parecia impossível. Mas de alguma forma, ele veio. Parecia que a bebê precisava do acolhimento de sua mãe biológica, um amor natural que ainda não havia vivenciado – frente ao ódio e linha dura que as famílias da Gilead aplicam. Ao final, com Janine cantando para a filha, tivemos uma das melhores cenas da série.

Afinal, de que lado June ficou?

Mas o papel de June nessa história toda é bem dúbio. E talvez seja essa a intenção dos roteiristas. Jogarem com espectador, a ponto de fazê-los debater sobre as reais intenções de Offred. Ela, ali, exerce um papel de revolucionária, ou está apenas cuidando de si? Porque me parece um tanto inocente acreditar que ela sentiu compaixão por Serena, em algum momento, sendo que ela sabia que tudo isso deveria resultar em um castigo para a esposa do Comandante. Ora, passar por cima de ordens, fazer coisas contraditórias, sendo tudo influenciado por June… Parece meio sarcástico, não?

Imagem: Hulu/Divulgação

A cena do Comandante espancando Serena foi dolorosa, e causou incômodo. E acredito que tenha causado incômodo em June também. Afinal, uma mulher vendo outra ser espancada e não sentir compaixão, só sendo um robô… Mas na cena em que Serena chora no quarto, e Offred vai atrás para tentar lhe acalmar é a mais intrigante de todas. June parece ter compaixão, ao mesmo passo que na sequência dá um olhar enigmático, como de quem está apenas recebendo o que devia.

Seria muito frio da parte de June sentir isso? Afinal, o que Serena passou naquele instante não era nada perto do que Offred passou. Então esse olhar é justamente duvidoso por conta disso. E, logo em seguida, temos June se desculpando com o Comandante. “Você me perdoa?”. Isso pra mim foi a certeza que June jogou o tempo todo, com todos, e sua missão é mesmo desestabilizar o teto dos Waterford.

Continua após a publicidade

Mas uma coisa é bem claro para mim: ela tem consciência de que pode influenciar aquele ambiente, e usará isso como uma arma para se ver livre daquela ditadura.

Ansioso para ver os rumos disso tudo!

Leia mais: The Handmaid’s Tale se reencontra e mantém o ritmo nos episódios 05 e 06 da 2ª temporada

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Criador, editor e redator do site Mix de Séries, é apaixonado por séries desde sempre. Fã incondicional de One Tree Hill, ER, Friends, e não perde um episódio da Franquia Chicago.

No comments

Add yours