As novidades da Netflix de 01/03 a 15/03: o que vale a pena (ou não) assistir

Depois de um fevereiro calmo, de poucos lançamentos, a Netflix retoma as forças com diversas novidades em março. Dentre os lançamentos temos novas temporadas de alguns sucessos, estreias, animação e o retorno de uma produção original. Não sabe o que assistir? Fique tranquilo e acompanhe nosso guia.

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Nos bastidores de um tempo evangélico, ocorre muito mais do que podemos imaginar. Na doutrina da família Greenleaf, a riqueza é um dos principais objetivos. Mas o caminho para atingir tal riqueza nem sempre é o ideal. Com investigações se iniciando nas entranhas da igreja e com a morte de um membro da família, a vida dos Greenleaf é virada de cabeça para baixo. Segunda temporada já confirmada.

Um dos pontos interessantes em Greenleaf é que a pouca visibilidade da sua emissora não compromete a sua qualidade, muito pelo contrário, tem muito “draminha” de TV aberta que nem se compara à série. O programa trata de temas pesados e polêmicos como pedofilia, estupro e a repreensão da homossexualidade e apesar de, pelo menos nessa primeira temporada, existir uma abordagem mais reflexiva sobre esses assuntos, a série cumpre seu papel de contar essas histórias. Com elenco talentoso, Greenleaf já tem segunda temporada garantida.

A ideia é absurda: Wynonna é descendente de Wyatt Earp, o famoso atirador do oeste. Anos depois, o sangue aventureiro ainda corre na família, e a jovem é uma agente federal que trabalha em um grupo criado para matar seres sobrenaturais. Some a isso uma maldição na família Earp e você tem essa série, já renovada para um segundo ano.

A ideia de um faroeste moderno sobrenatural é convidativa, mas não é nova. A reciclagem, contudo, nem é o que mais incomoda na série canadense Wynonna Earp. A qualidade baixíssima também poderia não incomodar, mas o problema é que o programa se leva a série demais. Séries como Ash vs. Evil Dead, por exemplo, tem qualidade propositalmente baixa, reconhece isso e não se leva nem um pouco a sério. Earp vai pelo caminho oposto e acha que está fazendo algo relevante ou digno de audiência. A resposta nos Estados Unidos foi dura, e o show penou para passar do meio milhão de espectadores. Como a série fez burburinho na web, contudo, foi renovada para uma segunda temporada. Esqueceram de verificar se o tal burburinho era positivo…

Com o sucesso dos Guardiões no cinema, não demorou para que os produtores achassem uma forma de manter a chama acessa e ganhar mais uns milhões. Na animação da Marvel, acompanhamos o grupo de desajustados em vários trabalhos pela galáxia, reencontrando personagens do filme e conhecendo novos e importantes nomes.

Falta à animação a irreverência do longa-metragem, mas isso não compromete o interessante resultado final. De qualidade técnica inquestionável, Guardiões da Galáxia traz uma bela animação, de traços realmente elogiáveis, principalmente em um momento onde a qualidade gráfica das animações não é tão respeitada na TV. O desligamento das tramas da série com relação ao filme ou ao Universo Marvel pode incomodar, mas os fãs irão adorar as participações de diversos personagens conhecidos do cinema e das HQs. É uma experiência diferente, mas que vale a pena para os fãs e para quem busca entretenimento rápido e leve.

Com uma fanbase consolidada, embora não muito grande, Killjoys tenta fazer comentários políticos e sociais através de muita ficção científica. Na trama, três caçadores de recompensas atuam em uma sociedade formada por um planeta e três luas, uma diferente da outra. As regras que definem a profissão dos killjoys são rigorosas, mas nem sempre podem ser seguidas.

Vinda do Canadá e feita para ser um verdadeiro guilty pleasure para os fãs de sci-fy, Killjoys se autointitula “estraga-prazeres”, mas apresenta um resultado extremamente divertido. Produzida e estrelada por mulheres, Killjoys tem seus defeitos, mas depois que acerta o ritmo, esse procedural meio western do espaço chega à Netflix mostrando que fazer TV sem se levar tão a sério pode ter um ótimo resultado.

Depois de muitos confrontos e tragédias, a vida parece ter acalmado para os sobreviventes. Com mais cenários e personagens para explorar, a terceira temporada de The 100 aumenta o escopo e divide as atenções em mais tribos e subtramas.

The 100 é a típica série subestimada da CW que é elogiada pela crítica, possui público fiel e mesmo assim parece estar fora do radar. Ela não gera a mesma comoção que outras séries do gênero, mas com sua presença na Netflix as coisas podem mudar. Com ótima fotografia, bons efeitos visuais e um elenco jovem competente, The 100 tem uma pegada novelesca que pode afastar o público, mas a trama e as boas cenas de ação podem compensar. No terceiro ano, os roteiristas aumentam – literalmente – o terreno, dando um passo adiante em vários níveis. Na Netflix é possível encontrar os três primeiros anos na íntegra.

Depois de abrir o coração, Rachel dá uma guinada na nova vida na ensolarada cidadezinha onde escolher viver. Sua saga de amor e problemas com Josh continua na segunda temporada. Para quem não está habituado à trama: Rachel sai de uma vida estabilizada em Nova York para seguir o coração em outro lugar, tudo porque descobriu que o antigo amor de adolescência mora lá.

Crazy Ex-Girlfriend é muito boa, mas sofre do clássico mal dos musicais e comédias: o interesse se esvai mais cedo ou mais tarde. O fato é que é preciso muita força de vontade dos roteiristas e dos espectadores para acompanhar um musical na TV, principalmente no formato proposto de Crazy: episódios de uma hora são cansativos para o gênero, e não sustentam nem o humor nem a parte musical. Ainda assim, vale a pena dar uma chance à série que, acima de tudo, tenta agradar com um fiapo de roteiro.

Depois de idas e vindas, Mickey e Gus tentam levar a vida adiante, fazendo o relacionamento dar certo. No segundo ano, os personagens coadjuvantes seguem com grande espaço, e o relacionamento do casal é aprofundado, nos revelando novas facetas da dupla.

A primeira temporada de Love está perto do impecável. Ágil, ácida e absurdamente humana, a comédia original da Netflix surpreendeu e, infelizmente, não despertou a atenção que merecia, ao menos nas redes e entre os veículos especializados. Em sua segunda temporada, Love volta igual, mas diferente. É difícil conceber tal feito, mas a verdade é que a série retornou num novo ritmo, em um cenário diferente: Mickey e Gus estão juntos e tentam levar um relacionamento sério adiante. Saem, então, as constantes idas e vindas da primeira temporada. O engraçado, felizmente, é que os roteiristas seguem com a mesma irreverência, só que agora tratando do relacionamento e não do ato de “conhecer e se apaixonar”. Love prova, mais do que nunca, ser uma série sobre o nada e ao mesmo tempo sobre tudo. Há capítulos onde os personagens apenas vão ao shopping ou passam o dia passeando. No fim, há muito mais nisso do que em longas cenas de ação ou suspense.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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