Autópsia: A perfeita despedida para Parks and Recreation

Parks 2

Na última terça-feira, uma das melhores comédias da atualidade nos deixou por definitivo, levando consigo personagens cativantes, bordões e situações inesquecíveis e piadas internas que nós, fãs, lavaremos para o resto da vida.

Parks and Recreation a princípio seria concebida como uma espécie de spin-off da versão americana de The Office, mas felizmente optaram por criar um universo completamente distinto (mantendo apenas o estilo mockumentary), o que acabou resultando em mais uma das comédias mais significativas que conhecemos. A série esteve no ar durante sete temporadas, que nos trouxeram seus personagens perfeitamente bem construídos em situações de uma criatividade cômica invejável, sem apelações, sem nenhuma queda de qualidade muito notável e com sua impressionante capacidade de produzir o que podemos chamar de souvenirs da série, ou seja, aquele detalhe, seja uma frase, um objeto, uma situação, que sempre nos trará lembranças dela. Li’l Sebastian, Burt Macklin, Johnny Karate, Mouse Rat, Swanson Pyramid of Greatness, waffles, calzones, meat tornado, “give me all the bacon and eggs you have”, Cones of Dunshire, Entertainment 720, Rent a Swag, Treat Yo Self, enfim, eu poderia passar um dia inteiro citando. E se essa não é uma descrição de uma comédia notável, marcante, digna das melhores posições de qualquer ranking de séries do gênero, eu não sei qual é.

Há quem diga que a série teve uma primeira temporada fraca, mas eu não concordo. Parks me conquistou logo de cara, logo no piloto que alegam ser tão sem graça, e imediatamente eu me apeguei aos personagens. Talvez aconteceu por essa ter isso a primeira comédia que eu vi sem aquelas risadas de fundo, mas eu já revi algumas vezes e devo dizer que a graça só aumenta. Quando, ao final do piloto, Leslie, toda quebrada por ter caído no famosa buraco que protagonizou o início da série, recuperou o ânimo para perguntar, em toda sua infantilidade: “ooh, are pancakes being made?”, eu soube que aquela seria a minha comédia preferida, depois da insuperável Friends. E depois essa convicção só cresceu e, claro, permaneceu.

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Parks

Apesar de todas as qualidades, acredito que o que definiu o sucesso de Parks foram os personagens. Se eu fosse rankear meus personagens preferidos de séries de comédia, as primeiras posições seriam todas ocupadas pelo pessoal de Parks. Ron Swanson é a personificação do personagem cômico perfeito. Sem exageros, sem nenhum esforço para ser engraçado, ele apenas o é, por ter uma das personalidades mais peculiares e admiráveis, por ter a melhor e mais rara risada já vista e por nunca ter aberto mão de suas convicções e do seu jeito de ser durante todo esse tempo. Andy com sua inocência e infantilidade até invejáveis, April perfeitamente apática, com seus quotes que eu já adotei pra vida… Leslie eu nem vou me arriscar a descrever, porque o que quer que eu dissesse não lhe faria justiça. Mesmo não sendo a minha preferida, já que às vezes foi um tanto vergonha alheia demais, é uma das protagonistas mais admiráveis que eu já tive o prazer de acompanhar, nos ensinando, inclusive, do que o feminismo realmente se trata, porque sim, Parks é uma comédia diferenciada a esse ponto, nos apresentando assuntos de tal seriedade de maneira extremamente competente, sabendo adequar o humor sem diminuir a importância da causa retratada.

Vou me adiantar para a temporada final para não estender ainda mais essa sofrida despedida. Devo dizer que fiquei um tanto desanimada quando descobri que a temporada teria apenas um pouco mais de um mês de duração. Achei que a pressa impediria que se fizesse uma farewell season digna de tudo que Parks representou, mas me enganei. A temporada foi um grande desfecho. Cada episódio foi uma forma de dar aquela sensação de conclusão perfeita para cada um dos núcleos, nos presenteando com episódios lindos como aquele de Leslie e Ron, os melhores “work proximity associates” já vistos, com Jerry/Larry/Gary/Tery se tornando prefeito, o amadurecimento de April e Andy, todas as realizações pessoais e profissionais merecidas de Leslie e Ben, enfim, tudo foi perfeitamente arquitetado para que sentíssemos, ao lado da saudade, a sensação de que acabou quando e como deveria ter acabado, ou seja, uma satisfação para aliviar um pouco a tristeza, e o episódio final só veio para coroar tudo isso. Tivemos até Ann e Chris de volta. Tivemos aqueles flashforward para nos dar a mais sólida conclusão possível, tornando tudo ainda faz satisfatório e superável. A série ganhou a despedida perfeita que tanta merecia.

E o que nos conforta é que sempre teremos aqueles personagens, aquelas cenas impagáveis, aqueles momentos mais marcantes para revisitarmos sempre que tivermos vontade. Gostaria de poder citar os principais aqui, mas me vêm tantos à mente que é impossível organizar e selecionar o que quer que seja, então vou deixar isso a cargo de quem estiver lendo e que provavelmente tem suas próprias lembranças, porque a série nos proporcionou material suficiente para termos opiniões distintas quanto aos seus melhores momentos. E é isso. Só o que resta dizer agora, e vou me permitir parafrasear a melhor música da melhor banda fictícia de todos tempos para isso, é: “bye, bye, Parks and Recreation, we’ll miss you in the saddest fashion”.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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