Autópsia: CSI: Crime Scene Investigation e sua revolução na TV americana

csi

 

No último domingo, 27 de setembro, nos despedimos de um ícone da TV mundial. CSI: Crime Scene Investigation resolveu seu último caso e se aposentou das telinhas. Depois de 15 temporadas, demos adeus à uma das maiores séries procedurais.

Criada em 2000 por Anthony E. Zuiker, CSI conta a história de um laboratório criminal da polícia de Las Vegas (Nerd Squad) e a forma que os peritos usavam a ciência pra desvendar crimes de toda e qualquer natureza. Tendo em seu elenco nomes como William Petersen (To Live and Die in LA), Marg Helgenberger (Erin Brockovich, Under The Dome), Jorja Fox (ER, The West Wing), a série acabou criando um legado que jamais outra série procedural vai atingir. CSI foi a primeira produção americana que mostrou a morte de uma forma peculiar. Não foi através de investigação e julgamento, como em Law & Order e Law & Order Criminal Intent, nem pelo prisma dos policiais, como em NYPD Blue. Focando na Ciência, de como o criminoso forjou uma digital, até a direcionalidade de um disparo, Zuiker conseguiu conquistar uma legião de fãs ao redor do globo. CSI é uma das séries mais vistas do mundo, chegando a ter quase 65 milhões de telespectadores em 2011.

Continua após a publicidade

Assim como em qualquer outra série do estilo, CSI teve uma enorme gama de episódios com as mais variadas formas de morte, da mais bizarra até a mais triste. Ficamos tão envolvidos em saber que tipo de arma o assassino usou – Glock ou Smith & Wesson? -, de que forma ele tentou esconder evidências do crime, e como ele foi tão burro em não esconder. Vimos serial killers aterrorizando nossos personagens preferidos (sdds Paul Millander, The Miniature Killer, Dr. Jekyll). Tivemos a chance de ver um episódio desta série escrito e dirigido por ninguém mais, ninguém menos que Quentin Tarantino (e de longe, é o melhor episódio EVER da série). Também tivemos a chance de ver uma produção tão bem feita, com uma continuidade de dar inveja às séries do ramo.

A produção da série foi tão bem-feita, que é ganhadora de seis Emmy Awards, seis Festivais de Televisão de Monte Carlo e quatro People’s Choice Awards, sem contar nas inúmeras indicações ao Golden Globe.

Jamais imaginaríamos que ela duraria longínquos 15 anos. 337 episódios, e várias equipes de peritos passaram até a series finale especial, um telefilme de duas horas, que garantiu pelo menos aos fãs, um final digno à uma das mais icônicas e emblemáticas séries do mundo.

 

 

O destino dos personagens se cruzou com a necessidade de se encerrar a série dignamente, já que, por conta da audiência, a CBS acabou cancelando-a. Como terminar a série sem ter a volta de Grissom ao laboratório, sem ter Catherine Willows novamente divando nos corredores, e principalmente, como não ter um dos primeiros shipps de todo o mundo junto novamente para um final together forever?

A series finale girou em torno de um atentado dentro do Eclipse, cassino que pertencia à Sam Braun, e que agora pertence a Catherine Willows. Esse atentado com bomba que mata várias pessoas está intimamente ligado a figura de Lady Heather, e por isso que Grissom retorna. Tendo um passado intelectual com a ex-dominatrix, Grissom retorna para tentar entender o porquê da ligação de Heather com o atentado. No episódio tivemos a maravilhosa chance de ver Sara ainda bem na defensiva com relação ao ex-marido, e a luta dos dois para se tornar o mais profissional possível com a presença de Heather. Ao longo do episódio, nossos personagens preferidos vão dando adeus à gente da melhor forma possível: investigando um caso especialmente diferente e tendo como possível suspeita uma pessoa que a maioria conhece.

Apesar da ausência de alguns personagens significativos (O ator George Eads, intérprete de Nick Stokes, não quis participar do telefilme, por diferenças com a produção, e Gary Dourdan, o Warrick Brown, nem foi cogitado a aparecer, por conta de seu problema contínuo com drogas), tivemos a chance de rever a equipe completa, de certa forma, com a aparição de Petersen, Helgenberger e Paul Guilfoyle (Jim Brass). E pasmem vocês, até Lady Heather Kessler (Melinda Clarke) deu o ar da graça no final!

Alguns diriam que o telefilme não serviria para encerrar 15 anos de sucessos e fracassos. E não serve mesmo. Nada vai encerrar algo que vai render bastante ainda. Não há telefilme, episódio especial ou cena mais cara da história da TV mundial que vá encerrar um legado tão bacana quanto o de CSI. Não há palavras para descrever o sentimento de muitos, eu incluída, em marcar o último episódio da série, e perceber que todos os domingos, a partir de agora, não teremos mais The Who com sua também icônica “Who Are You?, não teremos episódios novos, mortes estranhas, novos métodos de investigação, pessoas enterradas, jogadas embaixo de carros no deserto, e sendo dissimuladas.

Mas como diria o próprio Gil Grissom, “eu não confio nas pessoas, elas podem mentir. As evidências nunca mentem. Então, siga as evidências.”

Obrigado por me introduzir ao mundo das séries, CSI. Você fará falta, mas sempre estará na lembrança de todos!

Ana Maria de Oliveira

Ana Maria de Oliveira

Jornalista e uma decepção como digital influencer e youtuber. Desde 1993 sendo trouxa e shippando quem não deve. Aqui no Mix de Séries é editora e tradutora de notícias e escreve reviews de The Last Ship e The Rookie.

1 comment

Add yours
  1. Avatar
    Vanessa Oliveira 2 outubro, 2015 at 11:25 Responder

    A série que mudou minha vida e significou tanto chegou ao seu fim e ainda minha ficha não caiu que tudo terminou. Excelente post!

Post a new comment