Better Call Saul – 1×04 – Hero

Better Call Saul 1x04

 

Upon this rock, I will build my church.

Jimmy é simplesmente genial, temos que reconhecer. Quando achamos que não podemos mais ser surpreendidos por sua criatividade, ela está lá, por trás daquela situação que nos parecia mais verídica. O fato é que o personagem é perfeitamente bem construído, nos permitindo sentir junto com ele o conflito entre fazer o que é certo e manter a consciência limpa, ou fazer o possível para melhorar de vida. Prova disso foi quando Betsy tentou suborná-lo para que ele não contasse sobre o dinheiro. Seu primeiro instinto foi recusar. O segundo foi tentar atribuir àquilo uma justificativa, como se ele o tivesse ganho honestamente. A cena dele no escritório, sozinho, tentando convencer a si mesmo que o dinheiro foi uma recompensa justa por seu trabalho, tipo, pagando a si mesmo 950 dólares por hora, foi a perfeita definição do caráter de Jimmy, que vaga entre um deturpado conceito de honestidade e uma “esperteza” sem escrúpulos para atingir seus objetivos.

Parece que será padrão os episódios começarem com um flashback de Jimmy antes de se tornar advogado e isso tem sido bastante esclarecedor para entendermos como ele chegou até aqui e como sua peculiar personalidade foi desenvolvida. Nesse percebemos que essa criatividade não é de hoje, mas que ele já a usava muito antes, em seu potencial máximo, para descolar dinheiro desonestamente. Toda a minha admiração para Jimmy por aquele plano da carteira e do relógio. Se ele tivesse concentrado, antes na carreira, toda essa sagacidade e capacidade infalível de planejamento, ela já teria alavancado há muito tempo. Mas o melhor desse flashback e de todo o episódio, talvez de toda a série (ok, não é para tanto), foi a revelação da origem do nome Saul Goodman, que é, vejam só: “is all good, man”, que quando dito rapidamente, soa quase que exatamente como o nome, tanto que eu até estranhei ninguém ter pensado nisso antes. Genial. E bem típico, devo dizer, tanto do personagem quanto de quem está por trás dele e da série.

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Aquele plano do homem desmaiado no beco, com a carteira cheia e à disposição, foi tão bem pensado e executado, que dificilmente poderíamos prever que algo ainda melhor estaria por vir, nem mesmo no restante da série, quanto mais no próprio episódio. Mas lá estava ele, com o plano do outdoor todo arquitetado provavelmente no instante em que colocou as mãos no dinheiro. Todo aquele trabalho para copiar o antigo sócio de seu irmão foi só um aperitivo para o que viria depois, que foi a bem-sucedida armação para se fazer passar por herói e, com isso, já nos aproximamos mais do Saul que conhecemos em Breaking Bad. Detalhe para Kim, que claramente tem uma grande e inexplicável “queda” por Jimmy. Não sei qual é o atrativo ali, mas não estou aqui para julgar as preferências amorosas das pessoas.

E por fim, temos Chuck e sua hipersensibilidade eletromagnética, ou algo do tipo, que ainda está para ser explicada, assim como muita coisa do relacionamento dos dois. E é isso o que mais tem para ser desenvolvido na série: a vida pessoal de Jimmy. O passado está sendo explicado aos poucos nos flashbacks, assim como o seu relacionamento com o irmão, e agora temos Kim. Quanto à vida profissional, já começamos a ter uma noção melhor, ao saber que o que deu início à transformação de sua carreira de um tremendo fracasso para toda a popularidade de sua firma Better Call Saul, foi o suborno de Betsy e, posteriormente, a genial armação de Jimmy para salvar o cara que estava removendo seu próprio outdoor plagiado e com quem ele já tinha combinado a situação toda. Coisas que só vemos em Better Call Saul. E a série vem se provando cada vez mais original e promissora. Se seguir os passos de sua antecessora e começar a melhorar conforme as temporadas, será uma maravilha.

People love a hero.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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