Daredevil – 1×03 – Rabbit in a Snow Storm

Demolidor episódio 3

Imagem: Arquivo pessoal

Desde o primeiro episódio, algo tem ficado claro: Daredevil funciona como procedural (algo como The Good Wife) e como um drama denso e violento, baseado no desenvolvimento de um personagem (The Sopranos, por exemplo). Quaisquer que sejam as apostas da série, o acerto é quase inevitável. O cuidado com que as peças vão se organizando é impressionante. Neste terceiro episódio, as coisas seguem calmas, mas interessantes. Rabbit in a Snow Storm serve para mostrar Matt e Foggy, juntos, em ação como advogados. Além disso, o episódio é eficiente por aproximar Matt/Demolidor do universo sombrio comandado por Wilson Fisk.

O nome de Fisk, aliás, é ouvido pela primeira vez por Matt, que ainda não conhece o sujeito. Tudo indica, porém, que os dois irão se encontrar em breve. Isso porque, felizmente, Matt/Demolidor é um personagem inteligente. Enquanto alguns heróis – que enxergam – esperam os vilões caírem em seus colos, Matt já está atento a tudo o que acontece ao seu redor. O tic-tac do relógio que é um alerta, os batimentos acelerados que lhe contam a verdade; Matt é um personagem que usa tudo o que pode para descobrir o que quer. Assim, ser advogado muitas vezes lhe coloca no olho do tornado, como visto neste terceiro capítulo.

demolidor rabbit storm

Imagem: Arquivo pessoal

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Dois personagens importantíssimos foram apresentados neste episódio e um ficou de fora: quem não apareceu foi Claire, que tirou folga no inglório serviço de enfermeira de herói amador. O primeiro personagem relevante que foi apresentado é o repórter Ben Urich. Depois de passar anos tentando ser justo e buscando justiça em Hell’s Kitchen, Urich foi fadado ao esquecimento, às pautas frias de um jornal descaracterizado. Mas a Cozinha do Inferno sempre tem algo que merece ganhar as páginas dos jornais, e o repórter pode prestar grande ajuda ao Demolidor. Ainda que não mantenha contato com Matt, Urich pode ser um dos maiores e melhores personagens da série.

Mas a grande revelação do episódio é, claro, Wilson Fisk. Visto pela primeira vez de costas, contemplando uma obra de arte abstrata, Fisk é apenas um homem. Nada de tentáculos, pele escamosa e outras características. E a escolha de Vincent D’Onofrio para o papel é excelente (mais sobre a presença e a atuação do ator na próxima review, fique de olho!). Seu Rei do Crime não é obeso, mas forte, de grande porte. Nenhum vestígio do lado caricatural do Rei do Crime de Michael Clarke Duncan, do filme homônimo. A primeira cena, com o personagem contemplando uma imagem aparentemente sem sentido, já mostra o que podemos esperar do Rei do Crime: nem preto, nem branco, mas tons de cinza que não dizem com certeza quem é mocinho ou quem é vilão. No inferno, afinal, todos são pecadores.

Constatação 1: Não comentarei o “caso” defendido por Matt e Foggy porque este não foi o objetivo do episódio. O que importava aqui era a ligação do Demolidor com o mundo de Fisk. Não posso deixar de citar, porém, o belo discurso de Matt durante o julgamento.

Constatação 2: A religião do personagem segue sendo mostrada. O interessante dessa semana é que o padre que ouve as confissões de Matt parece muito querer ter uma conversa. Este padre, afinal, pode ter conhecido a mãe de Matt, que, nos quadrinhos, era uma freira.

Constatação 3: Atrás da mesa de Urich, podemos ver a capa da edição especial do jornal sobre a Batalha de Nova York, referência clara a Vingadores.

Constatação 4: O desenvolvimento sensível e cuidadoso dos personagens é o que há de melhor em qualquer história: Page tem o seu próprio núcleo se desenvolvendo, Urich tem seus próprios problemas. É ótimo que a série não se atenha apenas ao protagonista. Estou sentindo falta apenas de um episódio voltado mais para Nelson.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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