Das páginas policiais para a TV: o crime que inspirou Felizes Para Sempre?

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Contar histórias curtas tornou-se um hábito bem sucedido para a maior emissora de TV aberta brasileira, que vem apostando cada vez mais em mini e macrosséries. Já faz tempo que minisséries com mais de uma dúzia de episódios não chamam tanta atenção como as produções menores. A escolha se mostra acertada. Cada história precisa do seu tempo certo para ser contada, e na maioria dos casos, menos é mais.

Felizes Para Sempre? estreou em 26 de janeiro, ocupando a faixa das 23h na Rede Globo. Com dez episódios, o programa se desenvolve a partir de cinco casais com problemas conjugais. O foco, porém, é no relacionamento infeliz de Marília e Claudio, interpretados por Maria Fernanda Cândido e Enrique Díaz, respectivamente. A relação entra em uma etapa perigosa, com a entrada da garota de programa de luxo Denise (Paolla Oliveira), que atende por Danny Bond.

Com direção geral de Fernando Meirelles, Felizes tem roteiro de Euclydes Marinho, que escreveu Quem Ama Não Mata (1982), obra que inspirou a atual produção da O2 Filmes. Segundo o próprio autor, a versão contemporânea não é um remake, mas uma releitura. “Como Quem Ama Não Mata foi uma história muito bem sucedida, resolvi reescrever à luz do século 21”, contou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo. Tanto é que existem poucas semelhanças com o material original. O escritor trouxe a trama central para uma nova realidade, com situações distintas.

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A minissérie é um interessante caso com inspiração direta na vida real. Assim como outros shows globais já fizeram, vide As Noivas de Copacabana e Amores Roubados, Euclydes Marinho se baseou em uma história que foi notícia no final do ano de 1976. O polêmico caso da socialite mineira assassinada pelo marido Doca Street. A intenção era levar para a ficção o específico caso de um casal infeliz que terminou em morte, desenvolvendo as relações e eventuais motivações de forma plausível para a telinha.

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Na realidade, o empresário Raul “Doca” Fernandes do Amaral Street matou a esposa Ângela Diniz a tiros em um balneário de Búzios, no Rio de Janeiro, em 30 de dezembro de 1976. Condenado a dois anos de cadeia, ele ganhou o direito de cumprir pena em liberdade. A tese de defesa era categórica ao dizer que ele matou por amor, em legítima defesa. Um novo julgamento foi feito em 1981, quando foi condenado a 15 anos de prisão.

Amplamente divulgado não apenas na mídia impressa, o julgamento durou 20 horas e parte foi acompanhado ao vivo pela TV, assumindo a programação por horas. A Rede Globo preparou até mesmo um Globo Repórter especial inteiramente sobre crime que pode ser encontrado para assistir online no acervo virtual da emissora.

No livro Mea Culpa, lançado pela Editora Planeta, Doca Street relata sua versão da história de forma bem aprofundada. O interessante é que para chegar na resolução e motivação do crime em questão, ele conta em detalhes o relacionamento com a esposa e contextualiza bem a época em que aconteceu. A publicação, que não tem ligação com as minisséries, segue como um estudo detalhado do caso e para entender o que se passa na cabeça de pessoas que, assim como qualquer ser humano, tem problemas conjugais, mas que como nem todo mundo, perde a razão com facilidade.

Equipe Mix

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