House of Cards – 3×11 – Capítulo 37

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Imagem: Arquivo pessoal

A melhor análise que já me apontaram da segunda temporada de House of Cards é a comparação do crescimento político de Frank (Kevin Spacey) com a perda de sua humanidade; quanto mais sacrifícios ele fazia, menos humano em suas pequenas ações ele se tornava. Sem mais costelinhas, sem mais cigarros na janela, sem mais amantes ocasionais. Da mesma forma que isso foi necessário para sua assunção, agora é inversamente proporcional a sua permanência: a terceira temporada é sobre Frank tentar resgatar seu lado mortal para as câmeras, o que está sendo ainda mais difícil.

Em um episódio de bastidores e busca de votos, a distração de Remy (Mahershala Ali) começa a fazer efeito, assim como a eterna falta de confiança de Jackie (Molly Parker), que cansa não só o presidente como também todos nós. Não por ela estar errada ou algo assim, mas pelo desespero da sua indecisão entre pular ou não na lama. Os aliados de Underwood não acreditam mais nele, e acabam deslumbrados com as investidas inimigas. Para Frank, também, falta o extinto de farejar a bomba antes dela explodir.

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Imagem: Arquivo pessoal

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O episódio é bem escrito, com atuações coerentes e momentos chaves para a história, como o debate. Durante todo o tempo em que os candidatos discutem, ficamos com um frio na barriga, aquele pequeno presságio que ocorre quando tem muito em jogo e alguma coisa sempre dá errado. Nesse ponto, foi interessante ver Jackie resgatar seu impulso militar e se comportar como o melhor soldado treinado que o presidente poderia pedir.

Dunbar (Elizabeth Marvel), por sua vez, é a perfeita inimiga de Frank, justamente por ser seu oposto. Coração, mente e fibra – e talvez isso, fibra, seja a única coisa que eles tenham em comum. Em um episódio tão político, porém, a parte mais bonita e emblemática ainda ficou com Claire. A atuação de Robin Wright dá a personagem a sutileza duvidosa que ela precisa e, ao mesmo tempo em que sentimos vontade de ampará-la, também temos medo dos olhos frios e das presas escondidas. Claire, por outro lado, se mostra no limite de sua cegueira obsessiva, tão menos dedicada do que vimos quando a temporada começou. Ao que parece ela correu em círculos atrás de um coelho que nunca existiu, tentando se afastar do estigma de primeira dama, mas aqui está ela, sem sete anos, sem ONU: a esposa do presidente, que serve de pontos no debate.

A desistência dos aliados de Frank fecha o Capítulo 37, e não é apenas um fato de traição, mas uma atitude decepcionante. Crescemos com Underwood e escolhemos seu time para seguir. Sim, ele não está certo, sim, ele é um tirano sanguinário, mas fazer o que? São os anti-heróis que formam as boas histórias. Frank é um cachorro de guerra silencioso. Quando mais ele apanha, mais forte irá bater. Para nós, basta saber se ele terá força suficiente para retribuir esses golpes.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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