Landscapers acerta ao misturar crime e absurdos na HBO | Crítica

Landscapers mistura absurdo e crime real com roteiro inventivo e visual caprichado.

Landscapers
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Programas sobre crimes pulam na tela aos montes. Só este ano, dúzias e dúzias de documentários, séries, minisséries e filmes foram lançados nos mais diversos canais e plataformas. A violência vende, a psicopatia atrai, a morte é constante. E não sejamos hipócritas: uma história de crime bem contada é muito boa. Alguns dos melhores programas do ano, por exemplo, são sobre crimes ou criminosos. Mas como tomar um caminho diferente? Como fugir do óbvio e furar a bolha do comum? Landscapers, da HBO, nos diz como.

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Com Olivia Colman e David Thewlis na linha de frente, Landscapers conta a história de Suan e Christopher, um casal inglês que, por algum mistério, está na França. Isolada de tudo e todos, a dupla passa por sérias dificuldades financeiras. Preocupado, Christopher liga para a madrasta, buscando ajuda. Pelo telefone, ele fala que está na pior e explica porque fugiu: eles estão envolvidos em um crime, mas são inocentes, muito embora não possam voltar para casa. Ele pede discrição, mas a madrasta não demora em ligar para a polícia.

Direção aposta no visual e acerta em cheio

É aí que o mundo dos dois desmorona. A polícia inglesa entra em contato com o casal e a verdade vem à tona. O grande trunfo de Landscapers, portanto, é contar essa história aparentemente simples de modo inventivo. Assim, quando vemos um personagem enviando um e-mail, o vemos de pé, em frente ao destinatário, interpretando a mensagem. Com isso, a série parece uma mistura improvável de Mare of Easttown com Utopia, já que apela a um visual lúdico e marcante para contar uma narrativa majoritariamente densa e deprimente.

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Neste sentido, vale apontar, o diretor Will Sharpe, que se destaca ao criar cenários e sequências de encher os olhos. Tanto o roteiro quanto o diretor buscam formas de quebrar a lógica e entregar momentos únicos. A abordagem é mais do que acertada, já que casa com o absurdo da história real. Assim, Landscapers parece passear entre o realismo fantástico e o puro nonsense. Vêm à mente, então, obras de forte apelo visual e inventividade narrativa, como as criadas por Jean-Pierre Jeunet e Wes Anderson.

Atuações precisas de Colman e Thewlis se destacam

Esse arrojo visual, quase que surreal, intensifica o mundo absurdo de Susan e Christopher. Os próprios e-mails rebuscados de Christopher viram piada entre os investigadores que, sem saber, são tragados para uma espiral de loucuras. Susan, por exemplo, gasta milhares de dólares em objetos como cartazes, fotos e cartas. Quase que totalmente descolados da realidade, o casal não entende o que fizeram ou fazem. Nesta perspectiva, a minissérie acerta ao explicitar o amor de Susan por filmes e estrelas de Cinema, já que ela parece não conseguir viver ou aceitar o mundo real.

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Nisso, a série ainda capricha na fotografia e edição, principalmente quando casa cenas da série com as de filmes clássicos. No meio disso tudo, Colman e Thewlis brilham em papéis que lhes parecem habituais. Olivia está se especializando em papeis passivo-agressivos em que cicatrizes e segredos se escondem sobre camadas de simpatia, inocência e introspecção. Thewlis, por sua vez, parece reviver a estranheza de seu papel recente em Estou Pensando em Acabar com Tudo. Juntos, portanto, a dupla entra na corrida pelo próximo Emmy que ainda conta com os elogiados atores de Scenes from a Marriage.

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HBO encerra o ano com mais um grande acerto

Entendendo o absurdo de sua história de origem e trazendo isso para o texto e visual, Landscapers é uma surpresa que promete encerrar o excelente ano da HBO com chave de ouro. Com quatro episódios, a minissérie promete ir direto ao ponto e não divagar muito sobre os pontos do crime. O foco aqui são os personagens e suas idiossincrasias. A violência talvez seja a única coisa mais próxima da normalidade que ambos tenham feito.

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Nota: 4/5

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