Law & Order: True Crime – 1×05 – Episode 5

Imagem: NBC/Divulgação

Finalmente chegamos ao grande dia do início do julgamento e com isso a promessa de Law & Order: True Crime dizer aos eleitores do Emmy que merece sim, algumas indicações na premiação de 2018. Será que os roteiristas entregaram o clímax cheio de fogos? Tenho o maior prazer em afirmar que sim, mesmo que tenha cometido alguns erros e deixado de ressaltar pontos importantes, Edie Falco brilhou mais uma vez e foi generosa ao dar bastante espaço para a história crescer no seu próprio tempo.

Imagem: NBC/Divulgação

Continua após a publicidade

O episódio começa com a defesa dos Menendez pleiteando ao juiz a possibilidade de argumentar à luz da legítima defesa, abrindo a porta para que o júri possa inocentar os irmãos. Numa rara decisão em favor de Leslie Abrahsom, o juiz eventualmente personifica um dos problemas que seriam fartamente explorados durante o julgamento de O.J.Simpson anos depois – o machismo generalizado dentro de uma corte cujo principal fundamento é do império das leis, não de emoções geradas pela insegurança. Leslie e Marcia Clark sofreram, mas gozamos de uma aparente evolução por causa da sua coragem.

A maneira de abordar tal tema é um dos grandes, senão o principal acerto, do roteiro neste quinto episódios. A parcialidade do juiz diante da defesa, composta unicamente por mulheres há de se ressaltar, é evidente, mas em nenhum momento os personagens discutem a justificativa daquela postura mesmo que o telespectador saiba muito bem o porquê ela acontece. A imagem da mulher no início dos anos 1990 é explorada também na narrativa paralela de Leslie em busca de um filho adotivo, que mesmo precisando de um banho de criatividade e originalidade no seu desenvolvimento, ajuda nessa ótima construção da nossa protagonista.

Um dos protagonistas deste caso, além de Leslie, dos Menendez e da “parada de mentirosos” interpelada pela acusação, foi a CourTV, emissora criada em 1991 cujo primeiro grande sucesso foi a transmissão deste julgamento para todo o país. Nós vimos o juiz autorizar a presença das câmeras, conhecemos alguns dos produtores, mas nada além disso. Faltou algum gênio da televisão comentando os grandes números de audiência que o canal estava conquistando com aquela cobertura, que tal personagem merecia mais ou menos destaque o porquê. Algum roteirista de UnReal, Dirt ou de The Newsroom seriam excelentes adições para trabalhar essa questão.

Como estudante de direito vejo esse quinto episódio como um dos mais excitantes até aqui até porque, haja vista que não tínhamos confrontos tão espectaculares desde quando a primeira temporada de The Good Fight terminou em abril deste ano. Entretanto, como telespectador e acompanhador desta indústria a quase dez anos, True Crime trouxe um dos seus episódios mais fortes, consistentes, bem construídos e trabalhados deste primeiro ano.

Avatar

Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

No comments

Add yours