O curioso caso das traduções das séries na TV aberta…

Imagem: ABC

No fim da semana passada os fãs de How To Get Away With Murder, série produzida por Shonda Rhimes, foram “pegos de surpresa” com a tradução que a Rede Globo resolveu dar para a exibição da série no canal: Lições de um Crime. Desde então, a zoeira foi sem limites.

Entretanto, isso não é nenhuma novidade. Nunca foi. Cinema e TV se enquadram nas traduções de títulos há muito tempo e apesar disso incomodar muita gente, honestamente não vejo problema.

Claro, a zoeira é de lei e não há reclamação para tal. Afinal, você não “passou três anos aprendendo a falar How To Get Away With Murder para a Globo vir e inserir Lições de Um Crime”. Mas entendam que a tradução é mais uma das portas para uma maior divulgação da série e isso não tem de se tornar algo ruim, e sim comemorado. Não faz muito tempo, o acesso que tínhamos as séries de TV, muito antes da Netflix e dos torrents, era pela TV aberta. Eu assisti One Tree Hill como Lances da Vida, MacGyver como Profissão Perigo, 90210 como Barrados no Baile, The O.C. como Um Estranho no Paraíso.

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O que o público brasileiro precisa entender é que por mais que você, seus amigos e as pessoas que conhece possuem acesso a Netflix ou a uma boa internet, existem pessoas que não têm esse acesso e dependem da boa vontade de canais de TV aberta exibam esses produtos – já que a escassez de locadoras é, cada vez mais, uma realidade. E apesar dessas traduções soarem como escrotas a princípio, elas acabam caracterizando a série e associando para o público que não está acostumado com dialetos, localizações e práticas norte-americanas. O público brasileiro que acompanha a série hoje, em tempo real com os Estados Unidos, também precisa compreender que nem todo mundo é obrigado a saber a função de um termo como “How to Get Away”, e muito menos ter vontade de assistir uma série que vá ganhar uma tradução literal. Até mesmo o “Como Defender Um Assassino”, tradução feita pelo Canal Sony, soa estranho.

Versão Brasileira: séries para todo mundo sim!

Por mais que eu tente, eu ainda não consigo entender a implicância do público com traduções. A liberdade criativa na tradução das séries é permitida e válida. É necessário a adaptação de títulos para que fique mais atrativo para os brasileiros e que não saia do universo apresentado no programa. Por mais ridículo que você possa o achar, vai por mim, ele fará sentido para quem está a acompanhando pela Globo, SBT ou qualquer que seja…

Além disso, não há sentido em falar que “já vou dizer que gostava de How To Get Away With Murder antes dela virar Lições de Um Crime”. A exibição das séries na TV aberta gera um sentimento de posse e de exclusão, qualificando como verdadeiro fã somente aquele que assistia a série antes dela ir para a TV aberta, ou o que sempre a acompanhou pelos Estados Unidos. Migo, pare. Quanto mais fãs, melhor. Não importa se ele está assistindo a série com o nome em inglês ou português, se está assistindo com áudio original ou dublado. Encare como uma forma de popularizar e incentivar, ainda mais, a cultura das séries na era da tecnologia e dos serviços de streaming que se tornam cada vez mais comuns. E se você acha errado algo se popularizar, o conselho que tenho para você é a revisão de alguns conceitos.

O melhor a se fazer, neste caso? Abraçar a tradução, curtir a exibição e incentivar o público a conhecer a série. Afinal, não faz muito tempo você provavelmente já esteve no lugar de quem assistia séries na TV aberta.

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Criador, editor e redator do site Mix de Séries, é apaixonado por séries desde sempre. Fã incondicional de One Tree Hill, ER, Friends, e não perde um episódio da Franquia Chicago.

5 comments

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  1. Eduardo Nogueira
    Eduardo Nogueira 11 julho, 2017 at 09:59 Responder

    Simplesmente espetacular esse texto, algo que muita gente deve ler. É engraçado em pleno ano de 2017 nego com mimimi por nome em português de série.

  2. Avatar
    SubZylok 11 julho, 2017 at 13:19 Responder

    Perfeito. É muita infantilidade do pessoal, ainda mais quando o nome se encaixa tão bem com a narrativa da série. “Um Estranho no Paraíso” e “Lances da Vida” também foram ótimas adaptações de nome, mas fazem questão de depreciar o trabalho dos br, que sempre estiveram entre os melhores na dublagem e na legendagem (informal, principalmente).

  3. Avatar
    Maoli 11 julho, 2017 at 21:05 Responder

    Anderson, você falou de Lances da Vida e Um Estranho no Paraíso e eu me lembrei de As aventuras do Superboy (Smallville). Bons tempos! Ótimo texto!

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