O fim de uma era na Netflix com o encerramento de suas séries mais antigas

Imagem: Divulgação

Orange is the New Black e House of Cards foram divisoras de água para plataforma

A Netflix encerrá um grande ciclo em breve, que pode ser considerado o grande impulsionador para a gigante do streaming em que ela se transformou. O encerramento das séries House of Cards e Orange Is The New Black significa que a plataforma está pronta para celebrar outros hits. Mas, a principal questão é: estaria o público apto a embarcar nesse novo ciclo?

Se voltarmos a 2013, ano em que ambas as atrações estrearam, talvez nem mesmo os analistas mais inteligentes poderiam prever o estrondoso sucesso que o serviço de streaming alcançaria com seus produtos originais. Conhecida nos Estados Unidos por ser um “serviço de locadora”, a Netflix começou a revolucionar esse sistema na década de 2000, e mudou paradigmas ao criar um novo cenário na década de 2010.

Trajetória

House of Cards foi o primeiro grande hit da plataforma. E naquela época, poucos tinham acesso ao que significava a Netflix, de fato. Ela ainda estava começando a se popularizar. Mas ter um astro como Kevin Spacey, na época longe de ter qualquer acusação de assédio sexual, significava algo. A qualidade de produção, roteiro e direção provava que a plataforma estava apta a fazer séries de qualidade. E que ela queria sim brigar pela atenção do público por conteúdo original. Pouco tempo depois, House of Cards já estava figurando dentre as séries com mais indicações ao Emmy, e certamente deixou sua marca na história das séries de TV.

Kevin Spacey interpretou um político ambicioso que estava pronto para fazer qualquer coisa para chegar ao poder em House of Cards. Imagem: Netflix

Meses após o lançamento de House of Cards, a Netflix estreou Orange Is The New Black. Com mais um sucesso confirmado, ela praticamente assinou a conduta de que estava disposta a criar grandes programas que fossem lembrados de alguma forma. Que fizessem a diferença. E realmente fez. A série sobre uma prisão feminina, por exemplo, tratou sem tabu de muitos assuntos. Homossexualidade, drogas, vícios e, principalmente, a precariedade do serviço de detenção norte-americano. Todos esses temas serviram como pano de fundo para excelentes histórias.

O mesmo pode-se dizer da série estrelada por Spacey. Ela falou, sem medo de ser criticada, sobre como o sistema político é vulnerável. Mostrou como que alguém, com más intenções e inteligência, pode derrubar um governo. Ironicamente, ou não, pouco tempo depois nós vimos cenários políticos no mundo inteiro refletindo algumas das histórias que foram contadas por lá.

Pouca censura, muita liberdade

Acontece que House of Cards e Orange Is The New Black foram os “pilotos” para os projetos seguintes da Netflix. Ambas as séries mostraram que o público estava pronto para receber projetos sem censura, e que falassem desses assuntos abertamente.

Claro que críticas sempre existirão, mas a Netflix demonstrou não estar ligando muito para elas. O tabu virou tabu. E, dali em diante, começamos a ver mais atrações que falassem uma língua objetiva, sem pudor e que mostrasse uma realidade nua e crua, sob os mais diversos assuntos. De 13 Reasons Why, expressando o suicídio de uma forma bem forte, à Dear White People, escrachando as mais diversas formas de racismo, a Netflix mergulhou ainda mais neste mundo da liberdade de expressão. E tudo isso nasceu com as duas séries que chegarão ao fim em breve.

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Orange Is The New Black foi uma das portas para que a Netflix pudesse tratar qualquer assunto sem tabu. Imagem: Netflix/Divulgação

Pronta para o próximo capítulo?

House of Cards encerra sua jornada, precocemente eu diria, no próximo dia 02 de novembro. Quase cancelada após o escândalo de Kevin Spacey, a produtora resolveu fechar devidamente a sua grande primeira atração. Creio que sem esse escândalo, ela teria durado mais do que as suas seis temporadas. Já Orange Is The New Black encerra sua jornada em 2019, após sete temporadas. Uma jornada bem executada, eu diria, mas que começava a dar sinais de esgotamento.

A dúvida fica sobre como isso refletirá na Netflix. Porque tudo na vida tem um lado ruim. E até mesmo nessa situação, encontramos um problema. Acontece que, para se safar da perda de conteúdo para vários estúdios, que começaram a criar seus próprios serviços de streamings, a Netflix começou a criar mais e mais conteúdo original. E nessa, a qualidade nem sempre falou.

Hoje, nem toda serie “Original Netflix” e sinônimo de qualidade. Mas a plataforma tinha certeza que, com os lançamentos de Orange e House of Cards, ela receberia grandes investimentos. Essa mamata, agora, vai acabar.

Mas depois de cinco anos, diria que a Netflix evoluiu muito. Cresceu mais do que imaginava que cresceria. Ela tem capacidade de produzir roteiros de qualidade, boas histórias e que alcancem um público de todo o mundo. Ela criou “uma onda do momento” que parece estar longe de abaixar.

O que virá em seguida? Vamos ter aguardar…

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Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.