O romantismo nerd na abertura do crossover de Flash e Arrow

Talvez seja uma questão de prática, mas está ficando difícil falar de Arrow sem comentar sobre The Flash no mesmo parágrafo – ou vice-versa. O mérito dos produtores e roteiristas de ambas as séries, que souberam dosar em uma medida equilibrada o fanatismo nerd por trás de dois super-heróis conhecidos, o dedo da CW (nem sempre de amigo, como bem sabemos) e o próprio pulsar dos fãs que, sem conhecer a história dos quadrinhos, se mostram abertos a descobrir mais sobre meta-humanos, flechas e vilões com apelidos engraçados.

Arrow herdou uma audiência deixada por uma querida (e cansativa) Smallville, com o desafio de se impor com atores não tão experientes, trazendo de volta a vontade de ouvir referências boas na televisão. Conseguiu. Como resultado, nasceu seu spin-off The Flash, com um Barry Allen interpretado pelo pouco conhecido Grant Gustin, que é um dos pontos mais altos do seriado. Saindo do eterno escudo solitário apresentado por Oliver, Barry é engraçado, bondoso e leve. Tem diversos elementos que justificam sua audiência (e renovação para segunda temporada) como um amor não correspondido, diferentes heróis por episódio e bons efeitos especiais. Ambos não são perfeitos, caem em frases batidas e poderiam ter deixado alguns episódios para trás nessa corrida, mas juntos formam uma das melhores forças da CW.

Justamente por isso o crossover que aconteceu no final de 2014 (oitavo episódio, tanto da terceira temporada de Arrow quanto da primeira de Flash), trouxe uma abertura de empolgar a audiência.

 

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Quem acompanha os seriados já decorou a “poesia introdutória” de Barry e Oliver (cansativa, mas ótima para piadas internas e conexão com o fã).

 

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Os versos são decorados como mantras, como próximo vídeo mostra. Sua narração off ilustra a história e torna-se símbolo da produção.

 

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=FQJbTp1fF2Y[/youtube]

 

Nessa pseudo-abertura pragmática temos um resumo dos seriados, seus principais personagens e o objetivo daquela temporada – Arrow, por exemplo, teve narrações diferentes depois de grandes acontecimentos. Essa marca é outro acerto dos responsáveis: em um mundo conquistado pelos heróis da Marvel e com a DC resgatando seu time de estrelas, nem todo o telespectador da TV tem a mesmo vício de acompanhar todos os episódios da história, como acontece com os fãs de quadrinho.

O fechamento da narração é marcado pelo símbolo dos heróis, sua identidade visual na TV. The Flash, sendo o spin-off que é, segue essa receita marcada, mas substitui o tom quase sombrio de Arrow com raios de velocidade e o vermelho típico do herói, tão coerente com sua personalidade jovem – esse, outro acerto da série a ser analisado em outra hora.

 

 

Em um crossover tão esperado a junção das duas aberturas foi como um “agrado de amigo”; os fãs estavam tão ansiosos pelo encontro dos dois universos, que a colocação de elementos das duas aberturas foi o apertar de cintos pro entretenimento que viria a seguir. Começando com a série de Barry, que vai ao ar primeiro, vemos a flecha de Oliver cortar a marca do herói, colocando um sorriso no rosto de quem está vendo. É a mesma sensação de se estar lendo uma história do Superman e, de repente, Clark esbarra em Bruce no topo de um prédio. Sem palavras, sem nenhuma história ainda contada, apenas o colidir de dois grandes heróis imaginários.

Você vê, não é tão difícil agradar um nerd. Somos românticos antigos. 

Em seguida somos presenteados com o episódio de Arrow, que por sua vez também tem o símbolo personalizado pelos raios de velocidade de Barry. É rápido, como deve ser, e nos introduz àquela pequena ruptura de espaço onde grandes coisas são possíveis. Cada abertura mantêm o tom que seu seriado assume e nenhum deles tenta criar um universo alternativo de coexistência, mas apenas a inserção de um novo elemento à trama, aumentando a força criativa que a própria DC possui por trás de todos seus adotados.

 

 

Os poucos segundos dessas aberturas representam ambos os episódios, e são uma lembrança gostosa do porquê a maior nostalgia de um seriado querido são suas frases de efeito e sua abertura repetida. Aos que cantaram Somebody save me! por dez anos, momentos assim representam um calor no coração do fã clássico, apaixonado por detalhes. Afinal, nunca foi tão bom ser assim, românticamente nerd.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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