Oito livros que deveriam ser adaptados para a TV – Parte 1

Adaptações têm presença garantida na tevê há bastante tempo, seja no Brasil ou em terras estrangeiras. Não foi a toa que nós do Mix criamos a coluna Da Estante Para a TV justamente para falar de obras que estão envolvidas nessa prática. Por aqui já vimos clássicos como “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, fazer enorme sucesso na telinha. Lá fora, então, a literatura é um infindável poço de ideias.

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Para 2015, as produções já dão conta de adaptações de “Deuses Americanos”, de Neil Gaiman, “O Último Reino (Crônicas Saxônicas – Livro 1)”, de Bernard Cornwell, além dos romances pós-Harry Potter de J. K. Rowling. Pensando nisso, resolvemos editar uma coluna divida em duas partes para discorrer um pouco sobre obras literárias que, em nossa opinião, dariam um bom resultado audiovisual – focando, claro, na TV.

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Dark Tower

A Torre Negra, de Stephen King

“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”. Assim começa a ambiciosa série de sete volumes escritos por Stephen King entre 1982, quando lançou “O Pistoleiro”, e 2004 – ano em que o capítulo final, que leva o nome da saga, foi publicado. Aqui, o mestre do horror forma um mosaico cultural para narrar a busca de Roland de Gilead, o último pistoleiro, pelo mítico lugar que seria responsável pelo controle de todo o tempo e todo o espaço.

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Além de estúdios de cinema, HBO e Netflix já demonstraram interesse em adaptar “A Torre Negra”, porém nada foi confirmado oficialmente. Levar para a TV seria a solução mais lógica, já que condensar sete livros em três filmes, que era a ideia do diretor Ron Howard, anteriormente envolvido no projeto, não daria o desenvolvimento merecido. Não é apenas uma questão tempo em tela, mas de complexidade narrativa. Com o perdão do trocadilho, Dark Tower precisaria de todo tempo e espaço possível para explorar seu universo.

A relevância do produto audiovisual não se restringiria apenas à mistura de gêneros literários, mas também a alguns temas relacionados à História social (não apenas norte-americana) que são abordados por meio dos personagens – como segregação racial e violência. A série conta ainda com um spin-off lançado em 2012, intitulado “A Torre Negra: O Vento pela Fechadura”. Mais uma oportunidade de expandir o(s) universo(s).

 

Cemitérios de Dragões, de Raphael Draccon

Cemitérios de DragõesCinco pessoas de regiões espalhadas do planeta Terra acordam em diferentes lugares de uma realidade devastada por um império de reptilianos e assolada pela escravidão. Essa é a premissa de “Cemitérios de Dragões”, do romancista e roteirista brasileiro Raphael Draccon.

O livro é o primeiro da série inspirada em Super Sentai, estilo serial japonês famoso no Brasil na década de 1980. Para quem nasceu nos anos 90, é algo como Power Rangers. A diferença entre “Cemitérios” e as séries citadas torna-se notória nas primeiras páginas, em que o autor apresenta uma dimensão sombria e situações que os protagonistas não fazem ideia de como sair. Um exemplo é o soldado norte-americano que acorda como escravo em uma região vulcânica, tendo como única lembrança o ambiente de cativeiro onde se encontra.

Draccon tem uma escrita dinâmica e visual, logo não é difícil imaginar como seria a versão televisiva. Uma primeira temporada poderia mostrar quem são estes cinco jovens, de culturas distintas, recorrendo ao passado na Terra. A partir daí, há toda uma mitologia de criaturas fantásticas, demônios e uma dimensão inteira habitada por dragões que poderia ser explorada.

 

Eu Sou o Mensageiro, de Mark Zusak

Mark Zusak é conhecido mundialmente por seu bestseller “A Menina que Roubava Livros”, mas sua maior jóia talvez seja o belo “Eu Sou o Mensageiro”. Caracterizado pela linguagem rápida e sem rodeios, o livro acompanha Ed Kennedy, um perdedor. Ed vira heroi da cidadezinha onde mora após impedir um assalto a banco. Depois do ato de heroísmo, Ed começa a receber cartas de baralho com nomes e endereços escritos. Sem entender o sentido das cartas, Ed resolve ir atrás do primeiro nome e, aos poucos, descobre que todos os nomes levam a pessoas que precisam de ajuda.

O livro tem uma galeria apaixonante de personagens (o melhor é Porteiro, o velho fedido a cachorro viciado em café) e mensagens bacanas. Não é um livro de auto-ajuda (felizmente!), mas possui belas filosofias e discussões. Ed conhece novas pessoas a cada carta e este plot seria perfeito para uma boa série dramática. Poderia ser um bom procedural na TV aberta, em que o protagonista recebe uma carta, conhece e ajuda uma nova pessoa a cada episódio. Ou um ousado programa da TV a cabo com longas histórias desenvolvidas durante toda temporada.

Eu Sou o Mensageiro seria um ótimo respiro em uma televisão cada vez mais sombria e pessimista. O único problema seria quando a série (ou minissérie) chegasse ao fim, pois o desfecho do livro é complexo e abstrato, o que pode complicar a adaptação.

 

Amanhã

Amanhã, de John Marsden

Amanhã é uma série de livros escrita pelo australiano John Marsden. O primeiro volume já virou filme, mas passou completamente batido fora da Austrália. Alguns críticos elogiaram o potencial do longa-metragem e afirmaram que a história tem grande apelo visual e potencial para adaptação. E realmente tem. Amanhã é uma trama cheia de ação e aventura que acompanha um grupo de jovens que, após voltar de uma viagem ao interior da Austrália, descobre que seu país foi invadido e está em guerra. O grupo então começa a lutar pela sobrevivência e busca entender o que está acontecendo.

A série literária parece perfeita para a TV. Um canal como o CW, por exemplo, seria uma boa alternativa. Segure sua pedra mais um pouco, hater da emissora: The 100, por exemplo, é uma boa série do canal que também é baseada em um livro. Além disso, a história acompanha jovens que tentam sobreviver em um mundo hostil e distópico, assim como em Amanhã. O fato dos livros se passarem na Austrália pode limitar adaptações, mas a tentativa é válida.

Com colaboração de Matheus Pereira.