Only Murders in the Building prova que os clássicos sempre funcionam

Nova série reuniu lendas da comédia com nova geração e provou que o que é clássico funciona em qualquer roupagem

Only Murders in the Building critica
Imagem: Divulgação/Hulu
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A nova série de comédia do Hulu, que chegou no Brasil através do Star+, Only Murders in the Building, prometeu quase nada. Mesmo tendo nomes de muito peso da comédia, como Martin Short e Steve Martin, e nomes gigantes na cultura pop hoje em dia, como Selena Gomez, a série foi bem contida na criação de expectativas com o público. Por isso, se tornou uma das melhores surpresas do ano.

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Misturando comédia e mistério de verdade, a primeira temporada explora novas maneiras de prender o público numa comédia – nisso, indo muito além da gargalhada e do intencionalmente caricato.

A união faz a força

Muitas vezes, tudo que uma série precisa para o sucesso é uma chance do público. Números astronômicos nos serviços de streaming provam isso. Para garantir que o público jovem desse uma chance para a trama, fez-se a união de dois icones da comédia – e da Sessão da Tarde – e com uma forte representante da cultura na era da internet. A diferença clara entre as gerações, que é abordada diversas vezes no roteiro da série, é uma fortaleza para a dinâmica do trio e criou o carisma evidente de Only Murders in the Building.

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Imagem: Divulgação/Hulu

Difícil missão é dar play no fortíssimo começo da trama e não simpatizar automaticamente com os tipos apresentados. O recluso, o espalhafotoso, a caladona. Inclusive, é na própria criação dos personagens que o texto começa a subverter nossas expectativas.

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Assim sendo, nos é entregue uma história que parodia o universo de livros e filmes de investigação e o submundo dos podcasts de crime real. Seus tipos, vicios narrativos e motivações. Mesmo assim, cria-se algo novo. Nisso, a série brilha.

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Clássico vs novo em Only Murders in the Building

Vivendo num mundo em que existe Todo Mundo em Pânico, pode-se receber com receio uma obra que predente parodiar um gênero. Porém, a criação de Steve Martin caminha na corda bamba em algo que ainda é relativamente novo. Uma série de comédia, visando fazer graça com o estilo de investigação, consegue criar uma trama que realmente prende. É algo complicado de se fazer, mas foi feito.

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Only Murders in the Building': Season 1, Episode 8
Imagem: Divulgação/Hulu

Com suspeitos engraçados, reviravoltas em direções inesperadas e muita ironização dos proprios personagens, a trama de Only Murders in the Building faz sentido. Sim, ela não é só uma desculpa para fazer piada. Certamente, nesse ponto é necessário uma balança muito precisa. Qualquer descompasso da comédia poderia trilhar a força do mistério, assim como o contrário também seria possível. Dessa forma, é realmente um feito diferente o que se alcança nos dez rápidos episódios da trama.

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Esse, inclusive, parece ser o grande feito da série. Unir o que fez e faz sucesso há um bom tempo e propor algo levemente diferente. Não é assim a criação de todas as grandes coisas?

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Only Murders in the Building faz episódio sem falas; saiba por que
Imagem: Divulgação/Hulu

Comédia é timing

Mesmo com um roteiro muito esperto, temos que ser sinceros: os pilares da comédia aqui são os medalhões Steve e Martin. O timing da dupla, originado na amizade e talento de cada um, rende os melhores momentos da série. Selena não deixa a desejar e se entrosou muito bem com os novos amigos, como seu perfil no instagram não me deixa mentir.

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Para fechar uma temporada com dez episódios, uma ou outra trama não atingiu seu potencial. Alguns episódios intermediários de Only Murders in the Building, por exemplo, aqueles que não são nem do começo nem do final, tiveram que ter um fôlego gigante para segurar a onda antes de revelar muitos fatos. Por isso, pessoas menos pacientes podem ter desistido em algum ponto entre a trama meio fora de tom envolvendo o cantor Sting e as revelações que realmente moveram a trama. Esses episódio, mais do que nunca, dependem da química dos protagonistas para funcionar. Boas coisas para aqueles que esperam, não é?

Who killed Tim Kono on Only Murders in the Building?
Imagem: Divulgação/Hulu

Entregou mais do que prometeu

No fim de tudo, Only Murders in the Building prometeu quase nada e entregou uma deleite. A série tem tudo para vir com força total no Emmy de 2022, brigando por estátuas em roteiro, direção e nas principais categorias de atuação. A ideia de recriar os dramas de investigação em forma de comédia criou algo novo, mesmo a formula original sendo mais antiga que a posição de sentar. Comédias que não se levam muito a sério mas só o suficiente para me fazer querer ver todos os episódios? Tô dentro!

Além do citado, a série faz um ótimo trabalho em mostrar o vigor que esses gênios mais velhos tem em trabalhar com o que gostam. Na era dos streamings, podemos ter a honra de assistir uma diversidade grande de produtores de conteúdo em pleno exercicio. Devidamente renovada para mais uma temporada, a série termina com gostinho de quero mais e provando que tem todo gás para continuar. Que muito mais dela esteja em nosso horizonte.

Nota: 4/5