Orange Is The New Black – 4×01 – Work That Body For Me

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Imagem: Banco de Séries

 

Premiere para estabelecer o tom da temporada, com um ritmo mais lento, porém não menos forte. Ficou a impressão de ter sido um daqueles episódios em que não acontece nada, quando de fato aconteceu muito. E esse volume de acontecimentos esteve mais presente nos diálogos, afiadíssimos e extremamente poderosos, por sinal. Voltem e os leiam com calma. Parece ter sido uma opção da produção mostrar menos e externar os conflitos através das falas.

Alguns destaques do texto ficam com a conversa entre Piper e Chang no começo do episódio, as negras falando sobre racismo, Cindy dando “boas-vindas” à nova colega de cela (para quem não se lembra, Cindy se converteu ao judaísmo na temporada anterior), as latinas versus Coates versus brancas, e absolutamente tudo o que foi dito entre Alex e Lolly. Falando nelas, no primeiro minuto de “Work That Body For Me”, um dos cliffhangers da terceira temporada se resolveu: Vause não morreu. OK. Isso era meio que certo, afinal o nome Laura Prepon gritou na abertura, o que também não dava certeza de nada.

Alex e Lolly, a singular, se estranharam na temporada passada e chegaram a cair na porrada. Vause repensou sobre quem era Lolly e seguiu com a vida. Nada mais justo, no entanto, que Whitehill fosse aquela a socorrer Alex. E foi uma linha muita bem desenvolvida ao longo do episódio, desde a chegada de Lolly à estufa, passando pelo desespero de Vause de ter que matar alguém, a entrada de Frieda e o final orquestral das três desfazendo o corpo de Aydin e enterrando as partes junto com os girassóis.

Outro problema em pleno enfrentamento das habitantes de Litchfield é a superlotação, tanto para o lado das detentas quanto dos comissários, em número super reduzido. Um balaio que não poderia ter acontecido em pior hora. A chegada das novas detentas causou mais aflição do que as consequências do dia mágico no lago. De fato, a fuga coletiva epifânica nem trouxe tantas consequências assim, pelo menos não por hora. É até difícil de engolir que nenhuma detenta, só Kukudio, pensou em fugir. Mas é aquela coisa, , magia da ficção e medo de ter a pena aumentada, ambos fatores reforçados por Crazy Eyes. “Tenho o acordo judicial, não posso quebrá-lo”. Onde comer? Onde dormir? Litchfield é um lar.

Voltando ao problema da superlotação, caras e nomes aos bois foram sendo dados aos poucos. Um comissário mega marrento aqui, novas companheiras de dormitório por todos os lados. Enfim, possibilidades de problemas e conflitos para uma temporada inteira e um ataque do coração em Caputo, dando destaque a duas aquisições: Judy King e as latinas.

A primeira foi uma surpresa ainda dúbia. Uma dondoca à primeira vista, mas de simpatia visível e de língua afiada, reforçadas pela vibe sulista. Sem mostrar muito, já se sabe que Judy King carregará um enredo sobre privilégios dentro do sistema prisional por ser uma celebridade. A MCC determinou, a imprensa estará em cima, Caputo tem que fazer bonito. Hipocrisia transbordando. O outro destaque de aquisições, as latinas, personificaram toda a promoção da série, “Bem-vinda a Lichtfield”. Se na temporada passada se falou sobre fé, a quarta temporada parece caminhar para um assunto de urgência internacional: a questão da imigração. E o reforço é dado às latinas justamente por se tratar de Estados Unidos, com todo o clamor por novas leis, novas regulamentações para atender os imigrantes. Uma urgência social e econômica transposta para a ficção. Representatividade sempre foi um ponto forte em OITNB.

Para encerrar, pedantismo. Preguiça. Para que está feio, Piper. Essa história de uma Chapman thug life não cola. Por outro lado, intencional ou interpretação, há momentos em que essa abordagem da personagem está bem próximo de um pastiche patético da figura da “chefe”. E nessas horas funciona. No geral, tivemos uma premiere madura, dando sinais de uma temporada madura.

 

OBS: Ainda não nos foram dados nenhum sinal de Nicky e, principalmente, de Sophia Burset (estou apostando nesse plot como um dos mais necessários da temporada).

Menção honrorsa: Chang (só o nome basta).

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Melina Galante

Melina Galante

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.