Os bastidores de Mad Men: curiosidades por trás das câmeras

Mad Men, Elenco

Uma série bem sucedida é reconhecida em diferentes formas. Ótimos números de audiência (como Game of Thrones). Alguma discussão social importante sendo levantada (no caso de The Handmaid’s Tale). Ou até mesmo ambos os casos, como aconteceu com Mad Men Breaking Bad, curiosamente ambas dos tempos de ouro da AMC.

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Nesse turbilhão de conteúdo que temos neste momento, é sempre importante lembrar do que realmente importa – qualidade. Não são aqueles atores de ouro que o patrocinador gosta ou aquela história padrão que apela mais ao americano médio. Sendo assim, vi como extremamente oportuna a ideia de falar dos bastidores de Mad Men.

Por isso, eu te convido para continuar conosco e ler nossa coluna. Além de comentar, criticar, elogiar e propor mudanças… Afinal, precisamos da ajuda de vocês para melhorar.

Cuidando da saúde

Os cigarros eram quase um personagem durante toda a trajetória de Mad Men. Contudo, nenhum dos atores fumava tabaco de forma verdadeira. Na verdade, eles ‘fumavam’ cigarros ervais de chá, que não contém nem nicotina nem tabaco. Em entrevista ao The New York Times, o criador Matthew Weiner confirmou tal estratégia. “Você não quer que os atores fumem cigarros de verdade,” disse o showrunner.

Eles ficam agitados e nervosa. Eu já estive em estúdios em que boa parte das pessoas vomitavam em virtude da quantidade de fumantes naquele local,” disse. Mesmo assim, os cigarros alternativos também não tinham muitos fãs. Em conversa com a New York Magazine, Jon Hamm (Don Draper) não escondeu seu desgosto. “Terrível,” disse Jon. “Eles têm gosto de uma mistura de maconha com sabão,” disse.

Mau exemplo

De acordo com um artigo publicado pela revista Esquire em outubro de 2013, a função de uma das maquiadoras da série, Lana Horochowski, era de manter a barba de Jon Hamm aparada e feita em todos os momentos. O problema é que os pelos faciais do ator, assim como deste que vos escreve, crescem especialmente rápido. A complicação era tamanha para a equipe de maquiagem e cabelo que em longos dias de gravação, Jon precisava se barbear até três vezes pela forma como aparecia na câmera. O artigo foi tão chocante que o Dr. Peter Hino, um dermatologista, avisou aos telespectadores para não reproduzirem o mesmo processo pois poderia danificar a pele.

O personagem por trás do personagem

Cada personagem representava um tipo diferente. Don, por exemplo, era o homem que cresceu com seu próprio suor. Nasceu na miséria e conquistou o sonho americano após determinação e trabalho duro. Joan tem a capacidade de mudar em diferentes momentos em virtude da sua criação durante a Segunda Guerra Mundial, onde muitas mulheres ocuparam funções até então masculinas – tal resiliência é uma das forças de Joan. Roger por sua vez é a antítese de Don Draper.

Nasceu em berço de ouro, aproveitou-se de privilégio e representa o declínio da masculinidade da época. Megan é a mulher moderna que ostenta sua independência e personalidade; Sally é a ponte entre o antigo e o novo; Betty é a dona de casa da década de 1950, incapaz de aceitar as mudanças da época; Peggy é a mulher que, assim como Don, conquistou tudo o que tem por esforço próprio sem ter outras mulheres para espelhar-se ou aconselhar-se. Pete, por fim, é aquele cujo sobrenome entrou em tamanho declínio que teve que reinventar-se em função dos novos tempos.

Eu sou você amanhã

O papel de Robert “Bobby” Draper foi interpretado por quatro atores mirins diferentes no decorrer da série. Bobby foi originalmente interpretado por Maxwell Huckabee; este, por sua vez, foi substituído por Aaron Hart ao final da primeira temporada. No início do terceiro ano, o papel foi vivido por Jared Gilmore, que ficou incumbido da função até o começo da quinta temporada, quando foi substituído por Mason Vale Cotton. O ritmo das mudanças são particularmente notórios à luz de que a filha mais velha dos Draper, Sally, foi interpretada pela mesma atriz desde o princípio: Kiernan Shipka, que tinha apenas seis anos de idade quando o episódio piloto foi exibido.

Corrupções à parte

Em junho de 2016, pouco antes de Donald Trump tornar-se oficialmente o candidato à presidência dos Estados Unidos pelo partido Republicano, o então candidato protocolou sua declaração fiscal mensal na Comissão Federal de Eleições. Tal documento mostrava que pagamentos (na ordem de mais de 35 mil dólares) teriam sido feitos para uma empresa em New Hampshire de publicidade digital. O problema é que, na declaração, a empresa estava nomeada como “Draper Sterling”. Uma investigação do jornalista Judd Legum, do agora extinto Think Progress, descobriu que a companhia, na verdade, era comandada por membros da própria campanha. A reportagem lembrava ainda que, “Draper e Sterling,  claro, são os nomes dos protagonistas de Mad Men“. Sad.

Mesma casa, locação diferente

O episódio piloto foi gravado nos estúdios Silvercup na cidade de Nova York, assim como em outras locações pela cidade. Curiosamente, o episódios subsequentes foram gravados no Los Angeles Center Studios, em virtude dos incentivos fiscais concedidos pelo estado da Califórnia.

Rapidinhas

– Phil Abraham e Matthew Weiner são os únicos diretores que dirigiram episódios em todas as temporadas, incluindo as duas partes da última temporada. Weiner, contudo, é o único a escrever em todas as temporadas.

– Christina Hendricks originalmente fez testes para interpretar Midge Daniels.

– Cada episódio foi orçado entre 2-2.5 milhões de dólares. O episódio piloto em particular custou algo em torno de três milhões de dólares.

– Em 2008, Mad MenDamages se tornaram as primeiras séries da TV a Cabo a serem indicadas na categoria de Melhor Drama no Emmy.

Em suma

Como de costume, não tinha a menor ideia sobre algumas questões referentes aos bastidores dessa série. Confesso também que ainda não tomei vergonha na cara em fazer uma daquelas maratonas gigantescas e assisti-la por completo. Mesmo assim, como um consumidor (e produtor) de informação sobre a indústria, foi um deleite descobrir que todos os personagens possuem um significado por trás. Além disso, quem diria que os truques e trapaças de um certo candidato beberiam desta fonte para esconder seus problemas? Fascinante, assim como a própria série.

Sendo assim, agradeço pela sua leitura nesta semana. Aproveito ainda para lembrar que da próxima vez vamos falar sobre os Bastidores de MacGyver. Espero vocês!

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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