Os bastidores de The Wire: curiosidades por trás das câmeras

Imagem: HBO/Divulgação

Assim como The ComebackTwin PeaksThe Wire estava muito à frente do seu tempo. Em 2002, ano do seu lançamento, os canais a cabo não vivam a mesma glória dos dias atuais e fazer televisão ainda era coisa de ator cuja carreira no cinema custava a deslanchar. As coisas, felizmente, mudaram. A sétima arte mantém-se num vácuo de falta de criatividade, enquanto a televisão vive seu segundo auge da história.

Nesse cenário, The Wire certamente faria mais sucesso junto aos críticos e aos telespectadores. Escolhemos falar sobre os bastidores dessa série pelo fato de fazer 15 anos do seu lançamento na próxima sexta-feira (02), além de pedir para que você, nesse hiatus, possa olhar para esse drama com mais carinho e quem sabe fazer um maratona até que sua série favorita retorno em setembro.

Continua após a publicidade

Erros de gravação

Imagem: HBO/Divulgação

Quando Dominic West fez seu teste através de uma fita direto da sua casa em Londres, ele pediu para que sua namorada lhe ajudasse a ler as falas de outros personagens na cena, mas o problema é que o sotaque inglês dela fez que ele ficasse distraído e começasse a rir sem parar.

Então o ator resolveu fazer tudo sozinho. A cada fala dos outros colegas de cena, ele deixava uma pausa na gravação. À primeira vista os produtores julgaram as gravações como “estranhas” e “cômicas”, mas eles reconsideram quando prestaram mais atenção no quão boa era performance de West

Quando recebeu a oferta para interpretar o personagem, ele hesitou em aceitar porque o contrato oferecido pela HBO era de cinco anos. Seu agente, entretanto, o convenceu que a série não duraria mais do que alguns episódios. A ironia é que The Wire ficou no ar por cinco temporadas.

Reunindo Democratas e Republicanos

Assim como Homeland, o então Presidente Barack Obama considerava The Wire uma das suas séries preferidas de acordo com algumas entrevistas. O mais interessante, entretanto, é que durante a campanha presidencial de 2008 a qualidade do drama era uma das poucas coisas, senão a única, que John McCain (R-Arizona) e Obama conseguiam concordar. McCain coloca The Wire juntamente com Seinfeld na sua lista de séries favoritas.

Quanto ao personagem preferido de Obama? De longe era Omar. “Isso não é um um apoio. Ele não é a minha pessoa preferida, mas certamente é um personagem fascinante,” disse o então candidato ao Las Vegas Sun. “O mais resistente e detestável da série,” completou.

Abaixo você confere uma conversa que o então Presidente teve com o criador da série, David Simon, em março de 2015.

Baseado em uma história real

Imagem: HBO/Divulgação

Com características parecidas com a de um Robin Hood, Omar foi um dos personagens baseados numa pessoa real, mais especificamente Donnie Andrews, um ex-traficante de drogas de Baltimore. Diferentemente do personagem, Donnie não era gay visto que a sexualidade de Omar foi inspirada em outra pessoa – Billy Wilson, ou Billy Outlaw como era mais conhecido.

Bubbles também foi inspirado num personagem da vida real que respondia pelo apelido de “Gambá”, um homem viciado em heroína cujas acusações foram revistas após concordar em entregar criminosos sob o preço de 50 a 100 dólares. Ele tinha uma memória fotográfica, assim como Bubbles, usava chapéus e trabalhava para o FBI, Departamento de Narcóticos e outras instituições de aplicação da lei.

Política como de costume

A sede da prefeitura de Baltimore. Imagem: P. Kenneth Burns/WYPR/Divulgação

De acordo com David Simon, logo após a terceira temporada de The Wire que foi carregada de tramas e narrativas políticas, ele rascunhou um plano para criar um spin-off, batizado provisoriamente de The Hall, que focaria no crescimento de Tommy Carcetti e na podridão que rondava, e provavelmente ainda ronda, a política da cidade de Blatimore.

Simon se empolgou e escreveu um roteiro e selecionou alguns colegas para lhe ajudar no processo de desenvolvimento, mas a HBO lhe disse, mais ou menos, o seguinte – “nós queremos apenas uma série que ninguém está assistindo em Baltimore, não duas.” A emissora então descartou o projeto assim como David Simon.

Fala-se que Carcetti, interpretado por Aiden Gillian, foi livremente inspirado em Martin O’Malley, ex-vereador e ex-presidente de Baltimore que derrotou dois candidatos negros ao cargo em 1999. O’Malley também foi governador do estado de Maryland entre 2007 a 2015, além de ter concorrido à nomeação do Partido Democrata em 2016, mas que abandonou a disputa após uma derrota arrasadora nas primárias de Iowa em janeiro de 2016.

David Simon v. Eric Holder

O ex-Procurador Geral, Eric Holder. Imagem: Pablo Martinez Monsivais/AP/Divulgação

No momento que a série conseguiu apoio suficiente da crítica e de boa parte dos telespectadores para justificar a produção de uma nova temporada, David Simon estava trabalhando em Treme. Entretanto, quando o então Procurador Geral dos Estados Unidos, Eric Holder, outro grande fã de The Wire, disse em 2011 que gostaria de assistir uma nova temporada, ele não recebeu uma resposta gentil.

Simon respondeu – “Nós estamos prontos para fazer uma sexta temporada de The Wire se o Departamento de Justiça estiver igualmente pronto para reconsiderar e falar sobre a continuidade dos processos em relação a nossa equivocada, destrutiva e desumana lei anti-drogas.”

Até a publicação dessa matéria, Eric Holder nunca respondeu.

Quem está dentro e quem está fora?

Imagem: Barry Wetcher/Warner Bros./Divulgação

Assim como qualquer outra série no seu período de pré-produção, The Wire também teve vários atores que participarem de audições bem sucedidas, mal sucedidas e outros resultados. Lance Reddick leu para dois personagens, Bunk Moreland e Bubbles, mas acabou ficando responsável por Cedric Daniels.

Tray Chaney tinha a intenção de interpretar Wee-Bey Brice, o problema é que os produtores acharam que ele era pequeno demais para o personagem. Entretanto, ele foi tão bem na audição que criaram um papel exclusivo pra ele, Poot.

Michael B. Jordan participou de uma audição com o diretor de elenco Alexa L. Fogel na cidade de Nova York para o papel de Bodie. Ele foi chamado outras duas vezes pela qualidade da leitura, mas acabou sendo descartado porque Fogel percebeu que o ator era pequeno demais para o personagem.

Avatar

Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

No comments

Add yours