Queer As Folk: drama para LGBT…WXYZ!

Em tempos de pilot season, o que mais se houve falar é adaptações de filmes, livros e de séries estrangeiras. Mas esse tipo de projeto, mesmo que se concretize, fica sempre fadado à comparações com o produto original.

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 A TV americana é cheia de adaptações, principalmente da programação britânica. Uma das que mais fez sucesso foi Queer As Folk, da Showtime. Criada por Russell T. Davies, a série é baseada na homônima inglesa, que só teve duas temporadas (somando um total de 12 episódios). Deste lado do Atlântico, a atração virou um verdadeiro hit, e atingiu a marca de cinco temporadas (entre 2000 e 2005). Não só pelos personagens icônicos, o show gerou tendência no início às vésperas do novo milênio, tanto culturalmente, quanto socialmente.

O título brinca com a frase britânica “nobody is so weird as folk” (ninguém é tão estranho como nós), que virou “nobody is so queer as folk” (ninguém é tão gay como nós). Daí é fácil entender do que a série se trata. Ela acompanha o dia-a-dia de quatro homens homossexuais que moram em Pittsburgh, na Pensilvânia, com idades entre 29 e 40 anos. Queer As Folk mudou sim a forma de mostrar o mundo homossexual na TV, mas em suma, copiava muito dos estereótipos que do mundo LGBT. Para os moldes da televisão, revolucionou ao mostrar relacionamentos e dramas da comunidade e do mundo em geral, entre eles o preconceito, adoção de filhos e até o casamento, mas, acima de tudo, mostrou que sim, dois homens ou duas mulheres podem se amar. Na estreia, a série recebeu duras críticas por conta da quantidade de cenas de sexo, mas que, num plano maior, ajudaram a desmontar a imagem do personagem gay na televisão (alguém assexuado, caricato, ou com tendências à vilania). A sensibilidade e beleza com que cada detalhe foram tratados beira à normalidade tanto quanto qualquer outro programa da TV (a cabo, é claro).

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No eixo principal da história está Brian Kinney (Gale Harold) e Michael Novotny (Hal Sparks), ambos com 29 anos, amigos desde a adolescência, mas qualidades extremamente diferentes. Enquanto Brian era totalmente narcisista, egoísta e descrente do amor, Michael era intensamente apaixonado  e muito abnegado. Os dois tinham um laço quase que inquebrável, e que atrapalhou muito na relação deles com outras pessoas. O quarteto se completava com Emmett Honeycutt (Peter Paige) e Ted Schmidt (Scott Lowell). O primeiro era o típico gay “afeminado”, e o segundo era um contador previsível e muito introvertido. Juntos, eles varavam noites na boate Babylon e tocavam fogo na Liberty Avenue.

 

 

 

Correndo por fora estava o jovem Justin Taylor (Randy Harrison), um garoto de apenas 17 anos que começa a descobrir os deleites e dificuldades de ser homossexual. Já no primeiro episódio se apaixona por Brian, e os dois passam quase todas as temporadas brincando de gato e rato. Era duro ver o quanto Brian negava amor para Justin, mas nem isso o afastou do rapaz. Claro que isso não agradou em nada Michael, que tinha um ódio incalculável pelo menino. O elo de ligação entre eles era Debbie, a mãe de Michael. Mulher trabalhadora, que além de cuidar do irmão soropositivo, fazia de tudo pelo filho, o qual ela aceitava abertamente. A personagem – interpretada lindamente por Sharon Gless – foi o grito de liberdade para os garotos e garotas da série. Ela os enxergava sem distinção, e acolhia a todos com o mesmo amor que tinha por sua cria.

O quadro de personagens principais se completa com o casal Melanie Marcus e Lindsay Peterson, lésbicas que decidem construir uma família, e optam pela inseminação artificial. Elas escolhem o sêmen de Brian para gerar seu filho, e ele acaba se colocando entre as duas. Apesar de todo drama, foram um tapa de luva de pelica na cara da sociedade, ao mostrar que duas pessoas do mesmo sexo podem sim criar uma criança, e isso não interfere em nada, psicológica ou fisicamente, no que ela um dia será. E, acima de tudo, mostraram como era (e ainda é) difícil conquistar o seus direitos, com tanta burocracia que o Estado impõe.

Como diria a música “Robocop Gay” dos Mamonas Assassinas, “gay também é gente”, e Queer As Folk foi o estopim de um movimento progressivo para uma nova forma de ver a comunidade gay. Ninguém consegue seu espaço no mundo quieto num canto, e nem tampouco fingindo ser o que não é, e esses quatro guerreiros se desnudaram – literalmente – para dizer ao globo que independente da sua sexualidade, cor ou religião, todos tem o direito de sentar à mesa da vida e celebrar o que há de melhor nela.

Equipe Mix

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