Recap: A sétima temporada de Modern Family

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É chover no molhado dizer que Modern Family já deu? É.

Depois de uma fraca sexta temporada, à exceção dos ótimos “The They We Almost Died” (6×11) e “Connection Lost” (6×16), entre mais alguns, esperou-se uma melhora na sétima temporada de Modern Family. Ledo engano. Recém finalizada, essa última continuou morna, repleta de episódios perdidos e situações desconexas.

Há tempos que o clã Pritchett-Delgado-Dunphy-Tucker tem saído do prumo. Vá lá que a audiência continue fiel (eu mesma sou um exemplo disso. Houve semanas em que assisti por “obrigação”), todavia é inegável que a série vem perdendo a mão ao insistir em piadas sexistas e xenófobas. Não funcionou, reescreve, gente. Não é obrigação alguma levar ao ar o que é de mau gosto. E não digam que isso é “chatice do politicamente correto”, porque não o é. Reparem em episódios como “Thunk in the Trunk” (7×13) ou “I Don’t Know How She Does It” (7×15) e repensem.

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Modern Family chegou como uma revolução temática, deu espaço a certa diversidade, mas sempre esbarrou no conteúdo pejorativo de algumas piadas disfarçadas em tom de crítica. O que fez da série um boom ganhador de prêmios foram justamente as críticas em tom de piada. Percebem a diferença?

Outro ponto que também tem sido observado é perda da essência do mockumentary, principalmente nas movimentações de câmera. Essa estética foi se perdendo nas últimas temporadas e, não fossem as inserções dos depoimentos dos personages, Modern Family teria se tornado mais uma sitcom comum (mas essa questão relevarei por poder recair em preciosismo e preferência minha).

Enfim, melhor elencar os pontos – e os episódios – que valeram a sétima temporada:

1) O romance entre Hailey e Andy: Um personagem secundário e uma “principal” (desculpem-me, mas Hailey mal tem aparecido, seja lá por compromissos profissionais ou pessoais), completamente diferentes, que da implicância fizeram surgir uma amizade, que por sua vez evoluiu para um romance. Plot cantando há muito, desde a primeira aparição de Andy. O casal faz gosto à família e ao público, e mesmo tendo sido pouco explorado durante a temporada, cada cena dedicada à dinâmica do casal era motivo de vibração. Afinal, acompanhamos toda a trajetória de envolvimento dos dois, desde a descoberta dos sentimentos um pelo outro, passando pelo envolvimento com outras pessoas, até finalmente formarem um casal. Clássica história do nerd desajustado que se apaixona pela bonitona da escola. Um golpe duro foi sua separação, ainda que não tenham terminado o relacionamento, em “Double Click” (7×22), a season finale.

2) Lily: de longe umas das personagens mais incríveis e menos exploradas. Ok. Entende-se que é pela idade. Ainda assim, logo que trocaram a atriz que interpretava a personagem, na terceira temporada, incluída a possibilidade dos diálogos, apresentaram uma Lily ácida e sarcástica muito bem dosada com um bocado de ternura, estampada na voz e postura da atriz. Abordagem que foi diminuindo com o tempo. Quando dão a chance, Lily brilha, como em “The Storm” (7×14), “The Party” (7×17) e “Double Click” (7×22).

3) Baby Joe: tal qual aconteceu com Lily, Joe também teve seu intérprete trocado para que fosse possível dar-lhe falas. E tem sido maravilhoso. Que criança incrível! Percebam o pontecial dessa criança dentro da série e revejam uma das cenas finais de “Double Click” (7×22), na qual ele recita filmes para Jay a treino de Gloria.

4) Aposentadoria e retorno de Jay ou Claire, a chefe: foi um bom desenvolvimento ver Jay se afastar da administração da Pritchett’s Closets & Blinds, entregando-a a Claire, filha e semelhança, não sem antes tirá-la do sério com uma boa pegadinha em “White Christmas” (7×09). Deram a possibilidade de explorar dois terrenos ainda não trabalhados para ambos os personagens. Vimos Jay aproveitar e se cansar das benesses do tempo livre, enquanto vimos Claire se desvencilhar um pouco mais daquele papel de “do lar”.

393192E aqui vão cinco episódios para se prestar atenção e, por que não, rever:

1) “Summer Lovin’” (7×01) – season premiere da sétima temporada, trouxe a família ainda reunida para a formatura de ensino médio de Alex e toda a confusão do desenlace amoroso entre Hailey e Andy. Ao longo do episódio, vimos o passar do verão e fomos acompanhando como a vida de cada personagem foi se desenrolando. O episódio converge em uma conturbada reunião familiar e estabelecendo alguns pontos de abordagem da temporada.

2) “White Christmas” (7×09) – O clã reunido em um ambiente de pouca vazão é sempre motivo para expectativas. A piada mor do episódio: Gloria querendo um natal branco, como os brancos, sem gritaria e confusão, e com muita neve, levou a família para uma cabana no meio da nada. Nem precisa dizer que saiu pela culatra. Ali as histórias se cruzaram e segredos foram revelados. Ou seja, muito drama em uma série de comédia.

3) “Express Yourself” (7×17) – Um episódio aparentemente despretensioso, mas que trouxe questões de relacionamento e gênero de maneira divertida e equilibrada, entre os vários plots que foram colocados. Talvez o melhor episódio da temporada.

4) “The Party” (7×18) – O episódio foi feliz ao trabalhar a relação entre os pares dentro da família, algo muito forte em Modern Family desde seus primórdios. Essa dinâmica de pares sempre ressaltou o quão plural é a família Pritchett-Delgado-Dunphy-Tucker e é boa de ser abordada e retomada, rendendo diversas storylines intercruzadas. Dessa vez tivemos Claire e Gloria, Phil e Mitch, Jay e Cameron e a dupla Manny e Luke, com um toque ácido de Lily. E, ao final, mais uma convergência familiar regada à confusão.

5) “Crazy Train” (7×21) – Mais um episódio com o clã em relativa clausura. Dessa vez, quem os uniu foi o casamento de Dede Pritchett, a ex-matriarca da família, ainda motivo de muitas questões mal resolvidas dentro da família Pritchett. E aqueles vagões do tem exaltaram de maneira brilhante as variadas personalidades daquela família. Sem contar a excelente referência a Titanic (aquele filme-tragédia mesmo) e as bem executadas piadas-críticas sobre as quais falava lá no início desta recapitulação.

Retome seu fôlego, Modern Family, e volte a nos surpreender na oitava temporada!

Melina Galante

Melina Galante

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.

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