Ringue Mix: Uma Secretária e uma Analista

Briga de gente grande? Não, está mais para briga de possíveis gigantes da televisão norte-americana. Temas como CIA, investigação de grandes casos e ataque terrorista estão presentes há algum tempo nas produções televisivas, e sempre – ou quase sempre – é certeza de sucesso. Seja pela simpatia dos atores que atuam brilhantemente ou pela temática, que prende o telespectador necessitado da resposta daquele caso. Porém, outro tema vem surgindo com grande influência nas produções televisivas: a política americana. Os seus conflitos, a sua importância e seu lado humanitário. Beleza, mas o que isso tudo tem haver com o Ringue Mix?

Caros gafanhotos, hoje universos que apresentam características semelhantes irão colidir em uma chuva de sentimentos. Hoje é dia de Madam Secretary State of Affairs, ambas séries estreantes na TV americana, no Ringue Mix.

 

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De um lado do Ringue…

Madam Secretary

1 temporada (2014 – atual)
11 Episódios
Criada por Barbara Hall

MMadam Secretary é aquele tipo de série que tem tudo para dar certo, mas como ninguém entende a cabeça dos americanos, acaba que ela não tem a devida atenção esperada. A trama de Barbara Hall acompanha a história de Elizabeth McGill, uma professora que, da noite para o dia, se torna a mais nova Secretária de Estado do Governo Americano. Apaixonada pelo o que faz, ela enfrenta diversas situações internacionais do modo mais inesperado possível, não levando só em conta as consequências e possibilidades no meio político, e sim buscando uma maneira humana de resolver tais situações. Além de todo o problema e pressão sofrida devido ao seu cargo de trabalho no Governo Americano, a personagem ainda tem forças para manter um clima estável e agradável em sua família.

 

Do outro lado do Ringue…

State of Affairs

1 temporada (2014 – atual)
4 Episódios
Criada por Alexi Hawley e Katherine Heigl

state-of-affairs-trailer-nbcContrário de sua oponente, que trouxe um modo único, visto por este que vos escreve, em retratar a política, State of Affairs não apresentou elementos inovadores. Afinal de contas, sabemos muito bem como é elaborada uma série que acompanha a vida de uma agente de qualquer agência de serviço secreto, seja CIA ou FBI ou NSA: o conflito pessoal, o conflito profissional e os podres surgindo ao longo dos episódios. Inovação? Não. Ela apenas utilizou de elementos propícios na história para desenvolver algo, mas não algo novo. Sim, a produção de Heigl e Hawley poderia ter um quê de inovação, algo que fosse característico da própria.

 

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O bom de se elaborar uma matéria como essa, em que as séries que estão se enfrentando, é um dos principais fatores de qualquer produção: tempo. Algumas necessitam de vários episódios para termos noção de qual o caminho ela seguirá, qual o diferencial que ela fará em meio a tantas outras séries, de qualidade ou não, e a consequência de tudo isso é a fascinação do público para com a mesma. Enquanto isso, outras já dá para saber de cara que não levará a lugar nenhum, ou pelo menos não tão cedo, e que cairá na mesmice de tudo. Seria o caso de Madam Secretary State of Affairs?

Bem, com relação ao novo drama da CBS, podemos afirmar que não. Apesar de sofrer com a audiência – já que a mesma é exibida em um dia concorrido por grandes nomes na televisão – a trama que trouxe Téa Leoni de volta a T conquista aos poucos seu público e seu lugar ao sol. Não é pelo retorno de uma atriz consagrada à TV, e sim pelo método abordado. A política americana é vista, e não neguemos, como algo rigoroso, em que os sentimentos são postos de lado e que o foco é manter o país sendo a maior potência do planeta Terra. Bem, pode ser assim, mas não é o que é repassado. Emoções e senso humanitário rodeiam todos os personagens da atração de Barbara Hall. Elizabeth precisa defender com unhas e dentes o interesse do seu país, o que é óbvio, mas de sua maneira. Quantas vezes não vimos a personagem atuar de tal maneira que deixaria qualquer um intrigado pelas suas atitudes? Quantas vezes não vimos a consequência de suas ações na sua família, algo tão sagrado para a personagem, que a machucavam intensamente?

Não ausentemos esse fator, a emoção, na nova produção estrelada por Heigl. Afinal de contas, é tudo uma equação básica. Acompanhem:

CIA = Investigações + Suspense = A obrigatoriedade de emoções, sejam dos agentes ou das pessoas por trás dos mesmos.

Tendo emoção e uma grande carga de investigação, o que é um prato cheio para os fãs de gêneros investigativos, State of Affairs chega trazendo o mínimo de impacto para a TV. Os suspenses em torno dos personagens e da história central é comum em qualquer produção, e Madam Secretary não está ausente disso. A carga emocional sobre a personagem principal, no caso Heigl, é comum a qualquer analista ou agente que precise tomar decisões drásticas em um curto período de tempo.

Expus alguns aspectos das produções, mas se perguntem: qual a semelhança delas? Simples: o objetivo em sempre resolver problemas. E são esses objetivos que fazem toda a diferença. A ambientação em que se passam as cenas, o ritmo dos diálogos ou do contexto em geral e o desenvolvimento que os personagens sofrem naquela resolução. Pode parecer estranho, mas Madam Secretary ganha infinitamente de sua oponente nesse quesito pela calma apresentada nas trocas das cenas, estabelecendo uma conexão com os fatos apresentados e levando o telespectador ao êxtase com a resolução. State of Affairs é o que costumo chamar de “vapt vupt“: você pisca e perde algo relativamente importante. Isso não é ruim, longe disso. Mas cadê a construção dos fatos, a interligação com acontecimentos passados e tantos outros elementos? Claro que a mesma pode evoluir drasticamente, visto que está no início de sua temporada.

Quanto aos casos principais: não adianta comentar. Todas, ou quase todas, produções investigativas têm algo do tipo que é trabalhado de acordo com a necessidade de cada série. Algumas, como State, relembram o mesmo em todos, ou quase todos, episódios. Madam e tantas outras trabalham de maneira sútil, mostrando as informações aleatoriamente no decorrer de sua vida para formar algo sólido!

 

E o vencedor é…

Bem, cheguei a julgar os outros colaboradores que escreveram outras matérias para o Ringue Mix por um simples motivo: né possível que seja tão difícil escolher entre duas séries. Pois bem, a escolha é mais difícil do que o imaginado, e são por vários motivos. O principal é: sou fã incondicional de séries ativas, que tragam um bom mistério, mesmo que clichê, e tenha cenas de ações incríveis. State of Affairs apresentou tudo isso com maestria, mostrando que a mesma não trouxe nada de inovador. Se sou tão fã desse gênero, o que me fez escolher Madam Secretary?

A resposta é simples: Téa Leoni. Calma, não exclusivamente a atriz, que amo com toda minha força. A personagem interpretada por ela deu um novo olhar sobre a política. Muitos, inclusive eu, imaginou que a mesma fosse algo mais rígido, sem que fosse levado em conta as questões humanitárias. Séries como essa tem uma tendência a serem calmas, que desenvolvem aos poucos seus objetivos e trilha calmamente o desenvolvimento dos personagens. A produção de Barbara mostrou com uma maestria admirável esse objetivo: se compararmos o episódio piloto com o mais recente, vemos um desenvolvimento incrível, tanto dos personagens como da história em geral. Então minha escolha foi baseada no tempo, coisa que State of Affairs não teve a oportunidade de mostrar? Também.

Três ou quatro episódios é o necessário para mostrar onde uma série quer chegar, pelo menos, em sua primeira temporada. State é na investigação do assassinato do noivo de Charleston, filho da presidente, enquanto Madam é na descoberta pelo acidente do predecessor de Elizabeth. Quando ambos os casos forem concluídos, onde chegaremos? Resposta simples: introdução de uma nova mitologia na série, o que é normal em qualquer produção. Ainda assim não conseguem entender o meu objetivo? Em síntese: State já deixou claro que quer descobrir o acontecido na visita da presidente no Oriente Médio, o que custará seriamente o desenvolver da série. Quando Madam deixou claro um dos objetivos da temporada, ou de uma parte da série? Se ela fez isso no decorrer dos episódios, quem me garante que uma nova mitologia já não foi introduzida e retornará quando esse caso for resolvido?

Sim, tenho a noção que posso estar sendo completamente ingênuo ou sem embasamento para fazer tal escolha. Porém, lembremos: essa é uma decisão minha, baseada nas minhas análises sobre ambas as produções e expectativas para as mesmas. Se estou errado ou certo, só o tempo poderá dizer. Mas, por enquanto, quem vence é Madam Secretary.

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