Scandal – 6×15/16 – Tick Tock/Transfer of Power [SEASON FINALE]

Imagem: YouTube/Reprodução

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“Certo. Parece certo”.

Se tivessem me contado que a dobradinha “Tick Tock” (6×15) e “Tranfer of Power” (6×16) eram a series finale da série, eu teria comprado a ideia e teria saído satisfeita. Aliás, satisfeitíssima. Esta sexta temporada foi brilhantemente pensada, produzida e executada e por tudo o que vimos acontecer, especialmente nessa  reta final, não consigo, pelo menos não por enquanto, não pensar que a próxima e última temporada poder servir como um prólogo à história e não me surpreenderia em nada se voltássemos já passados anos depois dos eventos da finale.

Porém, não fiquei menos encucada com alguns desenlaces e algumas reviravoltas. Outro motivo que reforça essa impressão de “acabou para sempre”. Até porque uma series finale não tem que trazer todas as respostas do mundo. Quando se cria um universo emaranhado quanto o de Scandal, com personagens tão complexos, dificilmente um final dará todas as soluções. Verdade seja dita, é mais interessante que novos caminhos sejam apontados.

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Essa parte que me encucou, me deixou enfurecida de início por não acreditar no que via e aqui estou falando das sequências finais de “Transfer of Power”. “Admirável ou ridículo?” Desconstruindo o episódio de trás para frente, ver Olivia mandando e desmandando em tudo, manipulando e atravessando quem cruzasse seu caminho, enfim, transformando-se em seu pai, me deu uma sensação de traição porque eu não queria acreditar que a jornada de Olivia Pope seria a sua jornada de transformação em Comando ou Rowan ou Papa Pope.

Já é caso consolidado que tudo o que Eli faz na vida é para proteger Olivia. Mas adicione à equação um fator de provocação que fica por conta do fato de que tudo o que Eli faz na vida é para liberar a fera que existe dentro da filha. Oras, ela é metade Maya e é metade ele. Peguei-me pensando em todas as vezes que Papa Pope disse ou fez algo propositalmente sabendo que a filha faria o contrário que no final das contas era o que ele queria de todo jeito. Entendem? Por exemplo, nesse raciocínio Eli pentelhou Fitz para reativar o B613 e o apontou como novo chefe sabendo que Olivia descobriria e que convenceria, quer dizer, manipularia Fitz a largar o osso, assumindo ela mesmo a organização. Eu nunca quis acreditar que Olivia se tornaria o pai, então imaginem minha surpresa ao vê-la tomando atitudes que o pai tomaria. Olivia é o novo Comando, Olivia dita as regras. Mas existem dois caminhos para Olivia e para nós, e não vou nem entrar no mérito de discutir o retorno desse elemento que levou embora praticamente duas temporadas da série.

Das duas uma: ou Olivia virou o demônio em pessoa, superando até a mãe e o pai, ou Olivia é tão poderosa e sagaz que beira uma auto-consciência quase que incorruptível (mesmo a gente sabendo de tudo o que ela já fez nessa vida). E tudo depende ou dependeu das sequências finais. Na primeira hipótese, Olivia se entregou à genética e ao meio e matar Luna Vargas era mais um compromisso na agenda da manutenção do sistema democrático, afinal quem naquela não havia matado um vice-presidente (a gente ri de nervoso, né). E tudo dali para frente será Olivia assumindo seu melhor pior lado. Criatura superando Criador. Não por menos, em sua última aparição, Eli se mostrou entre a perplexidade e o temor. E aí eu pergunto a vocês por onde anda o tal do chapéu branco que nossa gladiadora-mãe sempre fez tanta questão de usar. Ficou esquecido no fundo do baú, né.

Já na segunda hipótese, Olivia ainda veste o chapéu branco, ainda que aparente ter tomado rumos tortuosos. E, neste cenário, Luna Varga está viva em algum lugar do mundo. De onde estou tirando isso? Lembram-se que lá no início da temporada, quando Jake leva Olivia para uma cabana no meio da mata e fica repetindo trinta vezes que Jennifer Fields tinha que morrer? Pois, então, Olivia fala para Luna exatamente as mesmas palavras. “Você tem que morrer” ela disse. Repetidas vezes. Enfaticamente.

Sobre essa reviravolta de descobrirmos que Luna estava por trás do assassinato de Frankie, vou dar uma de convencida e falar que não digam que eu não avisei. No episódio em que ela foi indicada como vice-presidente, falei na review que deveríamos desconfiar de pessoas mega boazinhas e ilibadas em Washington D.C. porque , Scandal está aí há seis anos nos ensinando que ninguém presta na política. A surpresa – leia-se “papel de trouxa” – ficou por conta de descobrir que a sementinha do mal foi plantada por quem chegamos a defender diante de tanta injustiça, ninguém mais, ninguém menos do que Cyrus Beene. Continuo achando as motivações de Luna muito fracas e não comprei a ideia de que nunca passou pela cabeça dela que o assassinato do marido era uma possibilidade, mas quando considerando o enredo da série, ver Olivia e Cyrus bebendo juntos aos pés de Lincon foi uma de suas cenas mais memoráveis. Um resumo do que a série significa.

Imagem: YouTube/Reprodução

Mas para chegarmos a esse modelo de Olivia, repito, seja ele qual for, tivemos uma overdose de terapia familiar nada cartesiana. Entre ameaças, interrogatórios, lembranças, confissões, lavação de roupa suja, enforcamento, traições, tiros, telefonemas e restabelecimento de confiança, temos que destacar alguns pontos. O ataque de Olivia para cima da mãe e depois sua visita a Maya já no hospital, por motivos bem claros que vão justificar essas inconstâncias da personagem. Outro excelente momento é quando Eli usa o fóssil para falar do que Maya significa e suas impressões de tudo o que está acontecendo. Agora, o ponto auge da participação de Maya foi seu monólogo sobre ser uma mulher negra provendo pelo companheiro. Aquilo foi de uma potência descomunal, que ecoou diretamente em quem Olivia Pope quer ser.

Porque ela quer ser a mulher que nem na cara do amado olha no momento da despedida, e ela também quer ser aquela mulher que sai correndo gramado à fora e tasca um beijão no mesmo amado na frente da imprensa nacional, quiçá internacional, como se nada estivesse ali. Porque Olivia pode ser o que ela quiser. Eu só não gostaria que ela virasse esse ser inescrupuloso e que desse uma chance ao afeto no lugar da manipulação. Deu até pena de Fitz, o maior alvo de todo esse jogo, mas daí passou rápido. Liv também quer a Chefe de Estado que sabe o que é melhor para sua Presidenta Eleita ao passo que quer ocupar e desfrutar o lugar que lhe é de direito.

O que nos leva a exaltar Mellie Grant mais uma vez e dizer que não me canso dessa personagem maravilhosa. Shonda Rhimes tinha planos, ainda que não declarados, quando pensou nessa trama presidencial. E se na realidade o sonho da showrunner democrata não se concretizou, pelo menos na ficção os EUA tiveram sua primeira presidente mulher. Covardia seria se lhe tivessem tirado o direito de esfregar na cara do mundo que sim, nós garotas podemos e vamos ser o que quisermos. Precisamos de mais Mellies no mundo, mulheres dispostas a se colocarem. E precisamos de mais Olivias que entendem a necessidade do momento e apoiam as Mellies. Eu shippo demais essa duplinha, gente!

Mas nem só de Casa Branca viveu o episódio. Na OPA, tentaram criar um pequeno conflito em Quinn, grávida de Charlie, e seu futuro como chefe da OPA. Trouxeram Abby de volta à jogada com direito a uma tão esperada redenção e até que ficou natural. Era esperado que fossem arranjar um jeito de levarem Whelan de volta ao campo de gladiadores porque, do contrário, ela ficaria meio perdida, se função aparente. E uma personagem como a dela não pode ser dispensada. Fora que uma vez uma gladiadora, sempre gladiadora.

No todo, foram bons episódios, sendo o 6×16 bem melhor do que o 6×15, é claro. Mas tiveram um bom ritmo que balanceou calmaria e reviravolta conforme os minutos passavam. Sobre o que eles nos deixaram uma coisa é certa: independentemente de qual for a versão de Olivia que veremos daqui em diante, seja a the monia, seja a salvadora da pátria, sabemos que ela tem um cão guarda para o que der e vier, até o dia em que ele cansar. Para essa relação entre Olivia e Jake só consigo pensar naquela música da Kelly Key, aquela do cachorrinho obediente à dona. 

E outra, tenham sempre em mente que Mellie não é Fitz – nem Olivia é Cyrus our Abby. Eu espero então, no mínimo, vários arranca-rabos entre as duas na próxima temporada. Eu já falei que vai ser a última? Deixo aqui meu coração cheio de satisfação pelos rumos que a série tomou e por saberem a hora de encerrar um ciclo.

P.S.: Grito e berro com Olivia julgando a cadeira de Quinn.
P.S. 2: Que dozinha do Huck vendo Quinn e Charlie comemorando a gravidez dela. O bichinho não dá sorte e tudo o que ele quer é uma família maior – ou a dele de volta.
P.S. 3: Mais um presidente, mais um suborno intimidatório para David Rosen.
P.S.  4: A troca de olhares  entre Mellie e Marcus. Eu ainda acredito!  Alguém tem que sair bem dessa série.
P.S. 5: Vivi para ver o dia em que me emocionaria com Olitz… Foi um “Mr. President” impactante. Por mais que eu jurasse que o helicóptero fosse explodir. Mas não era Grey’s Anatomy.
P.S. 6: Impagável ver Cyrus Beene afogado em chocolate. Rolou uma identificação.

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