The Beauty, nova série de Ryan Murphy, é bizarra e exagerada | Review

Mais um exagero da mente de Ryan Murphy. Assim pode ser definida The Beauty – Lindos de Morrer.

Ryan Murphy nunca foi conhecido pela sutileza, e The Beauty deixa isso claro logo nos primeiros minutos. A nova série de terror satírico mistura glamour, body horror extremo e comentários sociais em uma experiência que oscila entre o brilhantemente absurdo e o completamente descontrolado. Mas afinal: funciona?

Uma premissa tão bizarra quanto intrigante

A história acompanha uma sequência de mortes chocantes envolvendo modelos e pessoas extremamente belas que simplesmente… explodem. Investigando o caso estão os agentes do FBI interpretados por Evan Peters e Rebecca Hall, que logo descobrem a existência de “The Beauty”, um vírus sexualmente transmissível capaz de transformar qualquer pessoa em um verdadeiro padrão de beleza – após um processo doloroso, grotesco e muitas vezes fatal.

Por trás disso tudo está uma corporação comandada por um bilionário vivido por Ashton Kutcher, que vê na doença uma oportunidade de negócio: vender a beleza perfeita como produto. É um conceito que flerta com a sátira social, mas que também abraça o exagero sem pedir desculpas.

the beauty serie data de estreia
Imagem: Divulgação.

O horror corporal como espetáculo

Se você já assistiu a outros trabalhos de Murphy, sabe que aqui tudo é elevado ao máximo. Transformações físicas gráficas, próteses impressionantes, ossos quebrando, pele se rasgando e corpos se reconstruindo fazem parte do pacote. Em vários momentos, The Beauty parece menos interessada em contar uma história coesa e mais empenhada em provocar reações do tipo “o que foi isso que eu acabei de ver?”.

E curiosamente, é quando a série abraça esse caos que ela funciona melhor. As sequências mais exageradas são também as mais memoráveis, especialmente quando o roteiro abandona qualquer tentativa de ser profundo e aposta no choque, no humor ácido e na estética grotesca.

Crítica social… só até certo ponto

A série tenta discutir padrões de beleza, obsessão estética, validação sexual e até o impacto das redes sociais. O problema é que essas reflexões quase sempre ficam na superfície. Os diálogos soam didáticos demais e, em alguns casos, até deslocados, principalmente quando contrastam com um elenco formado quase exclusivamente por corpos “perfeitos” filmados de forma fetichizada.

Ainda assim, há episódios e subtramas que surpreendem positivamente ao explorar usos alternativos do vírus, como tratamentos médicos e questões de identidade de gênero. Nessas horas, The Beauty mostra que poderia ser mais do que apenas uma vitrine de excessos.

Então, vale assistir The Beauty?

The Beauty – Lindos de Morrer não é uma série para quem busca coerência ou profundidade constante. Ela é irregular, exagerada e muitas vezes contraditória. Mas também é ousada, visualmente impactante e estranhamente viciante. Para fãs do estilo de Ryan Murphy e de terror corporal sem freios, vale o play. Para quem prefere narrativas mais contidas, talvez seja melhor manter distância.

A série está disponível no Brasil pelo Disney+.





The Beauty, nova série de Ryan Murphy, é bizarra e exagerada | Review
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.