The Crown – 1×05 – Smoke and Mirrors

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“Sou sua mulher e rainha, e um homem forte se ajoelha perante ambas. ” Rainha Elizabeth II

Esse episódio concentrou-se na monarquia e deixou de lado os conflitos políticos, trazendo dois casais a boa parte da narrativa, a Rainha Elizabeth e seu marido Philip, e o Duque e a Duquesa de Windsor. Apesar de mostrar a coroação da rainha, um momento pelo qual eu e outros espectadores aguardavam ansiosamente, o episódio pareceu menos relevante do que a produção esperava e ainda menos estonteante do que eu imaginava.

Edward e sua esposa Wallis retornam à trama, e como eles pareceram mesquinhos neste episódio! A produção se mostra corajosa ao retratar figuras notáveis e importantes, nos fazendo criar sentimentos como simpatia ou certa aversão a personagens da realeza e corte real. O duque viaja para acompanhar sua mãe em seus momentos finais na Inglaterra, que está muito debilitada e já não tem condições de sair de seus aposentos. Ainda em Londres, é confrontado a cerca da cerimônia de coroação da rainha, onde é advertido como esperado a não trazer sua esposa, a duquesa de Windsor, por não ser bem vinda. E o ex rei Edward VIII, o duque de Windsor, em um roteiro onde se apresenta egocêntrico e superficial, inteligentemente também se mostra alguém que se justifica por amor, cercado por extremo poder e influência, condenado ao exílio e repulsa real por escolher algo muito mais valioso para ele.

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Como julgar?! Demonstra fraqueza por abandonar a coroa e uma nação por uma mulher e seu amor, ou exatamente o contrário? O fato é que todos fazem sacrifícios. E em todo o seu drama, Edward se torna cada vez mais um personagem interessante e em partes divertido, como na narrativa futriqueira da coroação da rainha, momento hilariante para seus convidados. A avó de Elizabeth e mãe de Edward, uma personagem que eu amava, teve sua morte tranquila como a do rei George VI e nos deixa esperançosos que os fabulosos diálogos e conselhos continuem acontecendo.

Outro drama que eu adoro acompanhar e que tem sido muito importante para o crescimento dos personagens é a relação da rainha Elizabeth com seu marido Philip, o duque de Edimburgo. Constantes confrontos onde Elizabeth precisa se posicionar como rainha e abrir mão de prazeres de uma vida comum são os episódios mais importantes da trama. A coroação da rainha finalmente está para acontecer e, numa tentativa de ocupar seu marido Philip e deixá-lo mais próximo dos interesses reais, Elizabeth o nomeia presidente do Comitê de Organização da Coroação. Escolha questionável e interpretada pela maioria de seus conselheiros como um ato para mostrá-lo mais importante e não como um simples vassalo à sombra de uma esposa rainha.

O duque de Edimburgo assume o posto e, carregado com seus ideias modernistas, sugere uma coroação mais igualitária e menos ostentosa, demonstrando maior respeito e sensibilidade para com o mundo real. Uma sugestão que levanta discussão e burburinhos é a transmissão ao vivo da coroação. Um reinado de uma nova soberana e jovem rainha precisa se mostrar mais progressista e moderno. Philip começa a ir longe demais com sua autonomia total e é repreendido pela rainha, que não está disposta a abrir certas exceções ao duque apenas por ocupar a posição de marido da rainha. E como Claire Foy está fantástica nestes momentos, as mulheres amam esses momentos na TV.

Quando a coroação acontece, eu me decepciono um pouco, mas entendo a decisão sábia. Ela é apresentada no episódio a maior parte do tempo, através das imagens capturadas pela transmissão ao vivo, nos colocando na posição de espectadores, como de fato somos, e não acompanhando um ostentoso capítulo na série com grandes imagens e cenário espetacular. Como já disse, entendo a posição da produção, um momento de muita ostentação e luxo talvez não fossem reproduzidos à altura da realeza, nem mesmo a Netflix, com um dos projetos mais caros, poderia apresentar com maestria e profundidade um momento como a coroação, mas eu gostaria #chateada.

Se não podemos acompanhar a coroação na sua totalidade, ao menos acompanhamos um dos momentos mais lindos, a unção. Abordada desde o inicio do episódio, com uma lembrança de Elizabeth quando o pai se preparava para o momento, como um dos momentos mais preciosos e importantes da ascensão ao trono. Foi lindo, cada gota de óleo sagrado tocando a rainha com a benção do arcebispo transformava a jovem rainha em alguém maior, alguém em quem a nação deposita sua lealdade e esperança, uma inspiração e ideal superior, algo divino em que acreditar e seguir.

As cenas finais foram bastante dramáticas e de profunda sensibilidade. Philip se ajoelhando perante a rainha, algo que não gostaria de fazer, mas que precisa, como todos. E o duque de Windsor tocando sua gaita de fole, algo que faz quando sente falta de casa e talvez de quem poderia ter se tornado.

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