The Good Doctor – 1×04- Pipes

Imagem: IMDb/ABC/Divulgação

“Eu quase beijei uma garota. Uma vez.” – Shaun

Yeahh! Tivemos um episódio bem focado no Shaun dessa vez, tanto dentro como fora do hospital… e descobrimos umas coisinhas interessantes sobre ele. Aos poucos estamos vendo esse personagem se formar, e entendendo mais seus medos, ansiedades e traumas que tanto lhe afetam hoje.

Shaun está sob muita pressão, que está fazendo com que ele tenha uns ataques de ansiedade e até de stress, que culminou com ele chamando o Dr. Glassman no meio da noite para o ajudar a encontrar a sua chave de fenda, porque ele precisava consertar a sua pia que estava pingando. E quando eu digo “consertar”, não esqueçam de quem nós estamos falando. Já que tudo nele é peculiar, o “consertar” dele pode ter um significado diferente do que você está acostumado. Nesse caso, consertar nada mais é que ajustar a torneira para que ela pingue um pouco mais devagar, para ficar igual a da sua antiga morada, mas que continue pingando (e isso era realmente importante para ele, haha).

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Os casos médicos também foram bem interessantes. Dr. Melendez e Dr. Kalu trataram uma paciente grávida, que tinha um tumor crescendo junto com o feto, o que estava o impedindo de se desenvolver adequadamente. O caminho mais seguro seria interromper a gestação e fazer a retirada do tumor, e assim salvar a mãe, já que continuar desse jeito provavelmente mataria os dois. Mas a paciente não estava interessada no caminho mais seguro e queria manter a gestação e ter o seu bebê, aceitando o risco de não sobreviver. O marido era contra a cirurgia e a chance de salvar seu filho, o que fez com que o conselho tivesse que decidir se iriam em frente e arcariam com os altos riscos desse procedimento.

No fim, a cirurgia foi bem sucedida e foi uma bela cirurgia fetal, onde vimos o feto ficar de fora da barriga da mãe, enquanto o tumor era retirado. Uma difícil cirurgia que mais uma vez provou que Dr. Melendez tem um diferencial e consegue fazer coisas que quase todos os outros médicos duvidam. Claro, ele sempre conta com as ideias inovadoras dos seus residentes. Está bem, tenho que dar um crédito para o Dr. Jared. Nesse caso, foi ele quem teve a ideia que fez essa cirurgia ser possível. Será que estou sendo egoísta por querer que só o Shaun tenha ideias de destaque? Acho que sim… haha

Dr. Murphy e Dra. Browne ficaram mais uma vez com o serviço de rotina (aquele que ninguém quer fazer), como punição por ele ter chegado atrasado novamente e por estar sendo defendido por ela. Dessa vez, eles fizeram o serviço que o Dr. Andrews (aquele, o chefe do departamento todo) não queria fazer, e com toda a razão, né? Quem quer tirar um furúnculo na região genital de uma paciente? Mas dessa vez o tiro saiu pela culatra, e o que era para servir de punição serviu para mostrar que o Dr. Murphy é realmente um médico brilhante, que consegue fazer diagnósticos precisos, quando ninguém mais consegue, e também descobrir saídas que causem menos danos aos seus pacientes que ninguém mais havia pensado.

Claro, o furúnculo não era realmente um furúnculo e, sim, um mioma. E com o resultado na cirurgia para retirá-lo a jovem de 18 anos iria perder a sua “sensibilidade” nas partes genitais. Ainda bem que o Shaun estava lá e teve mais uma de suas ótimas sacadas inspirada no funcionamento dos canos da sua pia, deixando o Dr. Andrews bastante impressionado. E aí ele ganhou uns preciosos pontinhos com ele, claro, que vão ser de muita ajuda lá na frente.

Foi engraçado ver o Dr. Andrews querendo conhecer melhor o Shaun, perguntando sobre abraços e namoradas. E o Shaun também quis conhecer ele melhor, perguntando qual era o melhor momento para zombar dele (ai ai, essa sinceridade do Shaun rende os melhores momentos da série).

Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a relação do Shaun com a sua vizinha Lea. Vamos passar a chamá-la pelo nome, porque acho que ela veio para ficar e para somar viu! Ela está conhecendo o Shaun, sem saber que ele tem autismo. É claro, ela nota que ele é diferente, mas não acha isso negativo, gosta da sinceridade dele, que dessa vez disse que ela estava fedendo (risos). Mas ela também achou graça e devolveu dizendo que ele também é um péssimo vizinho, porque pega as baterias que emprestou de volta e a acorda no meio da noite batendo em canos…. haha

Outra descoberta interessante é que nosso protagonista curte um filmezinho pornô. Isso mesmo… Mas o que tem demais? Ele também não é de ferro, , gente?

E dessa vez o flashback da infância do Shaun foi difícil de assistir. Imagino como foi ter vivido isso. Eu sei que é ficção, mas quando a atuação e a trama são boas, a ideia é nos esquecermos disso e sentirmos na pele o que estão sentindo. Tive muita pena dele e refleti como brincadeiras estúpidas e bullying podem marcar sua vida e te causar transtornos na vida adulta.

Mas vamos falar a verdade aqui agora. Nem tudo são flores em The Good Doctor. Eu amo de paixão essa série, vou assisti-la enquanto ela existir e espero que isso aconteça por longos e longos anos. Masssssss, a série tem uns problemas, e mesmo que os números sejam impressionantes, sabemos que para uma série se solidificar, ela precisa ser completa. Resolver alguns desses problemas garantiria mais dinâmica a série e atrairia mais a atenção das pessoas que ainda estão esperando para serem fisgados por ela.

Por exemplo, por que não colocam um gancho no final do episódio? Daqueles que deixam a gente louca pelo próximo? Todo episódio termina sem ter criado uma expectativa para o próximo e isso deixa as coisas meio mornas, não dá pra ficar focado só nos casos médicos de um episódio e nas rotinas dos médicos. Tinha que ter algum drama envolvendo cada um deles. Estou sentindo falta disso.

Outro ponto: Aquelas discussões do conselho sobre a legalidade de umas cirurgias, as implicações jurídicas, os conflitos éticos, na maioria das vezes são bem chatinhas e desnecessárias. Gosto quando tem uns arranca rabos, uns argumentos bem colocados, uns posicionamentos firmes igual do primeiro episódio na contratação do Shaun. Mas quase sempre elas são dispensáveis.

Sem falar dos relacionamentos fora do hospital. Kalu e Browne são meio forçados juntos, não está me envolvendo. Eles já são meio sem graça separados e juntos não está sendo muito diferente. Não estou comprando esse romance deles e também não compro o do Dr. Melendez. Acho eles rasos, sem paixão. Só aposto mesmo no romance do Shaun com a Lea…

E por último, eu acho as cirurgias meio sem emoção. Não sei se é por eu ser formada em 14 temporadas de Grey’s Anatomy, acabo comparando um pouco. Em The Good Doctor, até quando elas dão errado não tem emoção. Quando dão certo também não emociona do jeito que deveria. Acho que é isso que está faltando nessa série, um pouco mais de paixão, para fazer todos se apaixonarem por ela de verdade.

Porém gostei do episódio. Foi divertido, leve,… Foi bom ver o Shaun receber elogios do chefão. Foi melhor ainda ver ele interpretar o que o Dr. Glassman disse ao pé da letra e ir procurar o síndico no meio da noite, pois ele disse: “Você pode procurá-lo a qualquer hora.” E mais legal ainda ver ele voltar a incomodá-lo para reclamar que ele havia arrumado a sua torneira, mas que ele não tinha pedido para ele arrumar, porque ele mesmo já havia a arrumado para ficar do jeito que ele gosta, e agora teria que arrumá-la de novo…haha

Os momentos do Shaun são ótimos, não vejo defeitos nem mudaria nada, mas está na hora dos outros personagens crescerem também e tirarem um pouco esse peso das costas dele. A gente tem que gostar deles também, temos que querer vê-los, conhecer suas histórias e seus dramas. Aí, sim, essa trama vai ser 100%. Pois não está certo eu comemorar porque tivemos um episódio mais focado no Shaun. O episódio deveria se segurar e me prender independente disso, e essa é uma dura verdade que precisava ser dita.

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