Em The Last of Us, muitos objetos carregam significados profundos, mas nenhum deles é tão simbólico quanto o velho relógio quebrado de Joel Miller. O acessório, que poderia passar despercebido para olhos desatentos, é, na verdade, uma peça fundamental para entender o personagem — sua dor, seu amor e, no fim das contas, sua redenção.
Com o destino trágico de Joel na 2ª temporada da série, o relógio ganhou ainda mais peso emocional. Mas por que ele é tão importante? Vamos relembrar.
Um presente que nunca foi consertado — e nunca deveria ser
Logo no início da história de The Last of Us, ainda antes do mundo ruir, Sarah (Nico Parker) presenteia o pai com o relógio consertado. Era um gesto simples, mas cheio de amor: algo para ajudar Joel a se sentir cuidado, amado, notado. O presente, no entanto, não sobreviveu intacto à tragédia que se seguiria naquela mesma noite.
Quando Sarah morre, brutalmente, nos braços de Joel, o relógio — como ele próprio — permanece quebrado. E Joel nunca tenta consertá-lo. O relógio, parado no tempo, é um lembrete constante de tudo o que ele perdeu, da culpa que carrega, da dor que nunca cicatrizou.
É um símbolo silencioso, mas poderoso: Joel não quer se curar. Ele quer lembrar.

Ellie e o despertar de uma nova esperança
A importância do relógio é reforçada de maneira sutil em um dos primeiros encontros entre Joel e Ellie (Bella Ramsey), quando ela observa: “Seu relógio está quebrado”. É uma frase simples, mas cheia de camadas.
Ellie é a primeira pessoa, em muito tempo, a enxergar Joel de verdade. E, sem perceber, ela começa a ocupar um espaço que Joel pensava ter perdido para sempre: o de alguém digno de ser protegido, amado — mesmo em um mundo brutal como o deles.
Com Ellie, Joel lentamente se permite baixar a guarda. Ele fala sobre Sarah, revive memórias dolorosas, e, mais importante, aprende que ainda pode amar. O relógio em The Last of Us permanece quebrado, mas algo dentro de Joel começa a se consertar.


O relógio no momento mais sombrio em The Last of Us: a morte de Joel
Na 2ª temporada de The Last of Us, Joel encontra seu destino nas mãos de Abby — e, fiel à sua história, ele morre usando o relógio que Sarah lhe deu. No fundo, é devastador, mas também poético.
No momento em que sua vida se apaga, Joel carrega consigo o maior símbolo de seu amor por Sarah, e, agora, por Ellie. É como se, de alguma forma, suas duas filhas estivessem presentes: Sarah no pulso, Ellie ao seu lado, gritando e chorando.
A cena é brutal, mas o detalhe do relógio adiciona uma camada de humanidade ao horror. Joel não morre como um herói clássico; ele morre como um homem quebrado, tentando encontrar redenção através dos laços que construiu.
Tommy, o adeus e a última homenagem
Após a morte de Joel, seu irmão Tommy encontra o relógio ainda preso ao seu pulso. Ao vê-lo, diz: “Dê meu amor à Sarah“. Em uma série repleta de perdas e brutalidade como The Last of Us, esse pequeno gesto — guardar o relógio para Ellie — é uma das provas mais belas do respeito que Joel ainda inspirava em quem o amava.
Para Tommy, o relógio representa mais do que a memória de Joel: é a certeza de que, em algum lugar, Joel e Sarah estão juntos de novo.