The Strain – A Origem da Escuridão

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Guillermo Del Toro teve uma ideia. Ainda não muito famoso, o mexicano resolveu levar sua criação para alguns canais de TV no intuito de rodar uma série. Infelizmente, a história de vampiros completamente trash e obscura foi ignorada e recusada por todas as emissoras. Não se sabe o ano exato em que Del Toro procurou por canais para a sua série; o fato é que ninguém queria uma trama tão pesada e violenta, e o pior: com monstros no lugar de galãs pálidos e apaixonantes. Del Toro, então, resolveu convidar o amigo e escritor Chuck Hogan para levar sua ideia às páginas. E assim nasceu a Trilogia da Escuridão, que iniciou com Noturno, seguiu com A Queda e recentemente terminou com Noite Eterna.

Quem conhece Del Toro e suas obras, sabe que se estilo é o mais obscuro possível. Todos os seus filmes envolvem túneis, cavernas e qualquer lugar escuro, úmido e misterioso. Outra característica marcante do diretor/roteirista/produtor é o apreço por sangue, tripas, amputações, etc. Não são raras as cenas envolvendo autópsias e violência explícita. Nos livros, a imaginação dos autores vai a lugares inimagináveis, e a série de TV não fica muito atrás, apostando na violência gráfica. O primeiro romance, Noturno, descreve em detalhes a transformação física e psicológica daqueles que viram strigoi. Os strigoi não são necessariamente vampiros, mas monstros que se alimentam de sangue e possuem outras habilidades sobre-humanas. Del Toro, que adora lendas estrangeiras, trouxe o termo e as características do folclore romeno.

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A série, produzida pelo canal FX, respeita a visão dos livros e tenta transpor às telas cada sórdido detalhe dos livros. Cada osso que se quebra causa um som incômodo; as veias ficam evidentes sob a pele pálida; os órgãos genitais se fecham ou caem; e assim as transformações se seguem. Mas a fidelidade às páginas não param por aqui: tendo Del Toro e Hogan como produtores, a primeira temporada e notavelmente fiel ao primeiro livro. É claro que alguns detalhes são alterados, afinal, os meios são completamente diferentes: as tramas têm ritmos completamente distintos de um livro para um filme ou série. Cenas descritas em mais de cinco páginas podem virar uma curta sequência de poucos segundos nas telas. Além disso, os livros da trilogia não são muito longos, assim, algumas coisas foram alteradas e/ou inseridas para que as treze horas de série fosse preenchidas.

Para começar, Noturno começa com um interessante flashback que nos mostra Abraham Setrakian ainda menino, na Polônia ainda não invadida pelos nazistas. Na sequência, a avó de Setrakian conta a história de um gigante que se alimentava de sangue e seqüestrava e matava pessoas em um gélido vilarejo. Fica subentendido que o monstro gigante das histórias da avó é o mesmo Mestre perseguido por Setrakian no presente. A série, por outro lado, começa diretamente no capítulo seguinte, que insere o incidente no avião, pulando completamente o flashback. Tirando essas mudanças pequenas, The Strain segue rigorosamente a ordem dos acontecimentos do livro e traz às telas as cenas como foram escritas.

Não é à toa, por exemplo, que algumas cenas do piloto são idênticas a algumas ilustrações da HQ oficial baseada na trilogia literária. Ainda assim, algumas mudanças, por menores que sejam, incomodam. A primeira temporada é excelente, mas falha ao transpor alguns elementos do romance. Para começar: Vasily Fet é um dos melhores personagens do livro; na série, o sujeito é ofuscado e deixado de lado, sendo um mero coadjuvante. Outro personagem mais apático na TV do que no livro é o protagonista Eph Goodweather. Outra parte da série que fica devendo para o livro é o final. O clímax do livro e a presença do Mestre são muito mais impactantes nas páginas do que na série, onde tudo acontece muito rápido. Os personagens, no geral, permanecem como os dos livros. Dutch, a hacker, porém, é uma personagem totalmente original da televisão.

Del Toro e Hogan escreveram o livro sem pensar em adaptá-lo posteriormente, sejam como série oustrain hq filme. Ainda assim, o livro tem a cara de uma série de TV; cheio de personagens e tramas paralelas, o livro é todo escrito como se fosse um roteiro, estabelecendo as locações e desenvolvendo as sequências. No intervalo entre uma porção de capítulos, os autores inserem flashbacks, muito parecido com o que é visto na TV. A primeira temporada cobriu o primeiro livro de maneira satisfatória. Para a próxima temporada, porém, a promessa é de que a adaptação se distancie ainda mais da obra original. Isso porque os produtores pensam em cinco temporadas (existem apenas três livros); além disso, a história e os personagens são muito ricos, o que possibilita mais e mais tramas interessantes.

A segunda temporada de The Strain ainda não tem data de estreia, mas retorna em 2015 no FX.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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