A série Tremembé, lançada no Amazon Prime Video, tem gerado grande repercussão ao recriar a rotina da penitenciária paulista que ficou conhecida como “a prisão dos famosos”. Baseada em fatos reais, a produção mistura ficção e realidade para revisitar alguns dos crimes mais marcantes do país — entre eles, o caso de Isabella Nardoni, que chocou o Brasil em 2008.
No centro dessa história estão Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, interpretados na série por Bianca Comparato e Lucas Oradovschi. A trama propõe uma nova leitura sobre o convívio do casal dentro da penitenciária, ao mesmo tempo em que revisita o crime e suas consequências.
O retrato do casal em Tremembé
Na série Tremembé, os personagens de Bianca Comparato e Lucas Oradovschi vivem momentos de tensão, isolamento e negação. Tremembé mostra como Anna Carolina e Alexandre tentam defender a própria inocência, mesmo após a condenação, reencenando a noite do crime e refletindo sobre as marcas que o caso deixou em suas vidas.
Bianca Comparato, que antes havia protagonizado 3%, a primeira série brasileira da Netflix, mergulha em um papel real e controverso. Sua Anna Jatobá aparece como uma mulher fria e calculista, mas também vulnerável diante do confinamento e da exposição pública.
A proposta da série Tremembé não é inocentar ou condenar novamente os personagens, mas expor o cotidiano dentro da prisão, os jogos de poder e as relações entre detentos que foram alvos da opinião pública. Tremembé traz uma linguagem provocativa e realista — sem romantizar o crime, mas também sem ignorar as nuances humanas por trás dos nomes estampados nas manchetes.
O crime que chocou o país
O caso real aconteceu em 29 de março de 2008, quando Isabella Nardoni, de apenas cinco anos, foi encontrada morta após cair do sexto andar do prédio onde morava o pai, Alexandre, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na Zona Norte de São Paulo.
A investigação apontou que Isabella havia sido agredida, esganada e asfixiada antes de ser jogada pela janela. Alexandre teria cortado a rede de proteção e lançado a menina, enquanto Anna Carolina ajudava a encobrir o crime.
Em 2010, ambos foram condenados — Alexandre a 30 anos de prisão e Anna Carolina a 26 anos. O caso se tornou um dos julgamentos mais acompanhados da história recente do Brasil, marcando profundamente a cobertura policial e o debate sobre justiça e impunidade.
A vida após a prisão
Depois de mais de 15 anos presos na penitenciária de Tremembé, Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni cumprem atualmente pena em regime aberto. Ela obteve o benefício em junho de 2023, e ele, em maio de 2024.
Em dezembro passado, a Justiça autorizou o casal a passar o Réveillon em um condomínio de luxo no Guarujá, no litoral paulista — decisão que gerou forte reação pública. De acordo com o processo, a viagem foi permitida dentro das regras da Lei de Execução Penal, que prevê a ressocialização de condenados.
Nardoni também conseguiu abrir uma microempresa individual em São Paulo e trabalha como promotor de vendas de apartamentos. Ambos vivem hoje na capital, em um imóvel pertencente ao pai de Alexandre, e seguem legalmente casados.

A “verdade por trás” segundo Tremembé
A série da Amazon propõe uma reflexão que vai além do crime. Ela questiona o sistema prisional brasileiro, a exposição midiática e a linha tênue entre castigo e sobrevivência.
Ao retratar Anna Jatobá e Alexandre Nardoni, Tremembé mostra como dois dos criminosos mais odiados do país lidam com o peso da culpa, o isolamento e a tentativa de reconstruir uma vida após a prisão.
A produção não busca revisitar o julgamento, mas sim mostrar o que acontece depois — como essas pessoas convivem, se transformam e, em alguns casos, são reintegradas à sociedade.
Entre o real e o ficcional em Tremembé
Com direção de Vera Egito, Tremembé é inspirada em livros de Ulisses Campbell, jornalista que investigou os bastidores da penitenciária e entrevistou ex-detentas. O resultado é uma série que mescla fatos, dramatização e reflexão social, abrindo espaço para o espectador pensar sobre culpa, redenção e o sensacionalismo que cerca esses casos.
No caso de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, a série acerta ao equilibrar o impacto real de seus crimes com uma abordagem crítica sobre o sistema que os puniu — e sobre como o Brasil ainda lida com histórias que nunca deixaram de ecoar.