True Blood – 7×01 – Jesus Gonna Be Here

tb701

Continua após a publicidade

 

True Blood já foi minha série favorita. Foi. Descobri o programa quando a segunda temporada chegava ao fim. À época, True Blood era uma série viciante, bem escrita e extremamente envolvente. Era aquele tipo de série que você não consegue parar de assistir: era episódio atrás de episódio, temporada atrás de temporada. Os personagens eram carismáticos, as reviravoltas surpreendentes e a fantasia ainda era contida. Era um programa tão bom que não só era sucesso entre o público como também foi indicado ao Emmy de Melhor Série – Drama, feito notável para uma série que mistura horror e fantasia descaradamente. O fato é que após a terceira temporada True Blood entrou em declínio. Aos poucos, lobisomens se tornavam personagens importantes na trama, as fadas se tornavam cada vez mais ridículas (não há fã da série que possa defender as fadas dizendo que elas não são vergonhosas) e a série foi perdendo o rumo. Teve até monstro de fumaça e mais umas bobagens inenarráveis. Mas por algum motivo, que foge às razões da lógica e do bom senso, continuei dando atenção a True Blood. Foi uma das primeiras séries que acompanhei com vontade e dedicação, e o valor sentimental conta. Além de ser uma criação de Alan Ball, o gênio por trás de Beleza Americana e Six Feet Under.

Mas se até o Alan Ball largou a série, deixando o comando nas mãos de quem quer que seja, por que eu, com tantas outras séries pra assistir, continuo acompanhando essa história que já perdeu o rumo? Não tenho resposta. No fim, True Blood pode ser aquele famoso guilty pleasure, que você sabe que é ruim, reconhece os erros, mas mesmo assim assiste e gosta. Além disso, estamos na última temporada; falta pouco e talvez até sintamos saudade quando tudo se terminar.

O mais interessante deste retorno é que a nova trama é mais contida e menos cafona que as anteriores. Nada de Warlow ou fadas malvadas. A ideia, pelo que podemos perceber, é focar na luta de humanos e vampiros, que finalmente tiveram de se unir e acertar as diferenças; contra vampiros contaminados por Hepatite V, que são muito mais perigosos e imprevisíveis que vampiros saudáveis. É um plot mais “pé no chão” que poderia ter sido utilizado em temporadas anteriores. A impressão que fica é que os escritores de True Blood resolveram encher a série de tramas absurdas só para gastar tempo, e na temporada final, enfim, se concentrar numa história realmente interessante e lógica. Não é errado pensar, portanto, que a ideia para esta temporada final já fora pensada lá no início da série. O meio foi distorcido, mas o final voltou aos rumos previamente planejados.

A season premiere, aliás, trás outras tramas interessantes. Pam procurando Eric nos cantos mais remotos do mundo promete render bons momentos, mesmo que de início pareça um núcleo desinteressante dentro do contexto da série. Humanos e vampiros aliados e tendo que deixar os preconceitos de lado é um retorno claro às raízes da série, que debatia sobre preconceito e intolerância numa clara e bem elaborada metáfora que parece ter se perdido no meio do caminho. É interessante voltar a ver os personagens de ambas as “raças” discutindo sobre a importância da união e do suporte que uns podem dar aos outros. O fato de cada humano ter um vampiro e vice-versa pode soar meio idiota, mas é uma forma de tratar essa conflituosa união.

Mas nem tudo funciona ou melhora neste retorno. Sookie, por exemplo, segue com uma forte vontade de morrer. Ao ouvir os pensamentos maldosos sobre ela, não hesita em abandonar o local e caminhar sozinha pela floresta e pela cidade lotada de vampiros (saudáveis e infectados) e uma porção de outros seres fantásticos e perigosos. É uma besteira que a personagem sempre fez e continua fazendo. Uma fase que poderia ter sido esquecida. Além disso, Sookie merece ficar sozinha. Já namorou praticamente todo o elenco, mas briga e levanta drama com todos eles. A aparente felicidade ao lado de Alcide cai por terra ao ver que a fada segue tendo problemas de relacionamento. Não me surpreenderia, portanto, se Sookie, no último episódio, terminasse com Bill. Seu primeiro amor na série e único que parece aguentar as idiossincrasias da donzela. Outra linha que me parece equivocada é a – suposta – morte de Tara. Sim. Suposta. Em True Blood é a velha história: sem corpo, sem prova. Sem prova, sem morte. Vimos sim uma porção de sangue e tripas e Lettie Mae chorando sobre ela, mas isso não quer dizer que Tara está morta. Primeiro: Tara é uma personagem muito chata importante para morrer assim, sem mais considerações. Segundo: quem acredita no que Mae fala, nunca assistiu a série. Essa dúvida acerca da morte e as consequências que isso pode trazer parecem desnecessárias nesta reta final.

True Blood está de volta, e por mais que não tenha apresentado uma grande premiere, parece ter resgatado um pouco do brilho que um dia já teve. E você? Faz parte da resistência? Assim como eu, você segue firme com True Blood? Então volte sempre, pois já estamos na última temporada e não temos nada a perder.

Música dos créditos finais: Jesus Gonna Be Here – Tom Waits

Tags True Blood
Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

No comments

Add yours