Aprovação de acordo entre Fox e Disney pode ter um longo caminho pela frente

Imagem: NBC/Divulgação; The Walt Disney Co./Divulgação; 21st Century Fox/Divulgação

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Quando o Mix de Séries anunciou o acordo entre a Disney e a 21st Century Fox em meados de dezembro, nós ressaltamos que apesar da pompa e da comemoração de ambas as empresas e do mercado financeiro, a compra ainda precisaria ser aprovada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos após análise do comitê Anti-trust.

É verdade que as duas empresas esperam que a compra seja certificada dentro de um ano, mas as visões mais otimistas de que a aprovação pode acontecer antes devem ser deixadas de lado, uma vez que o congresso americano planeja exercer sua função de escrutinar a potencial compra.

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Amy Klobuchar (D-Minnesota), vice presidente do Subcomitê de Anti-trust do Senado, divulgou uma nota na sexta-feira (15) em que mostrava-se preocupada com o impacto que tal acordo teria nos consumidores. A senadora afirmava também que tinha requisitado tanto ao Presidente do Subcomitê, o Senador Mike Lee (R-Utah) e ao Presidente do Comitê do Judiciário, Chuck Grassley (R-Iowa), o agendamento de audiências para discussão e análise da proposta.

Ela não foi a única pedir por uma participação no legislativo. Os deputados David Cicilline (D-Rhode Island) e Frank Pallone Jr. (D-New Jersey) também divulgaram uma nota para a imprensa pedindo o agendamento de audiências para avaliar o “momento de monopólio” que a América vive atualmente.

Fala-se que um dos principais pontos de análise dos deputados e senadores, caso os republicanos venham a concordar no agendamento de audiências, é a potencial concentração de poder nas mãos da Disney em relação a programação esportiva

Com o acordo, a empresa compra da 21st Century Fox todos os canais esportivos locais, o que também inclui licenças de transmissão de futebol universitário, basquete, basebol e entre outros dando mais poder para a ESPN e seu futuro serviço de streaming.

Pelas leis dos Estados Unidos, o Congresso não aprova nem rejeita tais acordos – eles apenas analisam os números, convidam executivos e especialistas para comparecerem em audiências e recomendam ao Departamento de Justiça o que acreditam ser melhor.

Espera-se que o processo seja apolítico, mas lembro aos leitores que os partidos americanos têm posições bem distintas sobre o assunto de grandes acordos. Enquanto os Democratas tendem a favorecer o consumidor, tanto que foi durante a administração de Barack Obama que foi criada a Agência de Proteção Financeira ao Consumidor, os republicanos são pró-empresas, pró-negócios e pró-grandes acordos.

Obs: O mais curioso e irônico de toda a história? A Disney foi uma das principais financiadoras da campanha de Hillary Clinton para Presidente em 2016, de acordo com o The New York Times.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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