As melhores séries de 2021 em drama

A TV se manteve firme e forte neste difícil momento em que nos encontramos. Elegemos as séries dramáticas que fizeram de 2021 um ano um pouco melhor.

Melhores séries de 2021

Apesar de alguns atrasos, cancelamentos e mudanças como resultado de anos difíceis, a televisão manteve-se firme. Enquanto o Cinema saía de cena e a maioria das atividades culturais caíam por terra, a TV ficou ali, forte, uma âncora para um mundo que agonizava. Logo, em 2021, a televisão permaneceu como fonte de diversão, como fuga da realidade, como síntese do inabalável espírito humano. Por isso, resolvemos buscar quais foram as melhores séries de 2021.

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Alguns de seus melhores frutos estão aqui. São 10 programas que resumem o que houve de melhor em um ano excelente para as produções televisivas. Canais e plataformas de streaming cresceram, novos rostos e ideias aportaram na telinha e muita coisa boa nasceu daí.

Confira abaixo, em ordem alfabética, as melhores séries dramáticas de 2021.

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Calls

Calls

O Cinema e a TV funcionam há décadas pois juntam duas armas que apelam aos sentidos: som e imagem. Unidos, estes dois milagres formam as emoções que acompanhamos diariamente. Quase um século depois e ainda nos encantamos com o poder de uma tela e de um som. Calls, da Apple TV, investe no áudio e entrega aos olhos apenas pequenos gráficos, animações que dão vidas às ligações telefônicas que regem os episódios. Assim, em cada capítulo, duas ou mais pessoas conversam através de celulares e telefones. Cada um conta uma história, mas todas estão assustadoramente interligadas. O apocalipse parece se aproximar e o mundo está todo bagunçado. Escrita com brilhantismo, Calls é angustiante justamente por nos privar daquilo que estamos acostumados: a visão.

Leia também: 10 melhores minisséries de 2021: Maid, Mare of Easttown e mais

Maid

Maid

Maid fez sucesso porque contou uma história universal. Sem transformar, contudo, a pobreza em diversão, como tantos filmes e séries já fizeram. Em Maid há espaço para amor, redenção, aprendizagem e mudança, tal qual na vida real. Sem jamais simplificar as dificuldades enfrentadas pela protagonista, entretanto, a minissérie da Netflix investe em artifícios visuais e narrativos que tornam a experiência mais leve e dinâmica. Com atuação avassaladora de Margaret Qualley, Maid se sobressaiu dos demais produtos lançados semanalmente no streaming e chega ao fim de 2021 como um dos melhores programas do ano.

Mare of Easttown

Mare of Easttown

Histórias sobre crimes e investigações abundam ano a ano. A diferença, todavia, está nos personagens e não propriamente no mistério. A busca por respostas de Mare of Easttown, na verdade, é bem esquecível. O que torna inesquecível esta produção da HBO, portanto, são seus personagens bem escritos e as boas dinâmicas entre eles. Kate Winslet, como sempre, é um assombro. Evan Peters cresce fora das garras de Ryan Murphy e entrega aquela que pode ser sua melhor atuação. Em uma meditação sobre envelhecimento, pertencimento e a vida conturbada de uma cidade pequena, Mare of Easttown é um drama forte com uma boa dose de crime e suspense.

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Missa da Meia-Noite

Missa da Meia Noite

Mike Flanagan tem se especializado na adaptação de grandes livros de horror. Já levou às telas obras de Stephen King, Shirley Jackson, Henry James e ensaia uma releitura de Edgar Allan Poe para o próximo ano. Em 2021 levou Missa da Meia-Noite para o catálogo da Netflix. O resultado é um drama de horror potente, riquíssimo em personagens e mensagens. Assim, poucas produções foram tão eloquentes na discussão sobre a natureza humana, seus medos e suas armas mais perigosas. Em um vilarejo isolado do mundo, crescem os mistérios e perigos. Assistir Missa da Meia-Noite sem saber nada da trama é uma das experiências mais bacanas dos últimos tempos.

The Mosquito Coast

The Mosquito Coast

Ao bom estilo de Breaking Bad e Luther (com a qual divide o criador), The Mosquito Coast é uma daquelas séries empolgantes que estão sempre avançando, sempre crescendo e deixando a audiência roendo as unhas. Na trama, uma família precisa fugir depois que o patriarca, foragido, é descoberto pelo FBI. Justin Theroux entrega seu melhor trabalho em uma série de ação dramática repleta de reviravoltas e episódios insanos. Além disso, ainda conta com uma das melhores trilhas sonoras do ano (créditos ao brasileiro Antonio Pinto), The Mosquito Coast é a série pouco discutida que precisa ser descoberta.

Pose

Pose

Se há, nesta lista, uma série que quebrou paradigmas e inovou, esta é Pose. Com elenco majoritariamente negro e LGBTQIA+, a série da FX teve apenas três temporadas, mas conseguiu se infiltrar no histórico recente da TV e marcar a audiência. Pose é o resultado que se tem quando Ryan Murphy tem poder controlado e não consegue impor todas as suas loucas vontades. Não podemos ignorar, entretanto, que foi em grande parte por causa dele que a série recebeu luz verde e foi produzida. Antes, ninguém acreditava no potencial de uma série “muito negra” e “muito gay”. Hoje, entretanto, Pose tem o carinho do público, da crítica, dos prêmios e de qualquer um que ame a televisão.

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Scenes from a Marriage

Scenes from a marriage

Por cinco semanas, Scenes from a Marriage foi uma excruciante experiência. Não por sua qualidade, mas por sua brutalidade realista. Com Oscar Isaac e Jessica Chastain, a minissérie da HBO destrincha os últimos respiros de um relacionamento há muito moribundo. Com diálogos cortantes e atuações irretocáveis da dupla, Scenes from a Marriage ainda encontra espaço para discutir sobre a própria produção televisiva e nossas relações para com os programas que nos cercam. Hagai Levi, responsável por jóias como In Treatment e The Affair, capricha na direção e entrega, assim, um resultado que deixaria Ingmar Bergman feliz e orgulhoso.

Succession

Succession

A terceira temporada de Succession a consagrou como uma das grandes séries deste século. Em uma época em que já vimos o surgimento de obras-primas como A Sete Palmos e Breaking Bad, testemunhamos a ascensão de uma nova joia da coroa televisiva. A tragicômica saga criada por Jesse Armstrong, então, manteve a audiência atenta e envolvida por nove semanas, sempre com episódios excelentes e uma elogiável estrutura. Com um elenco poderoso encabeçado por Jeremy Strong, Kieran Culkin, Sarah Snook e Brian Cox, Succession já está no panteão dos clássicos.

Sweet Tooth

Sweet Tooth

Dos quadrinhos de Jeff Lemire, Sweet Tooth chega às telas com uma nobre missão: renovar a esperança da audiência em dias melhores. Apesar do cenário pós-apocalíptico, a série da Netflix fala sobre perseverança, parceria e a busca com pessoas e lugares melhores. Com alto valor de produção, Sweet Tooth encanta pela direção de arte e efeitos visuais primorosos, mas é mesmo a dinâmica entre o garoto-cervo e o gigante gentil que move a roda. Assim, se bem desenvolvida nos próximos anos, pode ser tornar um dos produtos mais bacanas da plataforma.

The Underground Railroad

The Underground Railroad

Quando anunciada alguns anos atrás, The Underground Railroad já surgiu cercada de expectativas. Comandada pelo diretor de Moonlight, a minissérie daria vida a um dos grandes livros da literatura recente. Vencedora do Pulitzer, a obra de Colson Whitehead chega à Amazon Prime Video através da fotografia deslumbrante, que pulsa fúria, passado e reparação. Nas mãos de Barry Jenkins, contudo, o que poderia ser apenas mais uma violenta releitura sobre a escravidão norte-americana vira poesia em forma de série. O penúltimo capítulo, que traz o sangrento confronto final, é um dos mais impactantes destes últimos 12 meses.

Jornalista, curioso e viciado em cultura. Escreve há quase 10 anos no Mix e Six Feet Under é sua série favorita.