Blue Bloods

Os bastidores de Blue Bloods: curiosidades por trás das câmeras

É um grande exercício ter que decidir qual tema da coluna quinzenalmente. Há sempre um grande conflito deste que vos escreve entre fazer algo interessante e que agrade os leitores, mas também curioso e bem sucedido na tarefa de atrair novos leitores. Então, o que fazer? Como escolher? Porque não uma série popular, mas que a gente não fala muito? Blue Bloods, é claro.

Confesso que sempre quando olho os dados da Nielsen para preparar a coluna de audiência, fico impressionado com a força que essa série ainda tem para colocar pessoas na frente na televisão na sexta à noite. Ame ou odeiei, mas é fascinante quando constata-se que Blue Bloods, uma produção roteirizada, chama atenção de quase 10 milhões de pessoas enquanto outros produtos lutam para ter cinco milhões.

O que torna essa série tão deliciosa? Tão irresistível? Vamos descobrir.  Então, não esqueçam de comentar suas opiniões, críticas, elogios, assim como sugestões. Afinal de contas, essa é a única maneira de continuarmos melhorando sempre.

Jantar indigesto

Uma das principais cenas em todos os episódios é a refeição após a missa de domingo, mais precisamente por volta das 17h. Os telespectadores não imaginam, mas essa foi, na verdade, uma ideia do próprio Tom Selleck. Contudo, as sequências traziam (e ainda trazem) um problema para os atores envolvidos: eles comem sempre a mesma comida. Em entrevista, Tom Selleck, descreveu as cenas como “miseráveis”. “As cenas dos jantares são longas; elas podem ser chatas [para filmar] porque você repete o mesmo diálogo e come a mesma comida – que fica muito rançoso – por oito horas,” disse o ator.

Esclarecendo as coisas

No escritório de Frank Reagan, mais precisamente na parede à esquerda da porta, há uma foto de Theodore Roosevelt (1858-1919), mais conhecido como o 26º presidente dos Estados Unidos por dois mandatos (1901-1909). Como curiosidade, em 1901, ainda como governador do estado de Nova York, Roosevelt fez algumas reformas no departamento de polícia de Nova York.

Uma das medidas foi extinguir a então comissão policial fundada em 1845 no intuito de criar o cargo de Comissionário de Polícia, cargo ocupado por Frank Reagan. É importante lembrar, contudo, que o motivo pelo qual o retrato do ex-presidente está naquele lugar não é fisiologismo, mas sim pelo personagem admirar Roosevelt como político e pessoa.

Cenário Real

A residência dos Reagan é praticamente um personagem. Uma vez que a dinastia tem seu almoço de domingo pós-missa no mesmo local. A casa é um endereço real, localizada no 8070 Harbor View Terrace em Bay Ridge, no Brooklyn. O curioso é que embora a CBS use a imagem exterior da casa na série, o imóvel é uma propriedade real de um grupo de católicos do Oriente Médio, chamado de os Maronites. É importante lembrar que, assim como a casa de Carrie Bradshaw de Sex And The City, a residência não é pública, tampouco aberta a visitação. Para quem deseja fotografar a fachada precisa ter, no mínimo, respeito com seus moradores.

Sob Ataque

Com uma tendência escancarada de ser pró-polícia, a série sempre agradou os telespectadores mais conservadores e tradicionais da audiência. Um deles era a comunidade católica em virtude da forte presença que a religião tinha na vida dos personagens. A Liga Católica, inclusive, elogiou o drama como “uma das poucas séries de TV que tratam os católicos de forma justa”. Frank Reagan, vale lembrar, é um católico praticante. Contudo, essa boa relação mudou em 2014.

O então presidente da liga católica, Bill Donohue, soltou uma nota dura contra a série ao afirmar que foi “bombardeado de reclamações” por causa de um episódio em particular quando Frank afirma que a Igreja Católica está “um pouco atrasada no tempo”no que se refere a homossexualidade. A narrativa em questão, vale lembrar, trazia um cardeal numa complexa situação pessoal por não aceitar sua orientação sexual, assim como de uma freira, que era lésbica.

Donohue sugeriu na nota que a CBS estava “virando-se contra sua própria audiência” e que o canal estava “cometendo suicídio” no que descreveu como um “ataque” contra os católicos. Apesar do barulho, a audiência de Blue Bloods foi (e continua) impressionante para seu dia e horário de exibição.

Confusão? Temos sim.

Quando você pensa numa série com bastidores disfuncional, Blue Bloods não aparecerá sequer num Top 10. Grey’s AnatomySex And The CityTwo And a Half Man ou Star Trek: Discovery provavelmente são os primeiros nessa lista. Contudo, a série teve sim alguns problemas. O maior deles foi a saída de Jennifer Esposito, que recentemente fez uma participação em Law & Order: SVU. A atriz é um dos membros originais do piloto ao interpretar a detetive Jackie Curatola.

No início das gravações da terceira temporada do drama em 2012, ela desmaiou no set. O mal estar foi causado pelo fato de ser celíaca, condição de quem tem um organismo que reage imunologicamente à ingestão de glúten. Consequentemente, seu médico recomentou que ela se afastasse por um certo período, fazendo com que ela tirasse uma semana para se recuperar. O problema, contudo, é que a atriz afirma que a CBS nunca acreditou que ela estava mesmo doente.

De acordo com Esposito, a emissora acreditava que era uma forma dela pedir um aumento. Tamanho foi o desentendimento entre os dois que quando a atriz pediu para ter sua carga horária reduzida, ela foi demitida. “A Jennifer nos informou que ela estará disponível por um pequeno espaço de tempo para trabalhar. Como resultado, ela fica impossibilitada de trabalhar”, disse o canal em nota. “A CBS se livrou da única minoria no intuito de ter um elenco completamente branco como CSI“, respondeu no Twitter.

O Passado Te Condena

Assim como The Good Wife, outro grande sucesso do canal, Blue Bloods foi criada por um casal de roteiristas: Mitchell Burgess e Robin Green. Contudo, a vida profissional nem sempre foi fácil para eles. Após escreverem alguns episódios de Northern Exposure Party of Five, eles trabalharam novamente com David Chase, com quem eles colaboraram na mal sucedida Almost Grown de 1988. Eles foram contratados para ajudar nos roteiros de uma série pouco conhecida até então, Os Sopranos.

Burgess e Green ajudaram a desenvolver e solidificar o drama nos seus primeiros anos, sendo instrumentais em ajuda-lo a chamar atenção dos críticos e da audiência. O problema é que tudo ia bem até que eles saíram sob circunstâncias nebulosas em 2006. De acordo com reportagens da época, Chase estava cada vez mais frustrado com o casal uma vez que eles não estavam escrevendo um grande número de episódios. Além do casal “não estar entendendo” os personagens.

A convivência profissional ficou insustentável com ambos os lados ficando incrivelmente frustrados e insatisfeito.  Como Chase era o roteirista chefe, o casal acabou sendo demitido. Anos depois, criariam Blue Bloods.

Por trás das faces

Cada membro da família Reagan representam uma virtude da vida. De acordo com pesquisa desta coluna, a ideia dos roteiristas é mais ou menos essa: Henry (Sabedoria); Frank (Temperança); Danny (Justiça); Jamie (Honestidade); Erin (Integridade); Linda (Compaixão); Nicky (Idealismo); Jack e Sean (Inocência).

Rapidinhas

– Embora eles interpretem pai e filho na série, Len Cariou é apenas cinco meses mais velho que Tom Selleck.

– Quando a série entrou em produção em 2010, os produtores consideraram colocara Selleck no ar sem seu histórico bigode. O problema é que, de acordo com o próprio ator, os executivos da CBS pediram para que ele mantivesse seus pelos faciais.

Em suma 

Vocês sabem como eu adoro fazer essa coluna para vocês. Meu editor sabe disso, embora ele ainda acredite que eu tenho que popularizar mais as pautas (te amo, chefe <3). Minha felicidade e satisfação aumenta ainda mais quando tenho a oportunidade de escrever sobre uma série que eu gosto, admiro e aprendo como foi o caso de Blue Bloods. A saída abrupta de Jennifer Esposito, o endereço da casa dos Reagans e até mesmo o passado curioso dos criadores da série. Então tenho que dizer pra vocês: é sempre uma alegria e um deleito aprender junto com vocês.

Muito obrigado pela companhia nesta semana. Lembrando, então, que da próxima vez vamos falar sobre os Bastidores da oitava temporada de Game of Thrones. Espero vocês!

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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