Crítica: A Sociedade da Neve é drama poderoso na Netflix

A Sociedade da Neve emociona em uma das histórias mais impressionantes já vistas pelo Homem. Filme da Netflix deve aparecer no Oscar.

A Sociedade da Neve

A tragédia nos Andes é um dos casos mais conhecidos, discutidos e abordados em documentários, livros e filmes. A história de sobrevivência é tão chocante que é daqueles mais estranhos que a ficção. J.A. Bayona é um diretor que entende de catástrofes. Um dos melhores títulos de sua filmografia é “O Impossível”, com Naomi Watts. Ele também sabe trabalhar com emoções fortes, como nos foi provado nos ótimos “Sete Minutos para a Meia-Noite” e até em “O Orfanato”.

O cineasta parece, então, uma escolha acertada para o novo épico da Netflix, “A Sociedade da Neve”. No filme, que provavelmente será indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Espanha, vemos uma emocionante saga pela vida. A trama segue um grupo de jovens uruguaios que viajam para o Chile. O problema é que o avião que os leva até lá cai nos Andes, entre cordilheiras e muita neve. Ali, os sobreviventes passam mais de 70 dias sob as mais inacreditáveis provações.

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A história do acidente já ganhara uma adaptação caprichada no norte-americano “Vivos”, que fez sucesso tremendo na TV brasileira dos anos 1990. Na fita, um jovem Ethan Hawke comanda um elenco competente em uma versão que faz jus aos envolvidos. Agora, entretanto, “A Sociedade da Neve” se aproxima ainda mais das vítimas e cria um retrato igualmente enervante e edificante dos fatos.

Bayona já prende a audiência com uma sequência atordoante de acidente. É perceptível na carreira do cineasta que ele não tem receio da violência ou do terror. Assim, não é de se espantar que o diretor que já criou cenas chocantes de “O Orfanato” e “O Impossível” tenha realizado um acidente de avião tão impactante. Ajuda, é claro, que toda a equipe esteja no topo de seus ofícios. O trabalho de som, por exemplo, é irretocável, enquanto a fotografia jamais permite que o visual se torne desinteressante.

Filme deve pintar no Oscar 2024

Afinal, as limitações são diversas. Para começar, embora se passe quase que totalmente em um ambiente externo e amplo, “A Sociedade da Neve” é quase um filme de câmara, daqueles que se passam em um só lugar fechado. Além disso, é preciso salientar o óbvio: o filme se passa na neve e, assim, o background geralmente é branco e chapado. Ainda assim, Bayona e seu diretor de fotografia fazem de tudo para que o longa seja sempre interessante e ativo. Logo, “Sociedade” nunca cansa os olhos – pelo contrário: há cena belíssimas aqui.

O diretor, aliás, é hábil nos enquadramentos e movimentos de câmera, principalmente quando o espaço é reduzido. Repare nas cenas dentro do avião, geralmente lotado de pessoas e neve. Ali, Bayona cria suspense e entrega alguns dos momentos mais impactante do filme. Quando em áreas abertas, o filme explora com maestria a magnitude do espaço, e a ameaça que ele representa.

“A Sociedade da Neve” funciona em grande parte, também, graças ao elenco. Repleto de rostos pouco ou nada conhecidos, o elenco segura a barra para que a emoção não seja totalmente fabricada. Permitindo, assim, que as lágrimas venham de forma natural. O roteiro, aliás, se sai bem ao trazer as principais discussões de forma orgânica e com argumentos potentes. Além disso, o texto acerta ao dar espaço a personagens que, pela lógica, não teriam espaço.

Prometendo ser um novo sucesso popular da plataforma, “A Sociedade da Neve” nos mostra novamente que o Cinema é uma das ferramentas mais poderosas para dar vida a uma história tão emocionante e inacreditável.

Nota: 4/5

Sobre o autor
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Matheus Pereira

Jornalista, curioso e viciado em cultura. Escreve há quase 10 anos no Mix e Six Feet Under é sua série favorita.

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